Newsletter Boletim informativo Events Eventos Podcasts Vídeos Africanews
Loader
Encontra-nos
Publicidade

Do laboratório para o céu: grafeno português que esconde aviões e drones pode revolucionar a defesa

GTechPlasma já produz 40 miligramas por minuto de grafeno de alta qualidade
GTechPlasma já produz 40 miligramas por minuto de grafeno de alta qualidade Direitos de autor  GTechPlasma
Direitos de autor GTechPlasma
De Joana Mourão Carvalho
Publicado a
Partilhar Comentários Siga a Euronews no Google
Partilhar Close Button
Copiar/colar o link embed do vídeo: Copy to clipboard Link copiado!

Portugal pode estar a dar um passo decisivo na corrida global à tecnologia stealth, com o desenvolvimento de um material inovador à base de grafeno para absorção de radar, capaz de tornar drones e aeronaves militares praticamente indetectáveis.

Portugal está a desenvolver um material à base de grafeno capaz de reduzir significativamente a visibilidade de drones e aeronaves militares aos radares, uma inovação que pode posicionar a Europa na corrida pela tecnologia stealth.

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

O projeto é liderado pela GTechPlasma, uma spin-off do Instituto de Plasmas e Fusão Nuclear do Instituto Superior Técnico, em Lisboa, que criou um sistema baseado em plasma para produzir materiais personalizados à base de grafeno de alta qualidade.

"Neste momento, estamos muito focados no desenvolvimento de coberturas para absorção de radar e de radiação eletromagnética", explica Bruno Soares Gonçalves, co-fundador da GTechPlasma, em entrevista à Euronews.

O material foi desenvolvido para absorver radiação eletromagnética, incluindo ondas de radar, uma característica essencial para aplicações stealth.

"As aplicações mais óbvias neste momento são no ramo da defesa, mas existem muitas outras aplicações onde este tipo de material tem potencial para blindagem electromagnética, para reduzir radiação. E, por isso, achamos que temos um material extremamente interessante ao nível dos coatings para absorção de radar", considera o investigador do Instituto Superior Técnico, sublinhando que soluções semelhantes são raras e fortemente controladas a nível internacional.

"Atualmente, não existe na Europa nenhuma outra solução e mesmo no mundo existe nos Estados Unidos. Mas o material que, por exemplo, cobre os F-35, é um material que não pode ser exportado. Por isso, temos um material 'made in' Portugal e com elevado potencial de aplicação", refere Bruno Soares Gonçalves.

O grafeno é uma folha de átomos de carbono com apenas um átomo de espessura, produzida neste caso a partir de precursores como o álcool etílico ou o metano, através de tecnologia de plasma.

GTechPlasma produz grafeno usando uma tecnologia de plasma inovadora
GTechPlasma produz grafeno usando uma tecnologia de plasma inovadora GTechPlasma

A equipa diz conseguir, usando uma tecnologia de plasma inovadora, controlar o material ao nível atómico, o que permite ajustar as suas propriedades para diferentes aplicações.

Para além da absorção de radar, a tecnologia poderá ser utilizada no armazenamento de hidrogénio ou na separação de terras raras e urânio, segundo o investigador.

"Existem múltiplas outras aplicações onde o grafeno e os seus derivados podem ser usados, mas para isso é preciso controlar todo o processo a nível atómico. E é isso que nós conseguimos fazer com o nosso dispositivo que é patenteado nos Estados Unidos, Japão e Europa", detalha o também presidente do Instituto de Plasmas e Fusão Nuclear.

Uma das aplicações mais relevantes é na aviação militar, de forma a tornar uma aeronave invisível ao radar. "As nossas estimativas, para aquilo que é o nosso material, é que um F-16 passe a ter a assinatura de um pássaro. Isso é reduzir imenso a assinatura do radar para tornar o avião invisível e muito mais difícil detetar."

A redução da assinatura de radar pode representar uma vantagem estratégica significativa num cenário de guerra.

"Isto torna-se importante porque o avião não é visualizado ou é visualizado tarde demais e, por isso, é uma vantagem do ponto de vista militar, conseguir ser detetado o mais tarde possível pelo radar, durante as missões militares", explica Bruno Soares Gonçalves à Euronews.

GTechPlasma tem em vista o desenvolvimento de revestimentos ou tintas que possam ser aplicadas diretamente em drones
GTechPlasma tem em vista o desenvolvimento de revestimentos ou tintas que possam ser aplicadas diretamente em drones GTechPlasma

A tecnologia está a dar passos rumo à industrialização, com os dispositivos da GTechPlasma a produzirem já 40 miligramas por minuto de grafeno de alta qualidade. Mas a empresa pretende aumentar a sua capacidade e já tem um parceiro industrial para escalar a produção.

A empresa Plasmaphene, que recebeu fundos do Compete 2030, e está instalada em Vila Viçosa, vai industrializar a máquina para produção de grafeno de alta qualidade.

"O nosso objetivo em piso de fábrica é ter múltiplos dispositivos, não só pela redundância que isso traz, como pela possibilidade de produzir múltiplos materiais em simultâneo em diferentes dispositivos. Porque, na realidade, a nossa máquina é um dispositivo para múltiplos materiais. Nós conseguimos mudar a receita e ter diferentes materiais", detalha o investigador do Técnico.

A empresa tem também em vista alargar as parcerias com empresas da área da defesa, tendo já fornecido 260 gramas deste material para para absorção de radar a um fabricante de drones português.

Atualmente, o material é produzido sob a forma de um pó preto muito leve, mas o objetivo é desenvolver soluções prontas a aplicar, mais próximas do utilizador final. Isso inclui o desenvolvimento de revestimentos ou tintas que possam ser aplicadas diretamente em superfícies como drones.

"O objetivo é fornecer soluções o mais próximo possível da solução que o cliente possa aplicar. Em vez de fornecer apenas um pó em que o cliente tem que descobrir como integrar", justifica o responsável da GTechPlasma.

A inovação poderá colocar Portugal na linha da frente das tecnologias stealth baseadas em grafeno, com potencial de aplicação muito além da área da defesa.

Ir para os atalhos de acessibilidade
Partilhar Comentários Siga a Euronews no Google

Notícias relacionadas

Missão da NATO recebe drones portugueses ainda este mês

Da inteligência artificial ao campo de batalha: os drones portugueses na Ucrânia

"Revolucionário": Portugal será o primeiro país da UE a ter um porta-drones