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Arábia Saudita: assim são as suas Maldivas

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Shura Direitos de autor  Red Sea Global
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De David Del Valle
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Arábia Saudita desenvolve no mar Vermelho um destino de luxo que combina ilhas virgens, recifes de coral, deserto e montanhas para atrair turistas internacionais de topo

Quando se pensa num destino de luxo à beira-mar, a imagem remete quase sempre para as Maldivas: águas turquesa, praias de areia branca e villas sobre o oceano. A Arábia Saudita quer tirar partido desse imaginário, mas ir muito mais longe.

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Na costa ocidental do reino está a ganhar forma um dos projetos turísticos mais ambiciosos do mundo: The Red Sea, um gigantesco desenvolvimento de ultraluxo que pretende tornar-se uma nova referência internacional.

Com uma extensão de 28 000 quilómetros quadrados, o destino integra um arquipélago com mais de 90 ilhas virgens. Ainda assim, só será permitido construir em 22, para preservar o ecossistema natural e reforçar o carácter exclusivo do projeto. "Estamos empenhados na conservação e proteção do meio natural", explica à Euronews Stephen Cheesebrough, diretor de Desenvolvimento da Red Sea Global.

Villas na ilha Ummahat Nujuma
Villas na ilha Ummahat Nujuma Red Sea Global

Muito mais do que as Maldivas

As inevitáveis comparações com as Maldivas são constantes, embora Cheesebrough considere que o projeto saudita oferece uma proposta difícil de encontrar noutro lugar. "É verdade que as ilhas podem fazer lembrar as Maldivas pela transparência da água e pelas praias de areia branca. Mas aí terminam as semelhanças", garante.

"Temos uma paisagem muito mais diversa. Para além das ilhas, contamos com montanhas, vulcões, desertos e quilómetros de costa praticamente virgem. Um visitante pode passar a manhã a fazer mergulho entre recifes de coral e, nessa mesma tarde, ir até ao deserto ou jantar na montanha. Muito poucos destinos no mundo oferecem tanta variedade de experiências num espaço tão reduzido", sublinha.

Esse contraste entre mar, montanha e deserto é precisamente um dos principais argumentos com que a Arábia Saudita procura distinguir-se de outros destinos de luxo no Índico ou no Caribe.

Com 1 800 quilómetros de costa virgem, recifes praticamente intactos e alguns dos ecossistemas marinhos mais importantes do planeta, o Mar Vermelho saudita procura atrair viajantes que já conhecem os grandes destinos exclusivos e procuram algo diferente.

AMAALA Nammos Marina
AMAALA Nammos Marina Red Sea Global

Turismo regenerativo

O projeto não aposta apenas no luxo, mas também no chamado turismo regenerativo, que vai um passo além da sustentabilidade tradicional. "Hoje já não basta proteger o meio natural; o verdadeiro desafio é melhorá-lo", afirma Cheesebrough.

"O nosso objetivo é demonstrar que é possível construir um grande destino turístico e, ao mesmo tempo, melhorar o ambiente. Não se trata apenas de erguer hotéis sustentáveis, mas de criar destinos que contribuam ativamente para recuperar a natureza".

Todo o complexo funciona com energias renováveis, reutiliza toda a água através de sistemas de reciclagem e pretende evitar o envio de resíduos para aterros, uma abordagem que também responde a uma mudança nas preferências dos viajantes de luxo.

"Após a pandemia, as pessoas estão muito mais conscientes do impacto das suas viagens. Querem viver experiências extraordinárias, mas também querem saber que estão a visitar lugares comprometidos com o planeta", sublinha.

Porta de entrada no país

Atualmente, o destino dispõe de 11 hotéis em funcionamento e outros complexos vão abrir nos próximos meses, sobretudo na Shura Island, concebida como o coração do projeto. Aí vão concentrar-se hotéis internacionais, restaurantes, lojas, uma marina e um campo de golfe de 18 buracos de nível internacional.

Para além do alojamento, o empreendimento integra experiências de aventura como mergulho, navegação, caminhadas, desportos náuticos e o novo distrito ADRENA, que reúne mais de 20 atividades, incluindo a maior piscina de surf de água salgada do país.

Mas a Red Sea Global não quer que os visitantes fiquem apenas nos seus complexos hoteleiros. "Muitos hóspedes utilizam The Red Sea como ponto de partida para descobrir outros locais da Arábia Saudita. Depois visitam AlUla, Jidá ou outros destinos do país. Queremos que The Red Sea seja uma porta de entrada para conhecer a Arábia Saudita no seu conjunto", realça o diretor de Desenvolvimento.

Laheq Island Ring ao anoitecer
Laheq Island Ring ao anoitecer Red Sea Global

Destino para todo o ano

Um dos desafios passa por contrariar a ideia de que a Arábia Saudita só pode ser visitada no inverno. O objetivo é operar durante os 12 meses do ano. "Não queremos ser um destino sazonal. O essencial é atrair viajantes que procurem experiências excecionais. Pessoas interessadas no luxo, sim, mas também na natureza, no mar, nas atividades ao ar livre e na autenticidade".

O Aeroporto Internacional do Mar Vermelho, que liga atualmente a cidades como Riade, Jidá, Dubai, Doha e Milão, recebeu desde o início de 2026 mais de 78 000 passageiros, incluindo mais de 11 000 viajantes internacionais, além de perto de 2 000 movimentos de aeronaves.

A conetividade continuará a aumentar à medida que novos hotéis entrarem em funcionamento. "Estamos a manter conversações com várias companhias aéreas europeias e o nosso objetivo é ampliar gradualmente a rede internacional. Não faria sentido desenvolver um destino com estas características sem garantir que os viajantes podem chegar facilmente", explica.

O projeto prevê também uma importante componente residencial. Até 2030, The Red Sea ambiciona reunir 50 hotéis, cerca de 8 000 quartos e mais de 1 000 residências, com capacidade para receber cerca de um milhão de visitantes por ano.

"O mundo está sempre à procura de novos destinos. E acredito sinceramente que é isso que representa The Red Sea. Não é apenas mais um complexo turístico de luxo. É um lugar completamente novo, onde se combinam natureza, sustentabilidade, hospitalidade e experiências únicas. Creio que quem o visitar o irá perceber desde o primeiro momento", conclui.

Se o projeto corresponder às expetativas, a Arábia Saudita não terá apenas aberto um novo destino ao mundo. Terá também demonstrado que o turismo de alta gama pode tornar-se um aliado da conservação de um dos ecossistemas mais extraordinários do planeta.

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