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Arménia: atores pró-Kremlin lançam campanha maciça de desinformação eleitoral

António Costa, presidente do Conselho Europeu, o primeiro-ministro arménio Nikol Pashinyan e Ursula von der Leyen (AP Photo/Anthony Pizzoferrato)
António Costa, presidente do Conselho Europeu, primeiro-ministro arménio Nikol Pashinyan e Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia (AP/Anthony Pizzoferrato) Direitos de autor  AP Photo
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De Tamsin Paternoster & Noa Schumann
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A Arménia é alvo, há vários meses, de uma vasta campanha de desinformação russa antes das legislativas de início de junho, considerada por investigadores uma das mais amplas dos últimos anos.

Uma campanha de desinformação pró-Kremlin em grande escala tem como alvo a Arménia antes das eleições parlamentares de 7 de junho, segundo investigadores.

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No total, 343 vídeos falsos foram publicados até ao início de maio, levando analistas a descrever a operação como uma das mais extensas dos últimos anos, apenas atrás da campanha observada durante as eleições de 2025 na Moldova.

De acordo com os investigadores, a campanha começou no início de março e insere-se na "Matryoshka", uma operação de desinformação pró-Kremlin que recorre cada vez mais à inteligência artificial.

Entre os vídeos fabricados, uma narrativa central afirma que uma vitória do primeiro-ministro Nikol Pashinyan, cuja campanha aposta numa orientação pró-europeia, poderia desencadear uma guerra entre a Arménia e a Rússia.

O coletivo Antibot4Navalny, que estuda redes de bots, afirmou ter identificado mais de uma dúzia de vídeos falsos com Pashinyan e o presidente francês Emmanuel Macron, que repetem a alegação falsa de que os dois líderes concluíram um "acordo secreto": apoio francês nas eleições em troca de a Arménia lançar uma guerra contra a Rússia após uma vitória.

Relatos falsos difundidos pela rede russa de desinformação
Relatos falsos difundidos pela rede russa de desinformação The Cube, Euronews

A 11 de maio, um vídeo afirmava falsamente que o porta-voz de Pashinyan tinha confirmado a presença de instrutores da NATO na Arménia e que, após as eleições parlamentares, iria "provocar um conflito militar com a Rússia".

No entanto, os relatos fabricados não são a única ferramenta usada nesta campanha de desinformação. Os investigadores referem que bots estão também a disseminar afirmações falsas em plataformas de redes sociais como o X, numa aparente tentativa de enfraquecer Pashinyan.

Não há qualquer prova que sustente estas acusações. Importa ainda notar que, embora algumas dessas publicações tenham alcançado dezenas de milhares de visualizações, os investigadores dizem que estes números foram inflacionados artificialmente.

Objetivo da campanha

A campanha eleitoral decorre num contexto de cooperação crescente entre a UE e a Arménia, evidenciada pela primeira cimeira UE-Arménia, realizada no país no início de maio.

Na cimeira participaram várias figuras europeias de topo, entre as quais a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, o presidente do Conselho Europeu, António Costa, e o presidente francês, Emmanuel Macron.

O encontro ficou marcado pelo compromisso, de ambas as partes, em reforçar as relações bilaterais.

"A cimeira UE-Arménia de hoje envia um sinal claro do firme compromisso da UE em aprofundar as nossas relações com a Arménia e em reforçar a cooperação em muitas novas áreas, aproximando a Arménia e o seu povo da União Europeia", afirmou Costa.

Durante a cimeira, Pashinyan afirmou que a Arménia está a entrar "num novo período de paz, de consolidação do regime democrático, o que realmente cria um bom ambiente para o desenvolvimento das nossas relações bilaterais".

Presidente do Conselho Europeu, António Costa (à esquerda), e primeiro-ministro da Arménia, Nikol Pashinyan (AP Photo/Anthony Pizzoferrato)
Presidente do Conselho Europeu, António Costa (à esquerda), e primeiro-ministro da Arménia, Nikol Pashinyan (AP Photo/Anthony Pizzoferrato) AP Photo

Dois meses após o início da campanha, e poucos dias depois da cimeira, o presidente russo, Vladimir Putin, estabeleceu um paralelismo entre a Arménia e a Ucrânia durante uma conferência de imprensa em Moscovo no Dia da Vitória, advertindo que a Arménia poderia enfrentar consequências semelhantes se prosseguisse uma integração mais estreita com a UE.

"Estamos todos a sentir atualmente as consequências da situação na Ucrânia. Como começou tudo? Com a adesão da Ucrânia, ou melhor, a tentativa de adesão, à UE. Esse foi o primeiro passo, o primeiro de todos", disse Putin.

Acrescentou que os desenvolvimentos posteriores, incluindo agitação política e conflito, decorreram desse passo inicial, que qualificou como "um problema grave".

Em 26 de março de 2025, o parlamento arménio votou, por larga maioria, o lançamento de um processo de adesão à UE, numa iniciativa apoiada pelo partido Contrato Civil, de Pashinyan.

Presidente russo, Vladimir Putin, participa numa reunião sobre questões económicas no Kremlin, em Moscovo (Mikhail Metzel, Sputnik, Kremlin Pool Photo via AP)
Presidente russo, Vladimir Putin, participa numa reunião sobre questões económicas no Kremlin, em Moscovo (Mikhail Metzel, Sputnik, Kremlin Pool Photo via AP) AP Photo

Moscovo tem, no entanto, acusado repetidamente atores ocidentais de ingerência. Já em janeiro, a Rússia alegava que a UE encorajava o governo arménio a viciar as eleições parlamentares.

A 20 de janeiro, o ministro russo dos Negócios Estrangeiros, Sergey Lavrov, afirmou que o apoio financeiro prometido pela chefe da diplomacia da UE, Kaja Kallas, à Arménia equivalia a uma "sincera" confissão e a um "reconhecimento de culpa".

Essas afirmações ecoam acusações feitas durante as recentes eleições na Moldova, que acabaram por ser vencidas por forças pró-europeias.

Matryoshka e Storm 1516

A par da campanha Matryoshka dirigida às eleições, outra campanha de desinformação pró-Kremlin, conhecida como Storm-1516, está também a difundir narrativas falsas sobre Pashinyan nas redes sociais, segundo investigadores do Media Forensics da Universidade de Clemson, sediada na Carolina do Sul.

O serviço de informações externas da Alemanha, o BND, e a agência francesa Viginum, organismo governamental que monitoriza campanhas de desinformação, descrevem a Storm-1516 como uma rede russa de manipulação de informação que recorre a campanhas de desinformação coordenadas com o objetivo de desestabilizar instituições democráticas.

Segundo a investigação de Clemson, a campanha está ativa desde janeiro e difundiu falsas alegações sobre as promessas eleitorais de Pashinyan, além de acusações de que Pashinyan terá usado 11 milhões de dólares (9,5 milhões de euros) em fundos da União Económica Eurasiática (UEE), destinados à digitalização, para financiar de forma encoberta a sua campanha.

De acordo com Ella Murray, analista de influência digital em Clemson, os métodos da Storm-1516 na campanha arménia mostram que a operação está a evoluir.

"Em particular, alargaram a sua rede de influenciadores e de bots de marketing falsos", afirmou. "Além disso, começaram a usar contas que se fazem passar por locais e específicas de cada país."

"As campanhas russas têm como alvo a Arménia pelas mesmas razões que levaram à interferência nas eleições na Moldávia e na Hungria", prosseguiu Murray. "Querem desacreditar candidatos pró-ocidentais e reafirmar a influência regional."

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