Loader
Encontra-nos
Publicidade

Irão retalia após ataques dos EUA à ilha de Larak no estreito de Ormuz

Um pequeno barco navega junto a cargueiros e outros navios comerciais ancorados no Estreito de Ormuz, ao largo de Bandar Abbas, no Irão, na quarta-feira, 5 de agosto de 2026
Um pequeno barco passa junto a cargueiros e outros navios comerciais fundeados no estreito de Ormuz, ao largo de Bandar Abbas, Irão, quarta-feira, 5 de agosto de 2026 Direitos de autor  Amirhosein Khorgooi/ISNA via AP
Direitos de autor Amirhosein Khorgooi/ISNA via AP
De Malek Fouda
Publicado a
Partilhar Comentários Siga a Euronews no Google
Partilhar Close Button

Os ataques dos EUA ao Irão são os primeiros em cerca de um mês, após Washington ter passado a privilegiar sanções económicas. Segundo o governo norte-americano, os bombardeamentos visam impedir forças iranianas de ameaçar o trânsito marítimo no estreito de Ormuz.

O Irão afirmou esta segunda-feira ter lançado ataques contra posições militares norte-americanas na Jordânia, em retaliação pelos primeiros bombardeamentos de Washington no seu território em um mês, reavivando a guerra que dura há seis meses.

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

A poderosa Guarda Revolucionária do Irão declarou ter atingido com mísseis balísticos duas bases aéreas norte-americanas na Jordânia, aliada de Washington, causando “graves danos”. O exército jordano, pouco depois do anúncio iraniano, afirmou ter intercetado oito mísseis, sem indicar a sua origem.

Os ataques ocorreram depois de os Estados Unidos terem revelado, no domingo, que tinham atacado lançadores de rockets iranianos na ilha de Larak, uma pequena ilha no estreito de Ormuz.

Segundo Washington, os ataques visaram impedir o Irão de lançar mais minas marítimas no estreito, dias depois de ter anunciado que concluíra a remoção de explosivos desta via marítima estratégica.

“Forças norte-americanas realizaram uma ação limitada e precisa contra forças de colocação de minas da Guarda Revolucionária que representavam uma ameaça iminente no estreito de Ormuz”, escreveu o Comando Central dos EUA numa publicação na rede X.

A Guarda Revolucionária afirmou que os ataques norte-americanos provocaram “baixas” e que o seu ataque subsequente à Jordânia foi “em resposta à agressão aérea norte-americano-sionista”.

A troca de fogo ocorreu pouco depois de a guerra entre os EUA e o Irão ter completado seis meses e numa altura em que as hostilidades vinham a abrandar.

Nas últimas semanas, o presidente dos EUA, Donald Trump, e a sua administração têm privilegiado a “guerra económica” em detrimento de ataques militares contra o Irão, sob intensa pressão interna e internacional para pôr fim à campanha militar. Prevista inicialmente para ser de curta duração, a ofensiva prolongou-se por meses, sem fim à vista.

Teerão bloqueou, na prática, o estreito de Ormuz, uma rota marítima estratégica por onde passava 20% do petróleo mundial antes de os Estados Unidos e Israel lançarem o primeiro ataque da guerra, a 28 de fevereiro.

Apoiante do governo segura retrato do líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, durante celebrações de rua em Teerão, Irão, domingo, 30 de agosto de 2026
Apoiante do governo segura retrato do líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, durante celebrações de rua em Teerão, Irão, domingo, 30 de agosto de 2026 Vahid Salemi/Copyright 2026 The AP. All rights reserved

“Na semana passada, o CENTCOM concluiu a remoção de minas marítimas das rotas internacionais de navegação do estreito”, afirmou o capitão de mar e guerra Tim Hawkins, porta-voz do Comando Central dos EUA.

“As forças norte-americanas estão a monitorizar de perto a área e mantêm-se preparadas para proteger o livre fluxo do comércio através desta via marítima essencial”, acrescentou.

Esforços diplomáticos, liderados por mediadores como o Paquistão e o Qatar, tentam há meses pôr fim à guerra.

Embora em abril tenha sido acordado um cessar-fogo e em junho tenha sido assinado um memorando de entendimento com vista a um acordo de paz final, não foi ainda alcançado qualquer entendimento e Washington declarou entretanto “guerra económica” a Teerão.

Um contra-bloqueio naval norte-americano aos portos iranianos está a estrangular o abastecimento de combustíveis no Irão, numa altura de quebra da produção interna, à medida que Washington aumenta a pressão.

Multidão enche uma rua durante celebrações que assinalam o aniversário do nascimento do profeta Maomé em Teerão, Irão, domingo, 30 de agosto de 2026
Multidão enche uma rua durante celebrações que assinalam o aniversário do nascimento do profeta Maomé em Teerão, Irão, domingo, 30 de agosto de 2026 Vahid Salemi/Copyright 2026 The AP. All rights reserved

O cessar-fogo de abril pôs fim aos combates mais intensos, mas ataques esporádicos, sobretudo em torno do estreito de Ormuz, reduziram as perspetivas de um acordo de paz definitivo.

O último ataque norte-americano ao Irão antes do de domingo ocorreu a 29 de julho, em resposta a “uma tentativa de ataque-surpresa contra forças norte-americanas” na região, segundo o exército dos EUA. No início de julho, o CENTCOM atacou o Irão durante 13 noites consecutivas.

Ao longo da guerra, o Irão retaliou atingindo instalações norte-americanas e aliados na região do Golfo, com ataques no Qatar, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Bahrein, Kuwait e Omã, entre outros, arrastando uma parte mais ampla da região para o conflito.

O fecho da via marítima estratégica por parte de Teerão provocou impactos económicos significativos em todo o mundo, sob a forma de crises logísticas e nas cadeias de abastecimento, aumentos de preços e escassez de fertilizantes e energia.

Os preços do petróleo subiram após a notícia da retoma dos ataques norte-americanos ao Irão. O Brent, referência internacional, voltou a ultrapassar o simbólico limiar dos 90 dólares por barril, pela primeira vez em um mês. No auge dos combates, o preço do petróleo ultrapassou os 120 dólares por barril pela primeira vez em décadas.

Outras fontes • AP

Ir para os atalhos de acessibilidade
Partilhar Comentários Siga a Euronews no Google

Notícias relacionadas

Corpo de um homem de 46 anos recuperado após inundação súbita no Grand Canyon nos EUA

Acordo de Meca entre alianças e cálculos regionais: e se Irão, Egito e Bangladesh aderirem?

Irão: filas de quilómetros para abastecer agravam pressão sobre Teerão