Newsletter Boletim informativo Events Eventos Podcasts Vídeos Africanews
Loader
Encontra-nos
Publicidade

Cancros: detetados vírus oncogénicos em águas residuais, possível avanço na prevenção

Centro de Investigação do Cancro da Universidade de Hampton - arquivo
Centro de Investigação do Cancro da Universidade de Hampton - arquivo Direitos de autor  AP Photo
Direitos de autor AP Photo
De Stefania De Michele
Publicado a Últimas notícias
Partilhar Comentários
Partilhar Close Button

Estudo deteta em águas residuais todos os principais vírus oncogénicos humanos e abre novas vias para monitorizar a saúde pública

Pela primeira vez, investigadores conseguiram identificar e monitorizar em simultâneo nas águas residuais todos os principais vírus associados aodesenvolvimento de tumores. Uma descoberta che pode abrir novas perspetivas para a prevenção, a vigilância em saúde e o acompanhamento das infeções oncogénicas nas populações.

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

O estudo, coordenado por Anthony Maresso e Justin Clark, do Baylor College of Medicine, e publicado na revista Applied and Environmental Microbiology, foi realizado em colaboração com o University of Texas Health Science Center at Houston.

Os investigadores analisaram amostras de águas residuais recolhidas entre maio de 2022 e maio de 2025 em mais de 40 locais distribuídos por 16 cidades do Texas, cobrindo cerca de um quarto da população do Estado. Para a análise foi utilizada uma tecnologia avançada de sequenciação genética, designada “hybrid-capture”, capaz de identificar em simultâneo mais de 3.000 vírus humanos conhecidos e novas mutações potenciais através de um único teste.

Segundo os autores do estudo, os vírus oncogénicos serão responsáveis por cerca de um em cada cinco casos de cancro no mundo. Entre os mais conhecidos estão o papilomavírus humano (HPV), associado aos tumores do colo do útero e da garganta, e os vírus da hepatite B e C, ligados ao carcinoma hepático.

“Os vírus oncogénicos podem provocar cerca de um em cada cinco casos de cancro a nível global”, explicou Anthony Maresso, professor de virologia molecular e microbiologia. “Como estas infeções muitas vezes permanecem assintomáticas durante anos ou décadas, muitas pessoas não sabem que estão infetadas até ao desenvolvimento do tumor. Isso torna muito difícil implementar intervenções precoces de prevenção”.

A análise das águas residuais detetou todos os principais vírus oncogénicos conhecidos, incluindo HPV, vírus da hepatite B e C, poliomavírus associados ao cancro, vírus de Epstein-Barr e herpesvírus associado ao sarcoma de Kaposi.

Os investigadores observaram ainda um aumento significativo da presença de vários vírus oncogénicos ao longo dos três anos de monitorização. Em particular, o HPV, o vírus de Epstein-Barr e alguns poliomavírus registaram subidas acentuadas depois de 2024.

Segundo os investigadores, as causas deste aumento ainda não são claras, mas podem estar ligadas à retoma das viagens, ao aumento dos contactos interpessoais e ao fim das medidas de distanciamento introduzidas durante a pandemia de Covid-19.

Atenção especial foi dedicada ao papilomavírus humano. “Existem centenas de tipos de HPV, mas apenas alguns são considerados de alto risco oncológico”, explicou Justin Clark. “HPV-16 e HPV-18 causam em conjunto mais de 70% dos tumores do colo do útero no mundo”.

O estudo mostrou que as variantes de HPV de baixo risco eram mais disseminadas, mas também as de alto risco registaram um crescimento significativo entre o final de 2024 e o início de 2025. O HPV-16 revelou-se consistentemente mais frequente do que o HPV-18, em linha com o observado em anteriores estudos clínicos internacionais.

Outro dado importante diz respeito à vacina Gardasil 9: nas águas residuais foram identificados os nove tipos de HPV alvo da vacinação. Segundo os autores, isso poderá permitir no futuro utilizar a monitorização ambiental também para avaliar a eficácia das campanhas de vacinação na população real.

“O nosso estudo mostra que os vírus associados aos tumores podem ser monitorizados através das águas residuais”, concluiu Maresso. “Isso abre novas possibilidades para compreender melhor a relação entre estes vírus e a população humana e para desenvolver estratégias de saúde pública mais eficazes”.

Ir para os atalhos de acessibilidade
Partilhar Comentários

Notícias relacionadas

Hantavírus: estará a Europa preparada para novas ameaças à saúde?

Estados Unidos: médico que ajudou doentes em navio com hantavírus deixa isolamento

Cancros: detetados vírus oncogénicos em águas residuais, possível avanço na prevenção