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IA: só falhando se aprende, diz diretora de marketing da AWS Julia White

Diretora de Marketing da Amazon Web Services, Julia White
Diretora de Marketing da Amazon Web Services, Julia White Direitos de autor  Euronews
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De Pascale Davies
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"A IA é uma excelente parceira de reflexão, mas não define tendências", afirma a responsável de marketing da AWS, Julie White, em entrevista à Euronews Next.

Quando a diretora de marketing da Amazon Web Services começou a experimentar agentes de inteligência artificial, ficou apreensiva em relação ao próprio futuro.

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"Também eu tive um momento de 'meu Deus, ainda sou útil?'", contou Julia White à Euronews Next, na conferência VivaTech, em Paris. Depois de testar a tecnologia, sentiu alívio ao perceber que esta podia eliminar as partes mais tediosas do seu trabalho.

Foi essa tomada de consciência que, diz, mostra porque é que os líderes têm de pôr as mãos na massa com a IA.

Reinventar todo o fluxo de trabalho

A experimentação é fundamental, afirma White, acrescentando que a adoção inicial da IA trouxe ganhos de produtividade modestos, mas reais, entre 10 % e 30 %, ao ser sobreposta aos fluxos de trabalho existentes. Mas os avanços mais significativos só surgiram depois de deitar fora o manual antigo.

"Para obter efeitos realmente grandes — uma eficácia cinco vezes superior, por exemplo — tivemos de recuar e reescrever a forma como os nossos processos funcionam", afirmou.

Os resultados foram impressionantes: criar uma nova página web, uma tarefa que antes exigia cerca de três horas e vários membros da equipa, passa agora a demorar 30 minutos, com agentes de IA a assumir grande parte do trabalho mais pesado. A AWS publica mais de 5 000 novas páginas web por ano.

O que a IA não consegue fazer

Apesar dos ganhos de eficiência, a IA não substitui a criatividade humana.

"A IA não é propriamente boa a criar narrativas belas e envolventes que liguem verdadeiramente à experiência humana", disse. "É um excelente parceiro de reflexão, mas não é quem dita tendências", afirmou White.

Essa distinção tem moldado a forma como a equipa utiliza o assistente interno da Amazon, o Amazon Q.

Em vez de delegarem na tecnologia o juízo criativo, os profissionais de marketing usam-na como caixa de ressonância. Esta abordagem permitiu recentemente criar o que descreve como uma narrativa de marca inovadora para a AWS, que, segundo conta, chegou a emocionar colegas até às lágrimas.

"Esse núcleo de storytelling, essa intuição humana única, vem de uma pessoa", referiu. "Reconhecer isso e trabalhar em conformidade tem sido o que nos dá os melhores resultados."

Valorizar o fracasso

Mas, para dominar realmente a IA, o fracasso é a única via clara, defende White. Criou, na sua equipa, o prémio "Be Brave", que distingue os esforços que não resultaram, e faz questão de partilhar os próprios erros com a equipa.

"O fracasso é necessário no caminho para a mestria", sublinhou. "Nunca vamos tornar-nos realmente bons em IA se não experimentarmos e falharmos."

Também reconhece que, para muitas empresas, encontrar tempo para experimentar é um desafio. White contornou esse obstáculo ao introduzir dias de formação sem reuniões, reservados exclusivamente à aprendizagem de novas ferramentas.

A experiência de IA personalizada

O aspeto que mais a entusiasma nesta era da IA é o regresso de ideias que tinha descartado como impraticáveis. À cabeça está o marketing verdadeiramente personalizado, em grande escala, adaptado a cada cliente.

"Sempre sonhei em proporcionar uma experiência verdadeiramente personalizada a cada cliente", afirmou. "Isto não era viável no passado, mas, de repente, passou a ser."

O conselho que deixa a outros líderes é simples: começar a usar a tecnologia.

"Se apenas ler ou ouvir falar de IA, mas não a usar de facto, vai ficar para trás", concluiu. "E, se isso acontecer, não estará a liderar bem as suas equipas."

Editor de vídeo • Roselyne Min

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