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França atrai Foxconn e Nvidia para infraestrutura de IA europeia

Presidente executivo da Nvidia, Jensen Huang, discursa durante a Computex 2026, em Taipé, Taiwan, segunda-feira, 1 de junho de 2026.
Presidente executivo da Nvidia, Jensen Huang, discursa na Computex 2026, em Taipé, Taiwan, segunda-feira, 1 de junho de 2026. Direitos de autor  AP Photo/Chiang Ying-ying
Direitos de autor AP Photo/Chiang Ying-ying
De Pascale Davies
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Foxconn, Nvidia e Mistral AI anunciam grandes acordos de infraestruturas de IA na VivaTech, com energia nuclear barata francesa e talento local a atrair investimento global

A corrida para construir o futuro da inteligência artificial na Europa instala-se esta semana em Paris, com a principal conferência tecnológica da cidade, a VivaTech, a transformar-se num íman para os gigantes tecnológicos globais que veem em França uma peça-chave para desenvolver a IA no continente.

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O evento cresceu de um encontro de 45 mil pessoas para a maior conferência de startups e tecnologia da Europa, atraindo mais de 200 mil participantes de 170 países. Este ano assume um peso geopolítico sem precedentes, com a soberania em matéria de IA e a infraestrutura a dominarem a agenda.

O gigante industrial taiwanês Foxconn e a empresa francesa de computação Bull anunciaram esta quinta-feira uma parceria para construir na Europa potentes computadores de IA destinados a alimentar a rede, em rápida expansão, de fábricas de IA do continente, os centros de computação de grande escala que constituem a espinha dorsal da infraestrutura de inteligência artificial.

“A França é um dos maiores países da Europa, com muito talento… Sabemos também que a França é muito forte nas tecnologias de ponta e, em especial, na indústria espacial”, afirmou à Euronews Next James Wu, vice-presidente e porta-voz da Foxconn.

“A França tem ambições muito elevadas na concretização de projetos de IA e acreditamos que podemos desempenhar um papel muito importante para ajudar o país a atingir esse objetivo”, acrescentou.

Os componentes serão fabricados e testados nas instalações da Foxconn na Chéquia, antes da montagem final e validação na fábrica da Bull em Angers, França. Os servidores destinam-se a prestadores de serviços de cloud e ao mercado, em crescimento, das fábricas de IA em toda a Europa.

O anúncio foi feito na VivaTech, em Paris, assinalando a primeira participação da Foxconn no certame.

A par das novidades sobre os servidores de IA equipados com tecnologia Nvidia, a empresa exibiu dois veículos elétricos, um deles com cadeira de massagem, e um robô humanoide com rodas capaz de executar tarefas de montagem de precisão.

O acordo entre a Foxconn e a Bull insere-se numa vaga mais ampla de investimentos em infraestrutura de IA na Europa, alavancada pela Nvidia.

Na edição do ano passado da VivaTech, o presidente executivo da Nvidia, Jensen Huang, comprometeu-se a construir mais de 20 fábricas de IA em toda a Europa e apontou a Mistral AI como campeã europeia da computação soberana.

Este ano, a Nvidia e a Mistral AI anunciaram a criação da Mistral Compute, um projeto de infraestrutura de IA soberana e de plataforma de cloud de GPUs concebido especificamente para a Europa.

França: porque é atrativa para os gigantes da IA

Sob a presidência de Emmanuel Macron, o país afirmou-se como “startup nation” e como um concorrente de peso na área da IA.

A França tem uma vantagem única face a outros países europeus: a eletricidade é muito mais barata, por assentar na energia nuclear, algo que agradou à Foxconn.

“Hoje falamos da capacidade de computação em IA como um poder, mas a energia é, na realidade, fundamental para essa capacidade. Por isso, penso que a França tem uma grande vantagem nas suas estruturas de produção de eletricidade… sobretudo porque uma parte importante vem do nuclear, que é uma fonte de abastecimento muito estável”, explicou Wu.

“Acredito que, para os países avançados gerarem nova energia e responderem à procura da era da IA, a França tem aqui uma vantagem muito, muito grande”, acrescentou, sublinhando que o país beneficia também de uma “determinação em desenvolver a indústria da IA”.

Wu salientou que a empresa não está apenas a levar para França os bastidores de servidores de IA que alimentam as fábricas de IA, mas também o potencial para dinamizar todo o ecossistema de IA do país, dos veículos elétricos aos smartphones e PCs, todos eles dependentes de tecnologia com IA incorporada.

A Foxconn vai fornecer a infraestrutura das fábricas de IA, enquanto o gigante norte-americano Nvidia disponibiliza os chips de IA mais recentes.

Este mês, o presidente executivo da Nvidia, Jensen Huang, descreveu a IA como um “bolo” de cinco camadas, que inclui energia, chips, infraestrutura, servidores de centros de dados e os modelos e aplicações de IA.

“A Nvidia procura ajudar todos os intervenientes nesse ‘bolo’, em todas as camadas, a trabalharem em conjunto e a progredirem em conjunto”, afirmou à Euronews Next Nat Ives, diretor de enterprise da Nvidia para o Benelux, França & países nórdicos.

Disse que isso “se concretiza em particular em França”, já que o país conta com a elétrica multinacional EDF, detida pelo Estado francês, bem como com energia nuclear e renovável.

“Quando olho para o trabalho que é feito para decidir onde devem ficar os centros de dados e para os contratos que se estabelecem com esses centros, a sustentabilidade e o impacto de carbono, ou a sua ausência, são hoje uma parte enorme do processo”, sublinhou Ives.

O planeamento é cada vez mais moldado pelos próprios compromissos ambientais da Nvidia. A empresa alimenta todos os seus escritórios e centros de dados no mundo com eletricidade proveniente de fontes renováveis.

A mais recente arquitetura de chips Blackwell também permite reduzir até 25 vezes o consumo de energia em tarefas de IA, face à geração anterior.

França beneficia ainda das suas empresas de referência em IA, entre as quais a Mistral AI, a AMI e a H Company, bem como de fornecedores e desenvolvedores de software, e tem um histórico sólido de talento que emerge das universidades, acrescentou.

“Esses criadores de modelos na Europa têm um papel enorme a desempenhar e posso dizer com satisfação que conheço a equipa da Mistral desde que eram três pessoas num café, ainda antes de serem a Mistral, e trabalhámos com eles em todo esse percurso”, afirmou Ives.

Estas empresas de código aberto e de ciência aberta, que permitem o acesso à IA a organizações ou programadores sem meios para pagar a serviços de empresas de código fechado, como a OpenAI, ajudam a promover um campo de jogo mais equilibrado.

“Por isso, colaborámos, apoiámos e investimos nessas iniciativas desde o primeiro momento, porque acreditamos que o código aberto e a ciência aberta, em que a maioria delas assenta, são fundamentais para garantir essa liberdade de escolha”, concluiu.

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