Estudo do Idealista identifica as ruas onde é mais caro comprar casa em Portugal. A artéria mais cara do país custa cerca de 14 vezes mais do que a via mais cara de Viseu. Lisboa fica de fora do top 10, mas concentra a maior fatia da oferta nacional de casas acima de um milhão de euros.
Comprar casa na rua mais cara de Portugal custa, em termos medianos, 4,35 milhões de euros. A Rua das Faias, em Cascais, lidera o ranking das moradas mais exclusivas do país, segundo uma análise pelo portal imobiliário Idealista divulgada esta semana.
O mercado imobiliário de luxo concentra-se sobretudo no eixo Cascais-Estoril. Três das cinco ruas mais caras de Portugal estão localizadas nesta zona, que domina o topo da tabela.
A Rua das Faias é seguida de perto pela Rua das Violetas, também em Cascais, onde o preço mediano pedido pelos proprietários chega aos 4,3 milhões de euros. O terceiro lugar pertence à Urbanização Vale do Lobo, em Almancil, com um preço mediano de 4,25 milhões de euros.
Na quarta posição surge novamente Cascais, com a Rua das Papoilas, onde comprar uma casa custa, em termos medianos, 4 milhões de euros. Segue-se a Urbanização Fonte Algarve, em Almancil, com 3,995 milhões de euros.
Sintra também marca presença entre as zonas mais exclusivas do país. Na Rua Soto Maior, o preço mediano das habitações ronda os 3,9 milhões de euros, garantindo a sexta posição do ranking.
O Porto entra na lista em sétimo lugar, com a Rua do Ouro, onde o preço mediano atinge 3,69 milhões de euros. Já em Lagos, a Urbanização Quinta do Monte apresenta valores na ordem dos 3,25 milhões de euros.
A lista fica completa com a Rua do Pinheiro Manso, na Quinta do Conde, distrito de Setúbal, com 2,75 milhões de euros, e a Avenida Sabóia, no Estoril, com um preço mediano de 2,4 milhões.
Madeira lidera entre as regiões fora do top dez
A análise do Idealista identificou ainda a rua mais cara de cada distrito e ilha onde existiam dados suficientes para realizar o estudo.
Na Madeira, a Rua João Paulo II, em São Martinho, apresenta o valor mediano mais elevado, de 1,5 milhões de euros. Em Leiria, a liderança pertence à Rua dos Mártires, com 842.500 euros, enquanto em Viana do Castelo a Rua Doutor Adriano Magalhães chega aos 670 mil euros.
Em Aveiro, a rua mais cara é a Rua António da Rocha Madail, com um preço mediano de 493.500 euros. Coimbra surge com a Rua Princesa Cindazunda, nos 435 mil euros, e Braga com a Rua Bernardino da Silva, nos 374.400 euros.
Já em Santarém, a Rua 1.º de Dezembro apresenta um preço mediano de 330 mil euros. No distrito de Viseu, a Rua Miguel Bombarda fecha a análise, com 300 mil euros.
A diferença entre os extremos do mercado é expressiva: comprar uma casa na Rua das Faias, em Cascais, custa cerca de 14 vezes mais do que na Rua Miguel Bombarda, em Viseu, considerando os preços medianos apresentados pelo Idealista.
O portal imobiliário esclarece que estes valores refletem os preços pedidos pelos proprietários e não necessariamente os preços finais pelos quais os imóveis são efetivamente transacionados.
Porque é que Lisboa fica de fora?
A ausência de Lisboa no top 10 não significa que a capital não tenha habitação de luxo. Segundo o Idealista, a explicação está sobretudo na maior concentração proporcional deste tipo de imóveis nos municípios vizinhos, como Cascais e Sintra, e em zonas como o Estoril, bem como no Algarve, onde as casas de grande luxo se concentram frequentemente em urbanizações de "alto standing".
A própria metodologia do estudo também condiciona os resultados, uma vez que apenas são consideradas ruas com um mínimo de 10 anúncios.
No mercado de luxo, a procura e a venda fazem-se igualmente através de plataformas online, embora este segmento tenha ritmos e características mais personalizados e seja frequentemente intermediado por profissionais imobiliários, explica o Idealista à Euronews.
Portugal tem mais de 19.000 casas anunciadas com preço acima de um milhão de euros
O mercado de habitação de luxo em Portugal vai muito além das ruas que lideram o ranking. A 1 de agosto, estavam anunciadas no Idealista mais de 19 mil casas com preços superiores a um milhão de euros. Quase todos os distritos do continente e as ilhas tinham pelo menos um imóvel neste segmento, embora a oferta esteja longe de ser distribuída de forma uniforme pelo território.
Lisboa, Faro e Porto concentram cerca de 80% da oferta nacional de casas acima de um milhão de euros. Lisboa lidera destacadamente, com 40,6% do total de imóveis de luxo anunciados. Segue-se Faro, com 26,5%, e o Porto, com 12,9%. Setúbal representa 7,5% e a Madeira 5,8%.
Leiria e Braga ocupam as posições seguintes, com 1,5% da oferta nacional cada. Abaixo de 1% surgem Aveiro (0,9%), Santarém (0,6%), Viana do Castelo (0,5%), São Miguel (0,4%), Coimbra (0,3%), Évora e Beja (0,2% cada), e Viseu, Vila Real, Castelo Branco e Portalegre (0,1% cada).
No extremo oposto estão Bragança e Guarda, com apenas três e cinco casas, respetivamente, anunciadas acima de um milhão de euros à data da análise. O número reduzido de imóveis faz com que a sua expressão no mercado nacional seja praticamente residual.
Onde se situam as casas de luxo que custam mais de 3 milhões de euros?
Quando o valor sobe para mais de três milhões de euros, a oferta torna-se ainda mais exclusiva e geograficamente concentrada. No início de agosto, estavam anunciadas no Idealista mais de 3.200 propriedades acima deste patamar.
Lisboa concentrava quase metade desta oferta, com 1.538 anúncios, equivalentes a 47,1% do total. Faro surgia em segundo lugar, com 1.095 imóveis (33,6%), enquanto Setúbal reunia 309 propriedades (9,5%). O Porto, com 149 anúncios, representava 4,6% do mercado, e a Madeira contava com 90 imóveis, correspondentes a 2,8%.
A distribuição evidencia assim uma diferença importante entre o mercado de luxo e o segmento do ultraluxo. Embora Lisboa não tenha nenhuma rua no top 10 das mais caras do país, o distrito é, de longe, aquele que concentra mais casas anunciadas acima de três milhões de euros.
A oferta neste segmento deixa, contudo, de existir em várias regiões. A 1 de agosto, não havia no Idealista casas anunciadas por mais de três milhões de euros em Vila Real, Castelo Branco ou Bragança, nem em várias das ilhas portuguesas.