Estudo revela as cidades do Mundial 2026 com melhor wifi, coworking e alojamento para adeptos que conciliam trabalho e futebol
O Mundial de futebol de 2026 da FIFA prepara-se para ser o maior torneio alguma vez organizado, com jogos espalhados pelos Estados Unidos, Canadá e México e com milhares de milhões de pessoas esperadas frente ao ecrã em todo o mundo.
Para muitos adeptos, porém, acompanhar a competição já não tem de significar tirar um mês de férias. À medida que o trabalho remoto e híbrido se tornou a norma, cada vez mais viajantes planeiam conciliar o torneio com trabalhar no estrangeiro, trocando o escritório por espaços de coworking, cafés e zonas de adeptos nas cidades anfitriãs do Mundial de 2026.
Quais são, então, os destinos que oferecem o melhor equilíbrio entre ambiente de futebol, custo e condições práticas para trabalhar à distância?
A empresa de alojamento web 20i analisou as 16 cidades anfitriãs nos três países, cruzando vários indicadores importantes para adeptos que vão trabalhar enquanto vêem os jogos, para identificar os melhores pólos para trabalho remoto ao longo do torneio.
Recorreu a dados públicos para avaliar a qualidade da ligação à internet, a oferta de espaços de trabalho, a disponibilidade de assistência técnica nas proximidades, o índice do sistema de saúde local e a pontuação nacional de cibersegurança, todos eles fatores cruciais para trabalhar remotamente com sucesso.
A 20i analisou ainda a disponibilidade de alojamento num raio de 1 km do estádio de cada cidade, bem como o custo de vida, olhando em particular para o preço de uma refeição económica, de uma cerveja à pressão e de um quilómetro de táxi.
A empresa atribuiu depois a cada cidade uma pontuação de 0 a 25 em todos os indicadores e agregou os resultados, até um máximo de 250 pontos. Quanto mais alta a pontuação, mais favorável é a cidade ao trabalho remoto.
Apesar de todas as cidades anfitriãs terem pontos a favor, foram dois destinos canadianos – Toronto e Vancouver – que ficaram à frente, com quase todos os critérios preenchidos e pontuações de 200,0 e 163,3 em 250, respetivamente.
Houston e Filadélfia conseguiram boas pontuações em conectividade, alojamento e cibersegurança – e ambas obtiveram uma classificação global de 146,7 em 250 – enquanto as cidades anfitriãs do México se destacaram pela acessibilidade e maior diversidade de alojamento, mas ficaram para trás na cibersegurança.
Outras cidades dos Estados Unidos não obtiveram resultados particularmente elevados: Los Angeles, Seattle e a área da Baía de São Francisco surgem nas últimas posições devido aos custos globais mais altos e à menor oferta de alojamentos económicos perto dos estádios.
Entretanto, Boston não tinha qualquer alojamento em conta a uma distância percorrível a pé do estádio para os adeptos, o que mostra que os trabalhadores remotos podem sair a ganhar se escolherem a sua base a partir de um equilíbrio entre infraestrutura digital e custo de vida, em vez de se guiarem apenas pela dimensão ou popularidade da cidade anfitriã.
Eis em que é que cada cidade anfitriã do Mundial se destaca.
Aspetos práticos: espaços de coworking e qualidade da internet
O estudo concluiu que a área anfitriã de Nova Iorque-Nova Jérsia é a que oferece mais espaços de coworking de todas as cidades do Mundial – 266 no total – e ficou em quinto lugar na classificação geral.
A Cidade do México e Toronto também têm uma grande oferta de espaços de coworking – 171 e 113, respetivamente –, enquanto Kansas City é a que apresenta menos, com apenas 13.
Embora Canadá e Estados Unidos apresentem boas pontuações nacionais de cibersegurança, nas cidades mexicanas os resultados são fracos, muito abaixo da fasquia de 80 pontos definida no estudo como nível “bom”.
Na prática, isto significa que os trabalhadores remotos que optarem por ficar no México talvez queiram tomar precauções de segurança adicionais, por exemplo recorrendo a VPN.
Toronto e Vancouver registaram as velocidades de download em banda larga fixa mais rápidas entre todas as cidades anfitriãs, seguidas de Miami. As três superam os 200 Mbps, valor considerado excelente para trabalho remoto com vários dispositivos ligados em simultâneo.
Todas as cidades anfitriãs dos Estados Unidos oferecem velocidades razoáveis, enquanto as mexicanas surgem no fim da tabela.
A Cidade do México tem uma média de 43,61 Mbps, o que indica que quem ali trabalhar terá de privilegiar espaços de coworking ou alojamentos com Wi-Fi de alta velocidade comprovado.
Custo de vida
Apesar de a infraestrutura do México significar que o país nem sempre aparece no topo da classificação, as suas cidades anfitriãs obtêm bons resultados em várias categorias ligadas à acessibilidade.
Guadalajara e Cidade do México destacaram-se, graças à maior oferta de alojamentos a preços acessíveis e a comida, bebidas e táxis mais baratos em comparação com outras cidades do Mundial.
Nas cidades anfitriãs mexicanas, uma cerveja à pressão custa em média cerca de 3,02 dólares (2,59 euros), enquanto as corridas de táxi rondam 1,02 dólares (0,88 euros) por quilómetro, descendo para apenas 0,46 dólares (0,39 euros) na Cidade do México.
Em contraste, os adeptos de futebol nos Estados Unidos podem esperar pagar, em média, 7,27 dólares (6,24 euros) por uma cerveja à pressão e 1,73 dólares (1,49 euros) por quilómetro de táxi.
A comida no México também é relativamente barata: uma refeição num restaurante económico custa em média 12,46 dólares (10,70 euros), menos de metade do preço de um prato semelhante em Miami, famosa pelos preços elevados, e significativamente abaixo do restante território norte-americano.
No Canadá, as refeições, a cerveja e os táxis são mais baratos do que nos Estados Unidos e mais caros do que no México, o que torna as suas cidades anfitriãs relativamente acessíveis – embora não para todos.
Opções de alojamento
Encontrar alojamento acessível perto dos estádios pode revelar-se um desafio em várias cidades anfitriãs dos Estados Unidos.
Entre as ofertas na Booking.com e no Airbnb, não havia qualquer alojamento a menos de 1 km do estádio de Boston por menos de 4 000 dólares (3 434 euros) para uma estadia de sete noites. Atlanta tinha apenas uma opção em conta, enquanto Dallas e a área da Baía de São Francisco contavam só com 17 e 20, respetivamente.
Kansas City e Seattle também registaram menos de 50 alojamentos a preços razoáveis a uma distância percorrível a pé dos estádios.
Em contraste, a Cidade do México ficou em primeiro lugar na disponibilidade de alojamentos acessíveis, e as cidades anfitriãs canadianas e mexicanas oferecem, em geral, muito mais escolha para adeptos com orçamentos mais apertados.
Compatibilidade de fusos horários
Embora não tenha sido incluída na classificação global, a diferença de fuso horário pode ser um fator importante para quem trabalha à distância.
Os destinos na costa leste, incluindo Toronto, Atlanta, Filadélfia, Boston e Nova Iorque-Nova Jérsia, oferecem a melhor sobreposição com o horário de trabalho europeu, com até três horas de trabalho em comum com equipas sediadas em Londres.
Já as cidades da costa oeste, como Vancouver, Seattle, Los Angeles e São Francisco, não têm qualquer sobreposição padrão com o horário de escritório no Reino Unido ou na Europa, e nenhuma das cidades anfitriãs coincide particularmente bem com o horário de trabalho típico de grandes centros da Ásia-Pacífico, como Tóquio, Singapura ou Pequim.
Isto significa que muitos trabalhadores remotos poderão ter de começar mais cedo ou acabar mais tarde para conciliar o horário de trabalho com o calendário do Mundial.