Francisco “Lu Olo” Guterres, antigo presidente de Timor-Leste e figura de destaque no movimento de independência do país, faleceu no domingo, em Kuala Lumpur, na Malásia. Tinha 71 anos.
Timor-Leste declarou, na segunda-feira, uma semana de luto pela morte do ex-presidente Francisco “Lu-Olo” Guterres. O líder de 71 anos exerceu o cargo de presidente entre 2017 e 2022, coroando décadas de envolvimento na luta política e armada que conduziu à independência desta pequena nação do Sudeste Asiático após 25 anos de ocupação indonésia.
Francisco Guterres, que era conhecido pelo seu nome de guerra “Lu Olo”, faleceu no domingo no Prince Court Medical Centre, em Kuala Lumpur, na Malásia, onde se encontrava na unidade de cuidados intensivos, informou a família na conta oficial do Facebook do ex-presidente. A causa da morte ainda não foi divulgada.
“Ao longo da sua vida, manteve-se empenhado na liberdade do seu povo e na construção de uma nação democrática”, afirmou o primeiro-ministro da Malásia, Anwar Ibrahim, numa mensagem de condolências dirigida à sua família e ao povo de Timor-Leste.
O presidente de Timor-Leste, José Ramos-Horta, que venceu Guterres nas eleições presidenciais de 2022, afirmou num comunicado que o seu antigo rival era um “grande patriota”, acrescentando que o seu falecimento constituía “uma grande perda para a nação”.
Horta visitou o ex-presidente no hospital onde estava internado, nos cuidados intensivos, e foi informado sobre o estado de saúde dele. O Presidente timorense reuniu-se ainda com a família de Guterres e escusou-se de tecer comentários sobre o
O governo timorense também apresentou as suas “mais sinceras condolências” à família de Guterres, ao partido Frente Revolucionária para a Independência de Timor-Leste (Fretilin), que ele liderou no passado, e ao povo de Timor-Leste.
A Fretilin afirmou que a sua morte constituía uma “perda profunda” para todos os que partilhavam o objetivo de construir um país livre, democrático e soberano.
O partido destacou a sua dedicação ao movimento de independência ao longo de toda a sua vida e o seu papel na promoção da unidade nacional, do diálogo, da paz e da estabilidade política ao longo de toda a sua carreira pública.
O corpo de Guterres deverá chegar à capital de Timor-Leste na terça-feira, disse o seu irmão, Domingos Guterres, aos jornalistas, acrescentando que os preparativos para o funeral ainda estão a ser organizados. A família do ex-presidente pediu privacidade enquanto os apoiantes prestavam homenagem ao querido ex-líder.
“Pedimos a todos que respeitem a privacidade da família neste momento difícil, enquanto nos unimos em oração e prestamos homenagem à sua memória, ao seu legado e à sua dedicação ao povo timorense”, afirmou a família.
Nascido a 7 de setembro de 1954 em Ossu, uma localidade do distrito de Viqueque, no então Timor Português, Guterres foi comandante guerrilheiro que ganhou destaque na resistência contra a ocupação indonésia entre 1975 e 1999. Como líder de topo da Fretilin, desempenhou posteriormente um papel fundamental na transição para a independência, na sequência de um referendo apoiado pelas Nações Unidas em 1999.
Foi presidente da Assembleia Constituinte em 2001, supervisionando a elaboração da Constituição de Timor-Leste, e tornou-se o primeiro presidente do Parlamento Nacional após a independência, em 2002. Após várias tentativas infrutíferas, foi eleito presidente em 2017, tendo cumprido um mandato.
Em 2022, perdeu a corrida à reeleição frente ao atual presidente, José Ramos-Horta, seu companheiro de luta pela independência.
Em Díli, o governo de Timor-Leste declarou sete dias de luto nacional, com as bandeiras a meia haste em todos os edifícios públicos e nas missões diplomáticas do país no estrangeiro.
Presidente de Portugal envia condolências
António José Seguro, Presidente da República de Portugal, lamentou a morte do ex-presidente de Timor-Leste. Em nota publicada no site da Presidência, Seguro lembra “o papel incontornável, primeiro na luta pela independência, e depois no processo de construção do Estado timorense”, de Lu Olo.
“Ao longo de uma trajetória marcada por funções tão diversas como exigentes, destacou-se, ainda, pela forma como soube apelar à reconciliação da nação timorense, defendendo a importância do diálogo e apelando à paz”, escreve.
Seguro termina a sua mensagem com o envio de “condolências à família, aos amigos e ao Estado de Timor-Leste”.