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Coreia do Norte vê primeira ponte rodoviária com a Rússia como sinal de laços mais estreitos

Camião proveniente da Rússia chega a Rason após atravessar a primeira ponte rodoviária para a Coreia do Norte, 7 de setembro de 2026
Camião vindo da Rússia chega a Rason após atravessar a primeira ponte rodoviária para a Coreia do Norte, 7 de setembro de 2026 Direitos de autor  AP Photo
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De Gavin Blackburn
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Abertura na segunda-feira ocorreu numa altura em que a Rússia e a Coreia do Norte reforçaram significativamente os laços militares e económicos desde que Moscovo lançou a invasão em grande escala da Ucrânia, em 2022.

A Coreia do Norte considerou a primeira ponte rodoviária sobre a sua estreita fronteira com a Rússia um sinal concreto do reforço das relações, noticiaram esta terça-feira os meios de comunicação estatais, numa altura em que Pyongyang tira partido dos poderosos vizinhos, Moscovo e Pequim.

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A ponte sobre o rio Tumen, em direção à Rússia, e uma outra ligação em construção para a China fazem parte de uma mudança que oferece a Pyongyang, alvo de sanções ocidentais, opções económicas e estratégicas há muito desejadas, segundo especialistas.

A Coreia do Norte “vai assegurar simultaneamente duas grandes rotas terrestres que a ligam à Rússia e à China, permitindo-lhe fomentar a concorrência entre os dois países e maximizar os ganhos”, afirmou Lim Eul-chul, professor na Universidade de Kyungnam.

O académico acrescentou que as pontes também “podem ser uma mensagem dirigida aos Estados Unidos de que a Coreia do Norte não tem motivos para implorar a Washington um alívio das sanções ou fazer concessões em matéria de desnuclearização para negociar”.

A Rússia salientou que a ponte foi concebida para acompanhar o aumento do transporte de mercadorias, com capacidade para até 300 veículos por dia, acrescentando-se às ligações ferroviárias e aéreas já existentes entre os dois países.

O grupo ucraniano de direitos humanos Truth Hounds, porém, já tinha alertado que a nova ponte pode transformar-se “numa artéria direta para o envio de tropas norte-coreanas, brigadas de construção e responsáveis militares para a Rússia, com tecnologia e recursos russos a circular no sentido inverso”.

Camiões norte-coreanos atravessam a nova ponte entre a Rússia e a Coreia do Norte, 7 de setembro de 2026
Camiões norte-coreanos atravessam a nova ponte entre a Rússia e a Coreia do Norte, 7 de setembro de 2026 AP Photo

A cerimónia de segunda-feira que assinalou a inauguração da nova ponte realizou-se numa altura em que a Rússia e a Coreia do Norte reforçaram significativamente os laços militares e económicos desde que Moscovo lançou a invasão em larga escala da Ucrânia, em 2022.

Em 2024, a Coreia do Norte enviou milhares de soldados para a Rússia para ajudar a travar uma incursão ucraniana na região de Kursk, enquanto Kiev acusou Moscovo de utilizar mísseis norte-coreanos nos seus ataques regulares.

Em julho, o banco central da Coreia do Sul estimou que a economia norte-coreana cresceu mais de 3% em 2025, pelo terceiro ano consecutivo, apontando a expansão da cooperação económica com a Rússia como “principal motor”.

Um responsável do banco acrescentou que o rendimento nacional bruto da Coreia do Norte também “beneficiou de um forte aumento das receitas em moeda estrangeira” associado ao envio das suas tropas para a Rússia.

China, Rússia e Coreia do Norte: bloco em formação

“A conclusão da ponte é um acontecimento significativo que acrescenta uma nova dinâmica ao conjunto da cooperação bilateral”, afirmou o responsável norte-coreano Pak Thae-song, citado pela agência estatal KCNA.

A Coreia do Norte e a China já estão ligadas pela Ponte da Amizade Sino-Coreana, regularmente utilizada por comboios de passageiros, mas com capacidade limitada.

Após uma longa interrupção, a ponte reabriu parcialmente e retomou este ano os serviços diários de comboios de passageiros com a China, mas ainda não voltou a emitir vistos turísticos para cidadãos chineses, que em tempos representavam a maioria dos visitantes estrangeiros.

Visitantes atravessam a ponte destruída sobre o rio Yalu, junto à Ponte da Amizade que liga a China e a Coreia do Norte, na província de Liaoning, 9 de setembro de 2017
Visitantes atravessam a ponte destruída sobre o rio Yalu, junto à Ponte da Amizade que liga a China e a Coreia do Norte, na província de Liaoning, 9 de setembro de 2017 AP Photo

A Coreia do Norte mantém há muito um controlo apertado sobre os visitantes estrangeiros e fechou de facto as fronteiras no início da pandemia de COVID-19, há seis anos.

Especialistas esperam que a nova ponte sobre o rio Yalu, pensada como alternativa e eventual substituta da Ponte da Amizade Sino-Coreana, fique concluída ainda este ano.

A conclusão da ponte “envia uma mensagem política e geopolítica que demonstra a formação de um ‘bloco triangular continental Coreia do Norte-China-Rússia’”, afirmou Lim.

Outras fontes • AFP

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