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França: bombeiros enfrentam meses de combate a “fogos zombie”

Bombeiros tentam apagar um incêndio em Blagon, no sudoeste de França, 29 de julho de 2026.
Bombeiros tentam apagar um incêndio em Blagon, no sudoeste de França, 29 de julho de 2026. Direitos de autor  (Photo AP/Baz Ratner)
Direitos de autor (Photo AP/Baz Ratner)
De Etienne Paponaud com AFP
Publicado a Últimas notícias
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Depois do megaincêndio que devastou milhares de hectares em Gironda, os bombeiros iniciam agora uma vigilância prolongada para eliminar os “fogos zombie”: brasas subterrâneas que podem reacender durante meses

Nos 42.000 hectares de vegetação devastada pelo gigantesco incêndio em Gironda, bombeiros e especialistas florestais antecipam um trabalho de longa duração para conseguir eliminar os “fogos zombie”, que podem ficar a arder durante meses no subsolo, até chegarem as chuvas de inverno.

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São colunas de fumo que emergem das turfeiras, raízes que se queimam lentamente… Os bombeiros da Gironda, que já tinham sido mobilizados para incêndio de Landiras em 2022, sabem que o fogo iniciado em Saumos, na zona de Gironda, pode prolongar-se muito para além da fase de crise atual.

No subsolo das zonas de Saumos, Andernos ou Le Porge, o fogo pode ficar a arder sob a terra seca ou nas turfeiras, depois propagar-se e reaparecer mais longe. Um fenómeno conhecido como “fogo zombie”.

“O incêndio de Landiras manteve-se quente durante dois anos e continua sob vigilância”, explica o tenente Cyril Venière, bombeiro que veio de Indre-et-Loire para ajudar a apagar o fogo de Gironda. “Vai demorar semanas, no mínimo, talvez meses até conseguirmos apagá-lo completamente”, acrescenta. A zona terá de ser vigiada durante todo esse período.

“Difícil de eliminar”

Na floresta, a turfa é uma acumulação de matéria esponjosa inflamável, rica em carbono, resultado da decomposição progressiva da vegetação. Um combustível para estas brasas enterradas, que esperam condições favoráveis, vento e seca, para voltarem a incendiar-se à superfície.

Nos arredores de Landiras, depois do imenso incêndio de 2022, “estes fogos que ficam a arder em profundidade e que emergem espontaneamente de uma parcela ou de um ambiente sem fonte aparente de ignição, qualificados de zombies, criaram-nos muitos problemas, porque surgiam aqui e ali, sem grande lógica”, recorda o comandante Matthieu Jomain, do Serviço de Incêndio e Socorro da Gironda.

Há quatro anos, os bombeiros chegaram quase a ter de realizar trabalhos de escavação.

Bombeiros tentam apagar um incêndio em Blagon, no sudoeste de França, 29 de julho de 2026.
Bombeiros tentam apagar um incêndio em Blagon, no sudoeste de França, 29 de julho de 2026. (Photo AP/Baz Ratner)

A “guarda do fogo”, um trabalho titânico

O incêndio de Saumos, que devastou os arredores da península de Cap-Ferrete e ameaçou a área metropolitana de Bordéus, apresenta, contudo, perfis geológicos mais variados do que os de Landiras. Daí a importância, segundo o comandante Matthieu Jomain, de “cartografar” a zona para garantir uma vigilância que pode durar alguns meses.

A Associação Defesa da Floresta contra Incêndios e os respetivos voluntários (cerca de 2.500 na região da Aquitânia) também participam nesta vigilância, conhecida como “guarda do fogo”. O presidente, Bruno Lafon, espera, no entanto, reforços para conseguir mantê-la. “Em agosto vai estar calor, por isso vai haver reacendimentos todos os dias”, alerta.

A associação Defesa da Floresta vai precisar da ajuda de todas as boas vontades para apagar estas brasas, em especial dos agricultores. Bruno Lafon espera também contar com o apoio dos militares para vigiar o fogo, tronco a tronco. Um trabalho minucioso, indispensável para limitar os danos na floresta até ao inverno.

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