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Ucrânia avisa Rússia: Crimeia pode tornar-se ilha, diz ministro da Defesa

Ministro da Defesa ucraniano Mykhailo Fedorov fala durante reunião do Grupo de Contacto para a Defesa da Ucrânia na sede da NATO, em Bruxelas, a 12 de fevereiro de 2026
Ministro da Defesa ucraniano, Mykhailo Fedorov, fala na reunião do Grupo de Contacto para a Defesa da Ucrânia na sede da OTAN em Bruxelas, quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026 Direitos de autor  AP Photo
Direitos de autor AP Photo
De Sasha Vakulina
Publicado a
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Ucrânia corta de forma sistemática as vias terrestres de abastecimento das forças russas para a Crimeia ocupada, isolando a península das tropas de Moscovo e de quaisquer fornecimentos vindos da Rússia.

O ministro da Defesa da Ucrânia, Mykhailo Fedorov, confirmou que Kiev está a isolar deliberadamente a Crimeia dos abastecimentos russos e, em última instância, do controlo de Moscovo.

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"A Crimeia está a ser isolada por drones. Num futuro próximo, tudo indica que a península da Crimeia se vai transformar numa ilha", afirmou Fedorov numa entrevista na quarta-feira.

"E isso poderá ter consequências muito inesperadas para os russos. Não posso dizer mais nada", acrescentou Fedorov.

Fedorov adiantou que Kiev assegurou, nos primeiros quatro meses de 2026, 300% mais drones de ataque de médio alcance do que em todo o ano de 2025.

Os drones de ataque de médio alcance têm um raio de ação entre 20 e 200 km e permitem às forças ucranianas operar perto da linha da frente, em territórios do sul da Ucrânia ocupados pela Rússia e nas rotas logísticas que abastecem as tropas de Moscovo nas zonas ao longo da costa do mar de Azov, por onde passam todas as vias de abastecimento para a Crimeia anexada.

Uma ponte ferroviária na Crimeia ocupada pela Rússia foi atingida na quinta-feira num ataque com drones, provocando um incêndio, de acordo com canais de monitorização no Telegram.

Um dia antes, as forças ucranianas também tinham atingido uma ponte rodoviária sobre o canal da Crimeia do Norte, perto da aldeia de Stavky, e outra ponte perto de Voinka, na região ocupada de Kherson, confirmou o Estado-Maior ucraniano.

Fedorov acrescentou que Kiev lançou aquilo a que descreveu como um programa de "bloqueio logístico", que canaliza financiamento adicional diretamente para unidades militares capazes de adquirir e colocar rapidamente em operação drones de ataque de médio alcance.

"Para os russos, o inferno está a começar, um inferno muito difícil de suportar", disse Fedorov. "A logística está a ser cortada. A Crimeia está a ser isolada", afirmou.

Kiev tem visado cada vez mais a capacidade da Rússia para sustentar as suas forças na Crimeia, tornando as operações militares e a presença de Moscovo na península progressivamente insustentáveis.

Cortar as vias terrestres de abastecimento

A posição geográfica da Crimeia é simultaneamente estratégica e invulgarmente complexa, situada entre o território continental da Ucrânia, a Rússia e a mais vasta região do mar Negro.

A norte, a Crimeia está ligada ao sul da Ucrânia ocupado por Moscovo por um estreito corredor terrestre através do istmo de Perekop e por uma rede de estradas e linhas ferroviárias que atravessam as partes da região de Kherson sob ocupação desde 2022.

Moscovo utiliza estas vias terrestres de abastecimento para deslocar tropas, munições e combustível para a península.

É esta a zona que Kiev tem vindo a atacar de forma sistemática para perturbar esses fluxos.

A Rússia abastece as suas forças na Crimeia com gasolina, gasóleo e combustível de aviação através de três canais principais: camiões-cisterna e comboios-cisterna que atravessam a ponte de Kerch a partir da Rússia, envios por via marítima e rotas terrestres que passam pelas zonas ocupadas do sul da Ucrânia.

À medida que a Ucrânia atinge cada vez mais estas ligações com drones e ataques de precisão, as forças de Kiev desencadearam a pior crise de combustíveis na península do mar Negro desde a sua anexação ilegal pela Rússia, em 2014.

Numa rara admissão pública, o Kremlin reconheceu a dimensão do problema.

Carros fazem fila num posto de combustível em Simferopol, Crimeia, sexta-feira, 12 de junho de 2026
Carros fazem fila num posto de combustível em Simferopol, Crimeia, sexta-feira, 12 de junho de 2026 AP Photo

Crimeia: líder tártaro apela aos russos para abandonarem a península

Refat Chubarov, presidente do Mejlis do povo tártaro da Crimeia, apelou aos cidadãos russos que permanecem ilegalmente na Crimeia temporariamente ocupada para que abandonem de imediato a península.

Numa mensagem em vídeo nas redes sociais, Chubarov afirmou que as Forças Armadas da Ucrânia têm realizado, há várias semanas, ataques precisos e eficazes contra instalações militares russas na península e que a intensidade desses ataques só vai aumentar.

"Quero dirigir-me em separado a outra parte da população atual da Crimeia, nomeadamente àqueles que se instalaram na península depois de 27 de fevereiro de 2014."

Segundo responsáveis ucranianos, entre 500 000 e 800 000 russos mudaram-se ilegalmente para a península ucraniana desde 2014.

"A vossa presença na Crimeia ocupada, com documentos russos falsos de propriedade, é ilegal tanto ao abrigo do direito nacional ucraniano como do direito internacional", afirmou Chubarov na sua mensagem.

"Agora, como podem ver com os vossos próprios olhos, a Crimeia tornou-se finalmente uma zona de linha da frente e a sua libertação das forças de ocupação russas é inevitável."

Chubarov exortou os russos na Crimeia a "ainda evitarem o castigo inevitável" se deixarem a península a tempo.

"Cada dia em que a ponte de Kerch continua operacional é a vossa oportunidade para saírem da Crimeia de forma segura e voluntária. Em breve, já não haverá essa possibilidade. Não esperem que a ponte de Kerch seja destruída e o corredor terrestre seja finalmente cortado."

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