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Explore Lisboa como um local: sete dicas para sete colinas

Pormenor da obra "Calipso" de Patrícia Mariano
Pormenor da obra "Calipso" de Patrícia Mariano Direitos de autor  Ricardo Figueira / Euronews
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De Ricardo Figueira
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Saia dos terrenos batidos (e da sua zona de conforto), evite as enchentes e, sobretudo, as armadilhas para turistas. Aqui encontra sete ideias de visita, uma para cada uma das colinas de Lisboa, pensadas por quem lá vive.

Torre de Belém, Pastéis de Belém, Mosteiro dos Jerónimos, elétrico 28, Castelo de São Jorge, ou ainda a estátua de Fernando Pessoa no Chiado com quem todos querem tirar uma foto: todos estes são ex-libris de Lisboa de visita quase obrigatória para quem passa pela capital portuguesa, cada vez mais procurada pelos viajantes de todo o mundo. No entanto, todos esses sítios têm um problema: turistas, muitos turistas. Tantos que se torna por vezes difícil andar, os tempos de espera são grandes e dificilmente sentirá que está em Portugal, pois ouvirá, à sua volta, muito francês, inglês, italiano ou espanhol... mas pouco português.

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Quanto ao 28, não nos iremos alongar muito sobre ele, pois qualquer guia turístico ou site sobre Lisboa fala sobre esta linha de elétrico que percorre os bairros históricos da cidade, subindo e descendo colinas, dos Prazeres ao Martim Moniz, passando pelo Chiado, por Alfama e pela Graça. É, de facto, uma forma económica de conhecer algumas das zonas mais características da cidade em pouco tempo, num transporte castiço e centenário. Para evitar as enchentes, o único conselho que podemos dar é ir o mais cedo possível. "Deus ajuda quem cedo madruga" é um ditado que se aplica na perfeição ao viajante. Se gosta de fotografia, pode ainda beneficiar da bela luz do nascer do dia.

Sobre outros locais a visitar, não desfazendo nos "clássicos", tentamos aqui dar algumas insider tips que o levarão a percorrer Lisboa pela mão de quem lá vive e conhecer alguns locais fora dos roteiros mais batidos. Eis sete conselhos, um para cada uma das sete colinas de Lisboa:

1 - Vá aos fados sem se arruinar

Ir às casas de fado faz parte do roteiro obrigatório de quem quer conhecer Lisboa e ouvir o mais português dos estilos musicais, que a UNESCO declarou em 2011 Património Imaterial da Humanidade.

São muitas as casas de fado, algumas com melhor reputação do que outras, espalhadas pela cidade e normalmente concentradas no Bairro Alto e em Alfama. Esse guia turístico que comprou certamente lhe recomenda algumas e não está enganado: são, de facto, excelentes e históricas casas de fado, com boa cozinha e artistas de topo. Mas têm um problema: o preço. A reserva para uma noite com jantar e espetáculo de fado pode sair-lhe cara.

Fado na Tasca do Chico
Fado na Tasca do Chico Ricardo Figueira / Euronews

A Tasca do Chico, no Bairro Alto, é uma alternativa que alia o orçamento ao ambiente autêntico do "fado vadio". Não paga entrada, mas há um consumo mínimo obrigatório de 10 euros. Também não espere um menu completo: aqui serve-se apenas petiscos como caldo verde, chouriço assado e pastéis de bacalhau, a acompanhar com a bebida da sua escolha.

Ao entrar, sente-se um privilegiado a quem é concedido o passe para um clube secreto: a luz é muito reduzida e os cantores não estão no palco, mas no centro da sala, cujas paredes estão cobertas de fotografias das celebridades que por lá passaram. O público é composto por uma mistura equilibrada de turistas e locais. Espalhados pelas várias mesas (não se espante se lhe propuserem ficar numa mesa com desconhecidos), conversam entre si nos intervalos entre as atuações e calam-se religiosamente quando se canta (o fado ouve-se sempre em SILÊNCIO ABSOLUTO), até porque não há microfones ou qualquer amplificação de som.

A Tasca do Chico tem fadistas residentes, mas também convida, cada noite, elementos do público a cantar. Isto tanto pode significar perfeitos desconhecidos como estrelas internacionais como Carminho, Cuca Roseta ou Mariza. O patrão, Chico, trata o mundo do fado por tu.

Sendo a solução mais económica e autêntica, a Tasca do Chico tem um problema, que é o de ser vítima da sua popularidade. Não aceita reservas e a entrada faz-se por ordem de chegada.

O proprietário da Tasca com o escritor português António Lobo Antunes e o chef e apresentador norte-americano Anthony Bourdain (foto exposta no local)
O proprietário da Tasca com o escritor português António Lobo Antunes e o chef e apresentador norte-americano Anthony Bourdain (foto exposta no local) Ricardo Figueira / Euronews

Para evitar esperar demasiado pelo seu lugar, propomos duas soluções:

  • Vá cedo: A Tasca do Chico abre às 19h e os espetáculos começam por volta das 20:30. Às 18:30 já há fila à porta.
  • Vá tarde: a outra opção (na nossa opinião, melhor) é ir depois da hora de maior movimento. Sugerimos reservar uma mesa no restaurante que fica exatamente em frente, o Retiro dos Sentidos. Embora sem o ambiente intimista da Tasca, este restaurante tem igualmente espetáculo de fado e é uma boa "primeira parte". Serve pratos tipicamente portugueses, com uma relação qualidade/preço bastante honesta. Enquanto come e assiste ao espetáculo, pode ir espreitando para o passeio em frente e ver quantas pessoas estão na fila. A partir das 22:30, não deve ter problemas em entrar. Uma vez dentro, perceberá que a espera valeu a pena.

Mais recentemente, a Tasca abriu um segundo estabelecimento em Alfama.

2 - Coma o melhor peixe grelhado que alguma vez provou

Em Portugal, não gostamos de pratos de peixe muito elaborados. Provavelmente, já percebeu que a simplicidade é a chave: o peixe é simplesmente grelhado ou cozido e temperado com azeite e vinagre ou limão - e pimenta, se quiser.

Qualquer restaurante em Portugal propõe peixe, mas é preciso saber escolher onde se vai. Se o robalo e a dourada lhe parecem demasiado baratos, muito provavelmente serão de aquacultura.

Peixe de aquacultura é algo que não encontrará certamente num endereço que, estando algo escondido, tenta manter-se secreto mas é cada vez mais popular.

Para quem não conhece, a Cabana das Paixões não é fácil de encontrar: frente à estação ferroviária de Carcavelos (linha de Cascais), deve procurar um caminho de terra batida que o leva até ao campo de futebol do GS Carcavelos.

Chegando ao complexo desportivo, vê um barracão de onde sai o fumo que denuncia que algo se está a cozinhar lá dentro.

Dentro desta barraca, comerá provavelmente o melhor peixe da sua vida.
Dentro desta barraca, comerá provavelmente o melhor peixe da sua vida. Ricardo Figueira / Euronews

O cheiro não engana: o que quer que se cozinha ali é bom.

A Cabana das Paixões não aceita reservas nem pagamentos com cartão (leve dinheiro vivo) e só está aberta ao almoço (tirando à sexta e ao sábado, em que abre também para jantar). Se for durante a semana, é mais fácil encontrar mesa. Quanto mais cedo chegar, mais facilmente encontra sítio para sentar. O mais provável será ficar numa mesa na esplanada, o que pode ser bastante agradável mesmo numa altura menos quente do ano, já que o clima é bastante ameno.

Sobretudo em boa companhia, os almoços aqui prolongam-se pela tarde dentro e, idealmente, rematam-se com um café, "lavando a chávena" com o bagaço da casa. Aconselhamos que vá e regresse de comboio, a meia-dúzia de passos que fará até à estação ajudá-lo-á a digerir e assim evita pegar no volante... Em Lisboa, pode apanhar os comboios da linha de Cascais nas estações do Cais do Sodré, Santos ou Belém.

Aqui, tudo é grelhado no carvão na altura
Aqui, tudo é grelhado no carvão na altura Ricardo Figueira / Euronews

Quanto à ementa, depende do peixe - sempre fresco, acabado de chegar da lota - que houver. O pregado e a garoupa costumam ser apostas seguras. Tudo aqui é grelhado no carvão na altura. Para quem não aprecia peixe, há também boas opções de carne. Fecha à segunda-feira.

3- Viva o ambiente de um derby sem pagar bilhete

Se a comida rápida não varia muito de país para país, entre os hambúrgueres, os cachorros-quentes e os kebabs, Portugal tem a sua própria criação neste campo: a bifana. Tipicamente, trata-se de uma sanduíche de carne de porco em molho picante, num tradicional papo-seco. Sem mais artifícios. Recentemente, o chef escocês Gordon Ramsay causou alguma controvérsia ao criar uma variante com queijo, salada e num pão mais requintado... fiquemo-nos pela versão clássica.

Habitualmente acompanhada com cerveja, a bifana - e alguns parentes menos famosos como a sandes de courato e a sandes de torresmo - é muitas vezes sinónimo de dia de jogo. Comer uma bifana nas roulottes faz parte do ritual de ir ao futebol, antes ou depois da partida.

Bifana e cerveja - um menu simples e barato para uma noite de jogo
Bifana e cerveja - um menu simples e barato para uma noite de jogo Ricardo Figueira / Euronews

Em Lisboa (tirando algumas exceções), qualquer pessoa, mesmo que não ligue nada ao futebol, tem uma preferência pelo Sporting ou pelo Benfica, os dois eternos rivais. O confronto entre as duas equipas, conhecido como "derby da Segunda Circular", é o grande clássico de Lisboa.

Nas imediações do Estádio de Alvalade, a casa do Sporting, sempre que há jogos, encontra um grande número de roulottes onde, além de sentir o ambiente típico de um confronto de futebol, pode experimentar uma bifana acabada de fazer.

Para aceder às roulottes, depois de sair no metro do Campo Grande, siga na direção oposta à do estádio e vá até ao jardim do Campo Grande. É lá (no lado oposto ao Museu da Cidade) que encontra cerca de duas dezenas de roulottes e uma grande multidão de adeptos em torno delas. Entre uma dentada na bifana e um gole de cerveja (servida num copo de plástico reutilizável com a insígnia do clube, que poderá levar para casa), pode meter conversa com eles e trocar prognósticos. Escusado será dizer que quanto mais importante é o jogo, mais o ambiente é animado.

Adeptos junto às roulottes num dia de jogo em Alvalade
Adeptos junto às roulottes num dia de jogo em Alvalade Ricardo Figueira / Euronews

Pode consultar o calendário dos jogos aqui. Atenção que a data e hora definitiva de cada jogo só é marcada duas semanas antes. Se quiser levar a sua experiência mais longe e assistir a uma partida, poderá comprar bilhetes aqui. Cuidado com os bilhetes à venda noutros locais, nomeadamente nas redes sociais. Trata-se, muitas vezes, de fraude.

Se quer provar uma bifana, mas a confusão do futebol lhe diz pouco, pode experimentar a da Cervejaria O Trevo, no Largo do Camões (que Anthony Bourdain provou e recomendou), para nomear apenas um de vários sítios possíveis.

Por fim, se, em vez da bifana, quer outro acompanhamento para a sua cerveja, sobretudo ao fim da tarde, não tenha medo de provar caracóis, um pitéu que os lisboetas adoram tanto quanto os nortenhos detestam. Entre finais de maio e setembro, encontra-os em praticamente qualquer café ou tasca lisboeta. Aqui tem uma lista (não exaustiva) de sítios onde os pode provar.

4- Desça a Calçada do Combro e saia de lá com boas conservas de peixe

Portugal é conhecido pela qualidade das conservas de atum e sardinha, mas a oferta inclui muitos outros produtos como o polvo, a cavala ou a anchova.

Pode comprar qualquer marca disponível no supermercado, mas o melhor é investir um pouco mais e ir a uma loja especializada. Não, não a essa cheia de luzes coloridas. Essa é para turistas. Vá à Conserveira de Lisboa, por exemplo, onde encontra marcas tradicionais que não se vendem nos supermercados, como Tricana, Minor e Prata do Mar.

Um dos muitos tesouros que encontrará aqui (e dificilmente encontrará em qualquer outro lugar) é o sangacho de atum. Trata-se da carne extraída da zona junto à espinha dorsal do peixe, mais escura e, por isso, mais menosprezada e mais barata. Mas não se deixe enganar: é uma verdadeira delícia, com um sabor forte e distinto.

Lata de sangacho de atum à venda na Conserveira de Lisboa
Lata de sangacho de atum à venda na Conserveira de Lisboa Ricardo Figueira / Euronews

Uma das duas lojas da Conserveira de Lisboa fica no fundo da Calçada do Combro, que desce desde o Largo do Calhariz, no Bairro Alto, até às imediações do Parlamento. Já que vai aqui, propomos-lhe que primeiro desça a calçada, pausadamente, e aprecie a paisagem à sua esquerda e à sua direita. Comece no Largo do Camões, passe pelo Ascensor da Bica (à sua esquerda) e desça a Calçada do Combro. Se tiver tempo, pode fazer um pequeno desvio e percorrer o bairro da Bica e o Miradouro do Adamastor.

Mesmo se não se enquadra, de todo, num "roteiro alternativo", já que estamos numa zona fortemente turística, este não deixa de ser um percurso altamente recomendável. Sobretudo se descer pela esquerda, irá ver algumas das paisagens mais lisboetas que pode imaginar, incluindo o Ascensor da Bica. Parado desde o fatídico acidente com o Elevador da Glória, todos os turistas aproveitam a oportunidade para tirar uma foto junto à cabine.

A calçada tem um comércio tradicional que subsiste, nomeadamente alfarrabistas e antiquários, onde poderá encontrar algumas preciosidades.

Montra de antiquário na Calçada do Combro
Montra de antiquário na Calçada do Combro Ricardo Figueira / Euronews

Passando a Conserveira, logo depois, olhe para a sua direita e aprecie a Rua do Vale, com a Igreja das Mercês ao fundo. Aqui encontra também o Atelier-Museu Júlio Pomar, dedicado ao importante pintor português do século XX.

Rua do Vale, com a Igreja das Mercês ao fundo
Rua do Vale, com a Igreja das Mercês ao fundo Ricardo Figueira / Euronews

Chegando ao fim da Calçada do Combro e continuando pela Rua dos Poiais de São Bento, encontra, na interseção com a Rua de São Bento e a Calçada da Estrela, a loja de Juliana Penteado, uma conhecida chef brasileira, presença assídua nas televisões portuguesas. A flor de sal (em diferentes variedades) e a granola salgada de limão são preciosidades que não vai querer perder. Alguns metros para a esquerda tem outra loja imperdível, a Companhia Portugueza do Chá, com uma grande variedade de chás e tisanas produzidas localmente.

Está agora nas imediações do templo da democracia portuguesa. A Assembleia da República está instalada no Palácio de São Bento, uma construção neoclássica do século XVI reconstruída já no século XIX. É sede do Parlamento (então com o nome de Cortes Gerais) desde 1834.

As sessões plenárias na Assembleia da República são públicas
As sessões plenárias na Assembleia da República são públicas Ricardo Figueira / Euronews

Se se interessa por política, as sessões plenárias (habitualmente às quartas e quintas-feiras) são públicas. Pode consultar a agenda aqui.

5- Explore o bairro de Campolide: "Street Art" premiada e o melhor cozido de Lisboa

Dificilmente o bairro de Campolide virá no seu guia. Com uma paisagem dominada pelo Aqueduto das Águas Livres, esta zona de Lisboa mistura residências, comércio e empresas. Entre o centro e a periferia, está "entalada" entre a Praça de Espanha, Campo de Ourique, as Amoreiras e o Parque Florestal de Monsanto. As construções recentes coabitam com prédios antigos e alguns descampados. O bairro é atravessado por várias vias rápidas. O interesse turístico, à primeira vista, é nulo.

Mas isso não significa que deva passar ao lado, muito pelo contrário: o bairro, que Sérgio Godinho celebrizou com o álbum do mesmo nome, editado em 1979, esconde várias pepitas.

Campolide tem bastantes restaurantes, sendo a Tasquinha do Lagarto um dos mais famosos, onde pode comer um dos mais recomendados cozidos à portuguesa de Lisboa.

Cozido à portuguesa na Tasquinha do Lagarto
Cozido à portuguesa na Tasquinha do Lagarto Ricardo Figueira / Euronews

Mais do que um prato, o cozido à portuguesa é uma instituição e um ritual. Trata-se de um prato pesado - recomenda-se que o coma ao almoço, não ao jantar - que mistura várias carnes, uma variedade de enchidos, legumes e couve. Vários restaurantes o propõem no menu, mas isso não acontece todos os dias. Cada restaurante reserva o cozido para um dia específico da semana, no caso da Tasquinha do Lagarto é à quarta-feira (repetindo ao sábado).

Outras especialidades que pode provar aqui são as favas com entrecosto, a feijoada à transmontana ou os filetes de polvo "com arroz do mesmo". As sobremesas são também de destacar, em particular o leite-creme.

Campolide é igualmente a casa de numerosos graffittis e, desde 2025, de uma obra de street art premiada pela plataforma Street Art Cities. Além de receber o prémio de melhor obra de junho do ano passado, Calipso, da autoria de Patrícia Mariano, contribuiu decisivamente para que Lisboa fosse considerada a terceira melhor cidade em termos de arte de rua por esta mesma plataforma, atrás apenas de Madrid e Atenas.

"Calipso", obra de "street art" premiada da autoria de Patrícia Mariano
"Calipso", obra de "street art" premiada da autoria de Patrícia Mariano Ricardo Figueira / Euronews

Inspirado na mitologia greco-romana, Calipso foi criado para "celebrar a beleza e a importância dos mares, de forma a promover a reflexão sobre a sustentabilidade e a preservação dos recursos hídricos", segundo a Câmara Municipal de Lisboa.

Campolide é um bairro heterogéneo e bastante vasto: se quiser caminhar entre a Tasquinha do Lagarto e o mural, essa é uma excelente ideia para digerir o cozido, sabendo que são uns bons 25 minutos de marcha. Entre um local e o outro, terá a experiência de passar por baixo das icónicas arcadas do Aqueduto das Águas Livres, a obra de 14 quilómetros construída no século XVIII para abastecer a cidade de água.

Em Campolide, pode passar por baixo do Aqueduto das Águas Livres
Em Campolide, pode passar por baixo do Aqueduto das Águas Livres Ricardo Figueira / Euronews

6- Dê um passeio à beira-Tejo na zona de Belém e termine a tarde com um cocktail

Quer visitar São Francisco e o Rio de Janeiro sem sair de Lisboa? Dê um passeio junto ao rio Tejo na zona de Belém e aprecie o conjunto formado pela Ponte 25 de Abril, construída em 1966 (inicialmente chamada Ponte Salazar, renomeada após a revolução que derrubou o regime ditatorial em 1974) e o Cristo Rei.

A estátua (1959) que contempla Lisboa a partir da Margem Sul tem as suas semelhanças com o Cristo Redentor do Rio de Janeiro, mas é bastante mais pequena. Já quanto à ponte, as semelhanças com a Golden Gate saltam à vista, pela cor e pelo estilo. Isso não é uma coincidência, já que ambas são obra de siderúrgicas norte-americanas rivais.

Rio Tejo, com o Cristo Rei e a Ponte 25 de Abril, visto do MAAT
Rio Tejo, com o Cristo Rei e a Ponte 25 de Abril, visto do MAAT Ricardo Figueira / Euronews

Esta é uma paisagem que pode apreciar percorrendo a zona só para peões e bicicletas que fica do outro lado da linha de comboio, junto ao rio, e se estende até ao MAAT, o Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia aberto em 2016 pela Fundação EDP, junto ao já existente Museu da Eletricidade, instalado numa antiga central elétrica. Recomendamos que visite as exposições a aprecie a arquitetura exterior de ambos os edifícios, de épocas muito diferentes, mas que se complementam.

Se quer fazer o percurso de bicicleta, há vários postos de aluguer ao longo do passeio, como o da Biclas.

Como pedalar ou andar faz sede, pode rematar o seu fim de tarde com um pequeno luxo (você merece)! Um cocktail na esplanada ou no rooftop do Sud Lisboa, um dos restaurantes mais exclusivos de Lisboa. Por 14 euros, o preço de um spritz, sente-se um verdadeiro príncipe e é, certamente, tratado como um. Pode optar entre a esplanada virada para o Tejo ou pelo rooftop com piscina (sendo que a utilização desta está reservada aos clientes que privatizam o espaço), um dos locais preferidos de Madonna durante o período em que viveu em Lisboa.

Um "spritz" na esplanada do Sud: Quer um fim de tarde melhor?
Um "spritz" na esplanada do Sud: Quer um fim de tarde melhor? Ricardo Figueira / Euronews

Se a ideia é oferecer-se um pequeno luxo, porque não, então, almoçar no espaço? A cozinha de fusão, em que Portugal e Itália são as maiores influências, tem a assinatura do chef francês Patrick Lefeuvre e vai deixá-lo a salivar. Embora entrando na categoria "luxo", o preço é relativamente acessível, se optar pelo "Riverside Executive Menu" servido ao almoço, de segunda a sexta, com opções a 40 ou a 45 euros. O carpaccio de novilho e o bacalhau confitado são de chorar por mais.

7- Fuja dos restaurantes da Baixa (com raras exceções)

A Rua Augusta é a principal rua pedonal da Baixa Pombalina, o "novo centro" de Lisboa idealizado pelo Marquês de Pombal após o devastador terramoto de 1755, ligando o Rossio à Praça do Comércio, e é praticamente impossível de evitar. Pode descê-la e subir ao topo do arco para contemplar a praça, antes de continuar o seu caminho até ao Cais das Colunas e um pequeno passeio à beira-Tejo.

No entanto, se o passeio acontecer à hora da fome, evite os muitos restaurantes com esplanadas que se encontram nesta rua.

Praça do Comércio vista do topo do Arco da Rua Augusta
Praça do Comércio vista do topo do Arco da Rua Augusta Ricardo Figueira / Euronews

Até há poucos anos, a oferta de restaurantes na Baixa era limitada. Com o boom turístico, estes começaram a nascer como cogumelos e com o único intuito de responder ao aumento da procura, sem uma verdadeira preocupação com a qualidade. Há dois critérios simples, aplicáveis em qualquer cidade, que o podem ajudar a riscar um restaurante da lista. O primeiro é exibir fotos coloridas dos pratos à entrada. O segundo é ter empregados a aliciar os passantes na rua. Preencher um dos critérios é um sério aviso para ficar de pé atrás. Preencher os dois é um sinal imediato para procurar outro sítio. Nenhum bom restaurante, seja em Lisboa ou em qualquer outra parte do mundo, precisa de empregados a chamar clientes quando a qualidade dos pratos e do serviço chega para os atrair. Pense que um restaurante "étnico" honesto será sempre uma opção melhor que um falso restaurante "típico".

O cenário repete-se na outra importante rua pedonal da Baixa, a Rua das Portas de Santo Antão, onde estão instalados vários teatros e casas de espetáculo, como o famoso Coliseu dos Recreios. Também aqui encontra dezenas de restaurantes abertos muito recentemente com o intuito de captar turistas e será frequentemente abordado por empregados que o incitam a entrar e sentar-se. Fuja deles.

Há, no entanto, algumas boas exceções nesta rua e adjacentes, incluindo restaurantes históricos que vão de opções mais caras como o Gambrinus, o Pinóquio ou o Solar dos Presuntos à mais democrática Casa do Alentejo, "embaixada" da cultura e da gastronomia do Alentejo situada no Palácio Alverca, onde além de provar as especialidades desta região, pode apreciar o belíssimo pátio árabe construído entre finais do século XIX e inícios do século XX. Além do restaurante, a Casa do Alentejo tem uma taberna onde pode provar alguns petiscos.

Pátio Árabe da Casa do Alentejo (século XIX)
Pátio Árabe da Casa do Alentejo (século XIX) Ricardo Figueira / Euronews

Um pouco mais acima, na Avenida da Liberdade, junto ao Cinema São Jorge, a Cervejaria Ribadouro tem também uma boa relação qualidade-preço para comer marisco ou, simplesmente, um prato de percebes e um prego (bife de vaca no pão).

Após seguir estes conselhos, ao arrumar as malas no fim da sua viagem, só terá uma coisa em mente: a próxima viagem a Lisboa.

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