Ministros dos Negócios Estrangeiros da UE reúnem-se esta segunda-feira para reforçar a resposta a ataques híbridos, enquanto a chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas, avisa que a Rússia prepara mais sabotagens na Europa.
A UE está a preparar um novo mecanismo para coordenar a resposta a sabotagens russas e a outros ataques híbridos, numa altura em que responsáveis europeus alertam que Moscovo planeia novas operações em todo o continente.
Os ministros dos Negócios Estrangeiros da UE, reunidos em Bruxelas esta segunda-feira, receberam mandato para desenvolver o chamado “protocolo de segurança de emergência” do bloco, concebido para ajudar os Estados-membros a coordenar de forma rápida as suas respostas quando é identificada uma ameaça híbrida.
“Temos de estar vigilantes porque a informação de que dispomos mostra que a Rússia está a planear mais atos de sabotagem”, afirmou a responsável pela política externa da UE, Kaja Kallas, à chegada à reunião.
Kallas afirmou que estes ataques têm como alvo a democracia europeia, procurando dividir comunidades e intimidá-las para que retirem o apoio à Ucrânia.
“Temos de ter isto presente ao enfrentar estas ameaças”, acrescentou.
O mecanismo, impulsionado por Kallas e pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, pretende estar no centro da resposta da UE à guerra híbrida.
Apresentado por von der Leyen no discurso sobre o Estado da União, em Estrasburgo, em meados de setembro, passará a integrar uma nova estrutura de segurança e poderá ser ativado por um Estado-membro quando for identificada uma ameaça híbrida.
Os países da UE reunirão então para coordenar a resposta.
Kallas explicou que o mecanismo abrangerá incidentes que fiquem “abaixo do limiar da agressão armada”, mas que exigem ainda assim uma resposta.
A urgência tem sido sublinhada por uma série de incidentes recentes, incluindo a violação do espaço aéreo da Finlândia por um avião russo sobre o golfo da Finlândia, na sexta-feira, que levou as autoridades finlandesas e suecas a lançar aviões de combate.
O ministro da Defesa finlandês, Antti Häkkänen, afirmou à entrada da reunião de segunda-feira que a Europa e a NATO têm de adotar “medidas mais amplas” e garantir uma “coordenação mais forte” para contrariar este tipo de ações.
Questionado sobre a violação do espaço aéreo de sexta-feira, Häkkänen defendeu que o incidente deve servir de impulso para que a Europa reforce ainda mais as suas defesas aéreas. “Precisamos de dinheiro”, disse, acrescentando: “Precisamos de compras conjuntas”.
O ministro da Defesa sueco, Pål Jonson, afirmou que a Rússia procura “amedrontar” e “intimidar” os aliados da Ucrânia através de ataques híbridos, mas considerou que essa estratégia irá falhar, uma vez que a UE continua a apoiar Kiev e a impor novas restrições a Moscovo.
“Saudamos mais medidas no combate à frota sombra, mais sanções, mais restrições de vistos e, naturalmente, mais apoio à Ucrânia”, sublinhou.
O incidente ocorreu no mesmo dia em que o Serviço de Informações de Defesa da Dinamarca (DDIS) afirmou que o risco de ação militar russa contra países da NATO está a aumentar, embora considere uma invasão em larga escala “altamente improvável”, ainda que não impossível.
O diário espanhol El Mundo noticiou também, na semana passada, que a Rússia poderá estar a preparar uma operação com drones contra Espanha, França e Itália.
O recém-nomeado ministro da Defesa da Estónia, Martin Herem, afirmou à entrada da reunião de Defesa que a prioridade de Tallinn é continuar a apoiar a Ucrânia, seja através de iniciativas bilaterais, seja de novas discussões sobre os ativos russos imobilizados, objeto de um longo debate.
“Tudo isto apesar de o ministro dos Negócios Estrangeiros russo (Sergey Lavrov) nos ter ameaçado por essa razão e de as forças especiais russas estarem a levar a cabo atos de sabotagem”, declarou.
Espera-se ainda que os ministros discutam o primeiro Relatório de Prontidão de Defesa da UE, descrito pela Reuters como uma avaliação que alerta para o facto de o bloco não estar a rearmar-se com rapidez suficiente para poder defender-se da Rússia até 2030.
O ano de 2030 foi identificado por vários serviços de informações europeus como um momento potencial a partir do qual o Kremlin poderá estar preparado para desencadear uma agressão armada contra aliados da NATO.
Para reduzir esse risco, os Estados-membros da UE têm de colmatar lacunas na defesa aérea e antimíssil, nas capacidades de combate terrestre, nas forças navais, nos depósitos de munições e nos sistemas de drones, segundo a Reuters.