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Brasil: Território estigmatizado: porque razão turistas trocam atrações de luxo do Rio por favelas

Turistas visitam a favela da Rocinha, numa altura em que o Rio de Janeiro registou um número recorde de turistas internacionais em 2025, terça-feira, 27 de janeiro de 2026.
Turistas visitam a favela da Rocinha, num ano em que o Rio de Janeiro registou um recorde de turistas estrangeiros em 2025, terça-feira, 27 de janeiro de 2026. Direitos de autor  Copyright 2026 The Associated Press. All rights reserved
Direitos de autor Copyright 2026 The Associated Press. All rights reserved
De LUCAS DUMPHREYS AND ELÉONORE HUGHES com AP
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"Territórios muitas vezes estigmatizados" do Rio de Janeiro vivem boom do turismo, que canaliza receitas para comunidades de baixos rendimentos

À medida que números recorde de turistas afluem ao Rio de Janeiro, muitos procuram ir além dos ícones da cidade e optam por visitas guiadas às favelas para conhecer melhor territórios muitas vezes estigmatizados, mas também polos de cultura e arte urbana.

A chegada de visitantes curiosos levou moradores destas comunidades de baixos rendimentos a apostar no turismo para gerar rendimento, entre eles o guia local Vitor Oliveira.

Antigo mototaxista na Rocinha — a favela mais populosa do Rio —, Oliveira diz que começou a fazer visitas guiadas depois de notar o aumento de visitantes internacionais. O turismo é hoje a sua principal fonte de rendimento.

Turismo em alta no Rio de Janeiro

Em 2025, o Rio recebeu 12,5 milhões de turistas, incluindo 2,1 milhões de visitantes internacionais, segundo a Câmara Municipal do Rio de Janeiro. O número de turistas internacionais aumentou 44,8 por cento face a 2024, gerando 7,8 mil milhões de reais (cerca de 1,26 mil milhões de euros) para a economia do Rio.

Num dia útil movimentado no fim de janeiro, a Rocinha fervilhava com turistas do Chile e de França. Entre a multidão, Oliveira guiou o paraguaio Oscar Jara e o sobrinho, José Martínez, pelas ruas estreitas da favela.

“Vir ao Rio e visitar apenas a praia de Copacabana, o Cristo Redentor e o Pão de Açúcar não é realmente visitar o Rio. É visitar o lado chique e caro do Rio”, diz Oliveira. “Mas a alma do Rio vem das favelas.”

A Rocinha estende-se por uma encosta com vista para muitos dos principais pontos de referência do Rio. Oliveira costuma começar a visita pelos miradouros e, depois, leva os turistas a espaços culturais, como apresentações de capoeira e galerias de artistas. Os clientes podem até escolher terminar com um churrasco brasileiro na varanda de sua casa.

Turistas procuram experiências autênticas

Os visitantes procuram cada vez mais experiências autênticas sobre o que significa ser do Rio, afirma Caroline Martins de Melo Bottino, professora do Departamento de Turismo da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. “As pessoas entendem que as favelas do Rio respondem muito bem a estas expectativas.”

Com a chegada de mais visitantes, abriram bares com varandas e casas com terraços abertos para os turistas tirarem selfies, havendo até quem ofereça captações panorâmicas com drones.

Um guia turístico fotografa turistas num miradouro da favela da Rocinha, numa altura em que o Rio de Janeiro registou um número recorde de turistas internacionais em 2025, terça-feira, 27 de janeiro.
Um guia turístico fotografa turistas num miradouro da favela da Rocinha, numa altura em que o Rio de Janeiro registou um número recorde de turistas internacionais em 2025, terça-feira, 27 de janeiro. Copyright 2026 The Associated Press. All rights reserved

Alguns destes vídeos, feitos por influenciadores, tornaram-se virais nas redes sociais e ajudam a explicar o crescimento de visitantes.

Oliveira diz que foi procurado por centenas de turistas depois de surgir num vídeo de um espanhol no YouTube que somou milhares de visualizações.

Visitar o Rio sem medo

Jara, o turista paraguaio, observa que alguns desses vídeos virais dão confiança às pessoas para visitarem sem medo. Ele próprio procurou Oliveira depois de ver um desses vídeos.

“É um turismo muito autêntico... não maquilhado para turistas, não encenado para mostrar algo superficial”, diz Jara.

Jara está longe de ser o único a sucumbir ao encanto da Rocinha. A estrela global Rosalía passou os últimos dias de 2025 no Rio e a estadia incluiu uma ida à Rocinha, onde imagens mostram a cantora a aprender o célebre passinho.

Cosme Felippsen, guia turístico que trabalha na sua favela, o Morro da Providência, e também na Rocinha, diz que muitos guias ajustam os percursos para ir além de simplesmente beber uma caipirinha numa favela.

“Queremos trazer pessoas para sensibilizar, para contar a história destes territórios pelo olhar do protagonista: o morador”, acrescenta Felippsen.

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