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Canadá impõe tarifas até 50% a bens dos EUA em disputa comercial

Arquivo - Primeiro-ministro canadiano, Mark Carney, fala com jornalistas à chegada ao gabinete do primeiro-ministro e Conselho Privado, em Ottawa, em 1 de setembro de 2026
Arquivo – Primeiro-ministro canadiano Mark Carney fala com jornalistas à chegada ao Gabinete do Primeiro-Ministro e do Conselho Privado, em Ottawa, 1 de setembro de 2026 Direitos de autor  Justin Tang/The Canadian Press via AP
Direitos de autor Justin Tang/The Canadian Press via AP
De Doloresz Katanich com AP&AFP
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As tarifas retaliatórias do Canadá sobre produtos dos EUA avaliados em milhares de milhões de dólares entraram em vigor terça-feira, agravando um litígio comercial de 18 meses entre os dois vizinhos norte-americanos.

As contratarifas do Canadá sobre vários bens norte‑americanos entram em vigor na terça-feira, em resposta às tarifas dos EUA sobre produtos canadianos impostas depois de terem fracassado, no mês passado, as negociações comerciais entre os dois vizinhos.

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As contratarifas abrangem bens norte‑americanos no valor de 27,6 mil milhões de dólares canadianos (17 mil milhões de euros).

As taxas de 15 %, 25 % e 50 % aplicam-se a centenas de produtos, incluindo aço e alumínio, mobiliário, vestuário, cosméticos, eletrodomésticos, eletrónica, maquinaria agrícola e produtos lácteos como queijo.

Ottawa afirma que as medidas igualam as últimas tarifas dos Estados Unidos “dólar por dólar” e “taxa por taxa”. Alguns produtos do mar foram retirados da lista inicial do Canadá.

Segundo a Associated Press, as contratarifas abrangem cerca de 6 % dos bens que os Estados Unidos exportaram para o Canadá no ano passado.

O Canadá retaliou também para lá das tarifas. Oito das suas dez províncias continuam a restringir ou a proibir a venda de bebidas alcoólicas norte‑americanas, segundo a AP. O Distilled Spirits Council of the United States indica que as exportações de bebidas espirituosas norte‑americanas para o Canadá caíram mais de 70 % em comparação com o ano anterior desde a introdução destas restrições.

A RBC Economics considera que as medidas canadianas dificilmente terão um efeito visível no crescimento global dos Estados Unidos, embora algumas empresas norte‑americanas possam ser bastante mais atingidas.

As tarifas norte‑americanas representam um risco ligeiramente negativo para o conjunto da economia do Canadá, mas os analistas sublinham que o impacto é mais acentuado no setor industrial do Canadá Central.

As tarifas surgem depois de o presidente dos EUA, Donald Trump, ter imposto, a 22 de agosto, taxas de 50 % sobre bens canadianos do mesmo valor, invocando aquilo que Washington descreveu como “tratamento discriminatório” das indústrias norte‑americanas das bebidas alcoólicas, automóvel e de lacticínios.

As medidas dos EUA abrangem produtos como vinho, mobiliário, lacticínios, cimento, vestuário, canas de pesca e equipamento de hóquei. No conjunto, cobrem aproximadamente 5,5 % das exportações canadianas para os Estados Unidos.

Trump ameaça Bombardier

Na segunda-feira, Trump ameaçou bloquear as vendas do fabricante aeronáutico canadiano Bombardier nos Estados Unidos, a menos que a empresa transfira a produção para território norte‑americano.

“Acabaram-se as vendas da Bombardier nos Estados Unidos!” escreveu Trump, em letras maiúsculas, na sua plataforma Truth Social, embora não tenha explicado de que forma poderia ser imposto um veto deste tipo.

Atualmente, milhares de aviões da Bombardier operam nas frotas domésticas das companhias aéreas norte‑americanas.

Num comunicado, a empresa afirmou que apoia “dezenas de milhares de empregos em todo os Estados Unidos”, incluindo emprego direto em mais de 20 estados. Acrescentou que gasta mais de 2,5 mil milhões de dólares (2,1 mil milhões de euros) por ano junto de aproximadamente 2 800 fornecedores norte‑americanos em 47 estados.

“A Bombardier valoriza a sua excelente parceria com as empresas norte‑americanas e com os seus trabalhadores nos EUA”, declarou a empresa.

Negociações comerciais continuam suspensas

As negociações fracassaram em 21 de agosto, após vários dias de reuniões em Washington.

O primeiro-ministro canadiano, Mark Carney, afirmou que suspendeu as conversações por considerar inaceitáveis as condições da administração Trump. Segundo disse, os negociadores norte‑americanos introduziram à última hora restrições à capacidade do Canadá de celebrar acordos comerciais com outros países.

O diferendo tem-se estendido cada vez mais para lá da política comercial. Em agosto, Trump assinou uma ordem determinando que o governo dos EUA passasse a referir-se ao Lago Ontário, que se situa na fronteira entre os dois países, como “Lago América”.

A Google e a Apple adotaram depois esta designação para os utilizadores nos Estados Unidos, embora o Canadá não reconheça a alteração.

Carney afirmou que as conversações poderão ser retomadas quando os norte‑americanos “deixarem de fazer memes, de mandar bocas, de tentar armar-se em duros” e passarem a encarar o processo com seriedade.

Os diferendos comerciais começaram depois de Trump regressar ao cargo e impor uma série de tarifas sobre bens canadianos, apesar de, durante o primeiro mandato, ter negociado e elogiado repetidamente o acordo comercial norte‑americano. Muitas dessas tarifas violam o pacto.

A rutura é particularmente marcante porque os dois países mantiveram, durante décadas, uma das relações mais estreitas do mundo, com economias profundamente integradas, cooperação próxima em matéria de defesa e segurança, vastos laços culturais e, antes do deteriorar das relações, cerca de 400 mil pessoas a atravessar diariamente a fronteira.

Embora Carney conte com um forte apoio popular no Canadá, o país continua fortemente dependente do vizinho. Quase 60 % das importações canadianas provêm dos Estados Unidos, enquanto cerca de 70 % das suas exportações se destinam ao mercado norte‑americano.

Para apoiar as empresas e os trabalhadores afetados, o governo canadiano anunciou um pacote de ajuda de 7,5 mil milhões de dólares canadianos (4,6 mil milhões de euros).

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