Espanha volta às vitórias e Egito desata nó dos empates no segundo dia dos grupos G e H do Mundial 2026.
O Mundial já vai na segunda semana, com as seleções dos 12 grupos a disputarem pontos decisivos para garantirem presença na fase eliminatória. Três equipas já asseguraram a qualificação: os anfitriões México e Estados Unidos, bem como a poderosa Alemanha.
A prova já registou algumas surpresas, com seleções a despedir-se da competição após exibições fracas, incluindo uma Turquia recheada de estrelas, vista por muitos como uma das principais outsiders.
No domingo, já na madrugada de segunda-feira, disputaram-se quatro jogos em destaque. A seguir, apresentamos o resumo dos duelos dos grupos G e H.
Espanha - Arábia Saudita
Espanha não demorou a corrigir o que muitos consideraram um arranque desastroso no Mundial, depois do nulo frente à estreante Cabo Verde, na semana passada, apesar de apresentar uma equipa repleta de estrelas, de ter conquistado o título europeu e de ser apontada como uma das principais candidatas ao troféu.
Na segunda jornada, frente à Arábia Saudita, a seleção espanhola mostrou-se decidida e eficaz na finalização, dominando todos os aspetos do jogo, como a posse de bola, a circulação e as ocasiões criadas, goleando o adversário do Golfo por 4-0 num encontro animado.
A estrela de 18 anos do Barcelona abriu o marcador para La Roja logo aos 10 minutos, após o avançado da Real Sociedad Mikel Oyarzabal cruzar para a área e encontrar Yamal para um desvio fácil, que valeu ao jovem o primeiro golo em Mundiais.
Os 65% de posse de bola da seleção espanhola traduziram-se em oportunidades sucessivas para a equipa ibérica, que encontrou Oyarzabal aos 21 e 24 minutos. O experiente avançado da Liga espanhola não perdoou nas duas primeiras ocasiões de que dispôs e fixou o 3-0 antes do intervalo.
Na segunda parte, o guião manteve-se: Espanha continuou a pressionar e a jogar em ataque continuado, sem permitir à Arábia Saudita ganhar controlo ou inverter o rumo do encontro.
O mais recente reforço do Real Madrid, contratado ao Chelsea, Marc Cucurella rematou de primeira após um canto, aos quatro minutos da segunda parte; a bola ainda desviou num defesa saudita antes de entrar, ampliando ainda mais a vantagem confortável de Espanha.
La Roja ainda chegou a festejar novo golo, já nos instantes finais, por intermédio de Ferran Torres, do Barcelona, mas, após análise do vídeo-árbitro (VAR), o lance foi anulado por fora de jogo e o resultado fixou-se nos 4-0.
Bélgica - Irão
O segundo jogo do dia colocou a Bélgica, do Grupo G, frente à República Islâmica do Irão, em Los Angeles.
Depois de um dececionante 1-1 com o Egito na estreia, a Bélgica procurava somar três pontos fundamentais para garantir a passagem à fase a eliminar, depois da má campanha no Mundial do Catar 2022, em que caiu logo na fase de grupos.
O Irão vinha igualmente de um empate, 2-2, no primeiro jogo frente à Nova Zelândia, deixando todo o grupo nivelado com um ponto para cada seleção.
A Bélgica pareceu ter o controlo durante grande parte do encontro, mas acabou por não conseguir traduzir o domínio em golos e teve de se contentar com um nulo frente ao Irão, apesar de ter rondado os 70% de posse de bola, somado 22 remates em 90 minutos – sete deles enquadrados com a baliza – e completado quase 600 passes, cerca do dobro do registo iraniano.
A expulsão do defesa Nathan Ngoy, que derrubou um avançado iraniano depois de um erro que o deixou isolado na cara do golo, prometia complicar a vida aos Diabos Vermelhos, obrigados a jogar cerca de meia hora em inferioridade numérica.
Mesmo em desvantagem numérica, o experiente médio e figura do Manchester City Kevin De Bruyne continuou a criar oportunidades, mas a combinação de alguma infelicidade e falta de eficácia impediu a Bélgica de concretizar.
A Bélgica soma agora dois pontos, os mesmos do Irão, mas ocupa o terceiro lugar devido à diferença de golos. O último jogo da fase de grupos está marcado para a próxima semana, frente à Nova Zelândia, num encontro que deverá ser decisivo para a qualificação.
Uruguai - Cabo Verde
Cabo Verde continua a surpreender na primeira participação num Mundial, ao empatar 2-2 com a histórica seleção do Uruguai, primeira campeã do mundo, num jogo intenso.
O arquipélago de 10 ilhas adiantou-se no marcador aos 21 minutos, com um livre direto de muito longe da área, colocado de forma irrepreensível ao canto inferior direito.
Maximiliano Araújo restabeleceu a igualdade um pouco mais de 20 minutos depois, ao cabecear para a baliza após uma primeira tentativa ter acertado no poste e a bola ter ficado à sua mercê.
A seleção uruguaia ganhou embalo e, poucos minutos depois, voltou a marcar, já aos 6 minutos do tempo de compensação da primeira parte.
Agustín Canobbio concluiu uma jogada rápida e bem desenhada, aparecendo solto na área para, com um simples toque, desviar a bola para lá do alcance do guarda-redes.
Após o intervalo, o Uruguai procurou ajustar a estratégia, privilegiando a solidez defensiva, mas um Cabo Verde paciente não se precipitou, manteve a pressão e acabou por forçar o erro decisivo da seleção sul-americana.
O defesa uruguaio Mathías Olivera, num momento de desatenção, fez um passe displicente para uma zona perigosa, longe de qualquer companheiro. O erro obrigou o guarda-redes Fernando Muslera a sair rapidamente da baliza para tentar fechar o espaço a Hélio Varela, de Cabo Verde, que se lançara à bola solta.
Varela conseguiu passar por Muslera já fora da área e atirou para a baliza desguarnecida, fazendo o 2-2.
Depois disso, Cabo Verde recuou para um bloco baixo e conseguiu segurar o resultado durante a meia hora final, impedindo novo avanço do Uruguai no marcador.
Egito - Nova Zelândia
O segundo jogo do Grupo G da noite começou já de madrugada, na segunda-feira, com Egito e Nova Zelândia a entrarem em campo sabendo que um triunfo os colocaria na liderança, após o empate entre Irão e Bélgica.
A Nova Zelândia entrou melhor, criou perigo desde os primeiros minutos e obrigou o guarda-redes egípcio Mostafa Shobeir a várias defesas importantes ainda antes dos 10 minutos.
O domínio acabou por dar frutos aos 15 minutos, quando o defesa Finn Surman saltou mais alto que toda a defesa e, de cabeça, na sequência de um pontapé de canto, inaugurou o marcador no duelo do Grupo G, colocando a Nova Zelândia em vantagem e a ditar o ritmo do jogo.
Até ao intervalo, as duas equipas trocaram ataques, mas sem eficácia na finalização, mantendo-se o 1-0 a favor da Nova Zelândia à entrada para a segunda parte.
Na segunda parte, o jogo mudou por completo: o Egito assumiu o comando, aumentou a posse de bola, rematou mais e passou a controlar as operações.
A recompensa chegou cerca de 15 minutos após o reinício do jogo. O lateral Mohamed Hany fez um cruzamento para a área, onde surgiu o médio Mostafa Zaky, conhecido por Ziko, que cabeceou a bola, que passou entre as mãos do guarda-redes Max Crocombe, garantindo o empate para os Faraós.
O avançado do Liverpool e veterano da Premier League, Mohamed Salah, deu, pela primeira vez, vantagem ao Egito, após uma jogada de entendimento com Ziko, que lhe deixou espaço na área. O talismã egípcio não precisou de muito: colocou a bola no canto inferior esquerdo da baliza e fez o 2-1 aos 67 minutos.
Quinze minutos depois, Salah voltou a destacar-se ao marcar o canto que encontrou Mahmoud Trezeguet; o médio cabeceou com força para o canto inferior esquerdo e ampliou para 3-1.
O Egito continuou a carregar e esteve perto do quarto golo já nos instantes finais, quando Ahmed Sayed, conhecido como Zizo, ficou isolado após ultrapassar o guarda-redes. Porém, ao tentar ajustar o corpo para rematar com o pé preferido, deu tempo ao guardião para recuperar a posição e evitar novo golo.