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Mediterrâneo: turismo combina ‘blue mind’ e cultura local para atrair regressos

Muda a forma como visitamos destinos mediterrânicos como Samos, na Grécia
Muda a forma como visitamos destinos mediterrânicos como Samos, na Grécia Direitos de autor  Makis Hristaras/Unsplash
Direitos de autor Makis Hristaras/Unsplash
De Dianne Apen-Sadler
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À medida que as férias de pacote em resorts de praia caem em desuso, os viajantes procuram experiências mais significativas, sem deixar de privilegiar sol e mar

O Mediterrâneo há muito que está entre as principais regiões turísticas da Europa, mas, segundo um novo relatório de tendências, os destinos que escolhemos e a forma como nos relacionamos com eles estão a mudar.

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Elaborado pela MGallery Hotel Collection e pela agência de previsão de tendências de viagem Globetrender, o MGallery Trends 2026: The Mediterranean Briefing (fonte em inglês) analisa de que forma os viajantes procuram hoje interações mais profundas e significativas com as culturas locais, mesmo quando o sol e o mar continuam a ser prioridades na escolha do país.

“O Mediterrâneo está num ponto de viragem”, afirmou Jenny Southan, fundadora e diretora‑executiva da Globetrender. “A procura está a atingir níveis recorde, mas, ao mesmo tempo, os viajantes estão a tornar‑se mais seletivos quanto à forma como o vivem.

“Multiplica‑se a preferência por locais com um ritmo mais calmo, mais autênticos e menos expostos ao turismo de massas, o que está a obrigar o setor a repensar a forma como oferece valor numa região tão consolidada.”

Viajar para um país, não para o Mediterrâneo em bloco

As clássicas férias de “fly-and-flop” – apanhar o avião e deitar-se na praia – têm vindo a perder popularidade há vários anos, à medida que as pessoas procuram regressar das férias com mais do que um bronzeado e algumas fotografias bonitas para o Instagram.

Se antes quem ia de férias escolhia sobretudo em função da proximidade à praia e das médias de temperatura, agora procura envolver‑se com a cultura local – seja através da iso‑polifonia, um tipo de canto tradicional na Albânia, seja explorando as tradições de construção naval de Samos, na Grécia.

Como lembra o relatório, a região mediterrânica abrange 22 Estados costeiros e territórios e, embora o mar os una, não são todos iguais – e, em 2026, “os viajantes procuram ativamente essas diferenças”.

Experiências de “blue mind” para tempos de stress

O biólogo marinho Wallace J. Nichols popularizou o termo “blue mind” para descrever o estado de leve meditação em que as pessoas entram quando estão perto da água, e não há melhor sítio para o abraçar do que o calmo Mediterrâneo, de águas propícias ao banho.

A Globetrender considera que os turistas estão a incluir “experiências de blue mind” nos seus roteiros, através de alugueres privados de barcos e de hotéis que colocam a água no centro da sua conceção.

A razão para esta tendência em crescimento? Níveis de stress cada vez mais elevados e o aumento dos casos de esgotamento.

Regressar vezes sem conta

Muitas pessoas regressam ao mesmo país, à mesma cidade ou até ao mesmo hotel, ano após ano.

Sabem de antemão o que esperar da viagem, desde o clima e o tempo de deslocação até à rotina do dia a dia.

Mas, segundo a Globetrender, este comportamento está a tornar‑se “mais sofisticado”, com os viajantes a construírem uma “relação mais profunda” com o lugar.

Batizado de “efeito regresso” (The Comeback Effect), o relatório nota que os visitantes habituais começam a procurar locais frequentados por residentes, praias fora dos principais circuitos turísticos e, em geral, pontos menos evidentes nos roteiros.

“O Mediterrâneo há muito que inspira visitas repetidas, mas a familiaridade está agora a gerar curiosidade em vez de comodismo”, afirma a Globetrender.

“Quem regressa procura nuances: a época mais calma, a praia escondida, o produtor local, o restaurante de bairro que vive à margem do roteiro turístico.”

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