Índice Global da Paz, o mais completo ranking anual mundial da tranquilidade em 163 países, divulgou a sua lista dos dez primeiros para 2026.
Os avisos governamentais de «não viajar» multiplicam-se à medida que os conflitos se intensificam em todo o mundo, e pode parecer que muitos dos destinos da sua lista de desejos passaram a estar fora de alcance.
Se está a planear uma viagem e quer dar prioridade à segurança, use estes novos dados como guia.
O Índice Global da Paz (Global Peace Index, GPI) – a classificação anual mais abrangente do mundo sobre o nível de paz em 163 países – já divulgou o seu top 10 para 2026.
De uma ilha vulcânica sem forças armadas a uma cidade-Estado asiática que lidera há anos os rankings de segurança, estes são atualmente os dez países mais pacíficos do planeta.
As viagens estão a tornar-se mais perigosas?
A edição de 2026 do Global Peace Index (GPI) conclui que o mundo manteve a sua trajetória de longa data de deterioração da paz, com os conflitos armados a serem o principal motor deste recuo.
Há hoje mais conflitos armados entre Estados do que em qualquer outra altura desde o fim da Segunda Guerra Mundial, enquanto o número de países envolvidos em conflitos externos quase duplicou desde 2008.
A guerra civil no Sudão, o prolongado conflito na Ucrânia e a breve, mas significativa, Guerra dos Doze Dias entre Israel, os Estados Unidos e o Irão deixaram o ambiente internacional
numa situação mais frágil e militarizada do que em qualquer outro momento desde que o índice existe.
Importa referir que a edição deste ano do índice capta apenas parcialmente o impacto da Guerra do Irão de 2026, uma vez que muitos dos indicadores relativos a conflitos são contabilizados apenas até ao final de 2025.
Em termos de turismo, isto significa que os governos voltaram a acrescentar mais países aos respetivos avisos de viagem este ano.
No caso do Reino Unido, por exemplo, 76 dos 226 países ou territórios com páginas de conselhos de viagem são atualmente listados como tendo zonas a evitar devido a questões como perigos de segurança e riscos para a saúde.
Assinala-se este ano a 20.ª edição do GPI, que classifica 163 Estados e territórios independentes segundo o respetivo nível de paz, cobrindo 99,7% da população mundial.
O índice recorre a 23 indicadores qualitativos e quantitativos para medir o estado da paz em três domínios: o nível de segurança e proteção na sociedade, a extensão dos conflitos internos e internacionais em curso e o grau de militarização.
Os resultados deste ano mostram que o nível médio de paz global piorou 0,7% no último ano.
Dos 163 países incluídos no índice, 99 recuaram em termos de paz e 62 melhoraram. Há
atualmente 119 países que são menos pacíficos do que eram em 2008.
Para onde é mais seguro viajar em 2026?
O GPI pode ser um barómetro útil da estabilidade global de um país. Porém, recorda Steve Killelea, fundador do Institute for Economics & Peace e criador do GPI, fornece pouca indicação sobre a experiência do dia a dia de um visitante e não acompanha riscos específicos do destino, como zonas com mais pequena criminalidade, segurança rodoviária ou perigos naturais.
A Islândia mantém-se, pelo 19.º ano consecutivo, como o país mais pacífico do mundo. Não tem forças armadas permanentes, regista criminalidade extremamente baixa e elevados níveis de confiança social. Os dados descrevem o país como pacífico "com uma margem significativa”.
Em 2026, a Nova Zelândia subiu um lugar, passando para a segunda posição a nível mundial. Regista o valor mais baixo em matéria de conflitos em curso entre todos os países da região Ásia-Pacífico.
A Suíça surge em terceiro lugar a nível global, enquanto a Eslovénia subiu duas posições para quarta, afirmando-se discretamente como um dos destinos mais pacíficos da Europa. A Irlanda classificou-se em quinto lugar a nível global; é acolhedora, hospitaleira e figura de forma consistente entre as nações mais pacíficas do mundo.
A Rússia é o país menos pacífico, com o Sudão, a República Democrática do Congo, a Ucrânia e Israel a completarem os cinco últimos lugares.
A Europa Ocidental e Central continua a ser a região mais pacífica, e o Médio Oriente e o Norte de África as menos pacíficas.
A região da Europa de Leste e Ásia Central foi a única das oito regiões do GPI a melhorar, em média, no último ano, enquanto o Sul da Ásia registou a maior deterioração regional, impulsionada pela queda da paz no Nepal e no Paquistão.
A Polónia registou a maior melhoria a nível nacional, com a sua classificação global a melhorar 9,1% e o país a subir 23 lugares, para 22.º a nível mundial, graças a uma melhoria de 17,5% no domínio dos conflitos em curso.
Gabão, Lesoto, Ucrânia e Turquia registaram as melhorias seguintes mais significativas, sendo que, neste último caso, tal reflete um processo de paz sustentado entre o governo turco e o Partido dos Trabalhadores do Curdistão.
O Nepal registou a maior deterioração, com a sua pontuação global a cair 9,1% após os protestos da geração Z de setembro de 2025, seguido do Chade, da República do Congo, do Paquistão e da Tanzânia.
Os Estados Unidos pioraram 4%, sobretudo devido a um aumento da
instabilidade política, que se agravou 38,5%. As manifestações violentas nos Estados Unidos também aumentaram substancialmente. O país ocupa agora o 134.º lugar no GPI.
Os viajantes devem também lembrar-se de que o GPI avalia a paz a nível nacional, e não o risco para os visitantes.
“É um excelente guia da estabilidade global de um país, mas os viajantes devem continuar a consultar os avisos oficiais dos ministérios dos Negócios Estrangeiros e as orientações específicas de cada destino para o planeamento prático no terreno”, aconselha Killelea.