Desde março, a base aérea de RAF Fairford tem sido utilizada pelas forças armadas norte-americanas para lançar ataques aéreos contra o Irão, numa altura em que a guerra no Médio Oriente continua.
A polícia antiterrorismo do Reino Unido está a investigar uma possível ligação ao Irão depois de terem sido encontrados explosivos em três carrinhas perto de uma base da Royal Air Force (RAF, força aérea britânica) em Gloucestershire, no domingo.
Em entrevista à BBC na manhã de segunda-feira, o ministro da Defesa, Wes Streeting, advertiu que seria “irresponsável especular”.
“Assim que for possível manter o público informado, fá-lo-emos. Peço apenas alguma paciência para que a polícia e os serviços de segurança tenham tempo e espaço para desempenhar o seu trabalho”, afirmou.
Desde março, a RAF Fairford tem sido utilizada pelas forças armadas dos Estados Unidos para lançar ataques aéreos contra o Irão, numa altura em que a guerra no Médio Oriente prossegue.
Em julho, a Guarda Revolucionária do Irão afirmou estar a par de que a base estava a ser utilizada por bombardeiros norte-americanos e alertou o Reino Unido de que “qualquer base utilizada para uma agressão contra território iraniano constitui um alvo legítimo para as nossas forças”.
Agentes armados detiveram um grupo de cinco homens no domingo, depois de uma chamada para os serviços de emergência sobre três “veículos suspeitos que pareciam dirigir-se para a base aérea”, informou a Polícia Metropolitana de Londres em comunicado.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse aos jornalistas que os homens “queriam provocar grandes danos” na base no sudoeste de Inglaterra.
“Estivemos a vigiá-los durante muito tempo e apanhámo-los”, acrescentou, referindo que os Estados Unidos e o Reino Unido tinham trabalhado em conjunto na resposta ao incidente.
Uma residente nas imediações, que disse ser conhecido na zona que a base estava em confinamento devido a uma “ameaça terrorista”, alertou os serviços de emergência depois de ver três carrinhas a bloquear a estrada e um grande grupo de homens com capuzes e balaclavas.
À agência de notícias PA, explicou que achou “espantoso” que tivesse dependido, na prática, de uma “cidadã determinada” reparar em atividade invulgar para dar o alerta.
Cerca de 85 famílias na aldeia vizinha de Whelford foram aconselhadas a sair de casa, e peritos militares em desativação de explosivos foram chamados para examinar três grandes carrinhas brancas imobilizadas numa estrada rural.
Incidente "sob controlo"
“A unidade de combate ao terrorismo pode agora confirmar que está a liderar uma investigação a um incidente ocorrido durante a noite perto da RAF Fairford, em Gloucestershire”, acrescentou o comunicado da Met.
Imagens aéreas transmitidas pelas televisões mostraram um robô de desativação de bombas a mover-se em torno das carrinhas, duas das quais com as portas traseiras abertas.
A polícia considerou que o incidente estava “sob controlo” e montou um cordão de segurança de 400 metros.
Agentes armados podiam ser vistos a guardar a entrada da base.
Em março, o então primeiro-ministro Keir Starmer autorizou ações “defensivas” dos Estados Unidos contra posições de mísseis iranianos a partir de duas bases britânicas, incluindo Fairford.
O novo primeiro-ministro, Andy Burnham, estava a ser mantido informado sobre o incidente, adiantou um porta-voz do governo.
Burnham, que se encontrava na cidade de Liverpool, no noroeste de Inglaterra, com outros ministros de topo para a conferência anual do Partido Trabalhista, agradeceu à polícia, às forças armadas e aos residentes que foram convidados a sair de casa “enquanto se realizam verificações de segurança por precaução”.
Ataques através de intermediários
Fairford é a base no Reino Unido da 501st Combat Support Wing, uma unidade de apoio administrativo da força aérea norte-americana, que afirmou em comunicado que nenhum elemento da força aérea dos Estados Unidos esteve envolvido no incidente.
“A 501st Combat Support Wing agradece a rápida resposta e o apoio contínuo dos nossos parceiros das forças de segurança locais”, referiu.
“Mantemos uma estreita coordenação com os nossos parceiros britânicos para ajudar a garantir a segurança das nossas forças e das comunidades locais”, acrescentou.
O incidente ocorre num contexto de preocupação com a atuação de Estados estrangeiros hostis.
A ministra do Interior, Shabana Mahmood, acusou o Irão e a Rússia de utilizarem intermediários para realizar atividades criminosas em seu nome em território britânico.
No início deste mês, notícias deram conta de que instalações militares britânicas foram visadas por drones mais de 300 vezes ao longo do último ano.