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Monte Fuji: fotógrafa vive no cume para captar extremos

Nascer do sol visto do cimo do monte Fuji, Oyama, Japão, em 4 de setembro de 2026.
O sol nasce visto do cume do Monte Fuji, em Oyama, Japão, em 4 de setembro de 2026 Direitos de autor  Copyright 2026 The Associated Press. All rights reserved
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De Yolaine De Kerchove Dexaerde
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Para a maioria das pessoas, o Monte Fuji é um destino. Para Megumi Ueda, tem sido local de trabalho e casa durante grande parte dos últimos 17 anos.

A fotógrafa japonesa Megumi Ueda passa a época de escalada a viver e a trabalhar num santuário xintoísta perto do cimo da montanha mais alta do Japão.

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Dos 3 776 metros acima do nível do mar, fotografa nasceres e pôres do sol e as mudanças do tempo, ao mesmo tempo que avisa os alpinistas sobre as condições que podem encontrar.

Ueda subiu pela primeira vez ao Monte Fuji na casa dos 30 anos, depois de uma amiga lhe ter recomendado a ascensão. Mais tarde, candidatou-se a um trabalho num santuário de montanha, que lhe permitiu passar mais tempo no topo e fotografar.

Vida no topo

A primeira época foi difícil. Diz que não tinha acesso a banho e pouca liberdade, enquanto grandes grupos de alpinistas passavam pelo cimo. Mas as paisagens convenceram-na a voltar.

“Quando finalmente desci, virei-me, olhei para o Monte Fuji e todas aquelas imagens regressaram de repente. Desatei a chorar”, conta.

Desde então, Ueda tem regressado na maioria das épocas de escalada. Trabalha agora no santuário, ajuda a preparar refeições para a equipa e, ao mesmo tempo, fotografa a montanha.

A fotógrafa Megumi Ueda tira uma fotografia a partir do topo do Monte Fuji, no Japão.
A fotógrafa Megumi Ueda tira uma fotografia a partir do topo do Monte Fuji, no Japão. AP Photo

Todos os dias, acorda por volta das 04:00 para captar o nascer do sol. “Não se consegue criar aquela paisagem”, diz.

Ueda sente-se especialmente atraída pela experiência partilhada de ver o nascer do sol com alpinistas de todo o mundo.

“Provavelmente não há muitos lugares onde toda a gente, pessoas de países tão diferentes, olha na mesma direção e partilha aquele espanto coletivo”, afirma.

Alpinistas observam o nascer do sol a partir do topo do Monte Fuji.
Alpinistas observam o nascer do sol a partir do topo do Monte Fuji. AP Photo and Megumi Ueda / @mushphoto

Mostrar os riscos da montanha

A fotografia de Ueda não se limita às vistas espetaculares do Monte Fuji. Documenta também o seu clima duro e imprevisível.

As alterações climáticas provocadas pelo ser humano estão a ter um impacto grave nos padrões meteorológicos da montanha. Os picos do Monte Fuji costumam receber uma primeira camada de neve no início de outubro, mas o aumento das temperaturas fez com que o cimo ficasse sem neve até ao início de novembro, em 2024.

Isto marcou o período mais longo sem neve desde que há registos, há cerca de 130 anos.

Todos os dias, Ueda mede a temperatura e a velocidade do vento no topo e publica a informação online, acompanhada de vídeos que mostram as condições.

Diz que a prova visual pode ajudar as pessoas a compreender melhor os riscos do que os números por si só. “No topo, a temperatura é como em pleno inverno, em fevereiro”, explica.

Ventos fortes podem tornar impossível caminhar e a fraca visibilidade complica ainda mais a situação. “Acho que muitas pessoas simplesmente não esperam que o tempo seja tão rigoroso”, diz.

Megumi Ueda mede a temperatura e a velocidade do vento no topo do Monte Fuji.
Megumi Ueda mede a temperatura e a velocidade do vento no topo do Monte Fuji. AP Photo

Ajudar os alpinistas a estar seguros

Mais de 200 000 pessoas sobem o Monte Fuji durante a época oficial de escalada.

Ueda recebeu formação em primeiros socorros em ambiente de montanha e diz que tem ajudado repetidamente em operações de resgate perto do cimo. Já encontrou pessoas com hipotermia por chegarem mal agasalhadas, bem como alpinistas que caíram e não conseguiram prosseguir.

A fotógrafa diz que quer que as atualizações em tempo real deem às pessoas uma imagem mais clara das condições no topo.

“No topo não há webcams nem nada do género, por isso quero ser eu a transmitir essas condições”, afirma. “Faço isto porque espero que ver as condições reais ajude a aumentar a sensibilização para a segurança.”

A comunicação social japonesa noticiou que pelo menos seis pessoas morreram nas encostas do Monte Fuji durante a época de escalada deste ano.

Pessoas sobem o Monte Fuji durante a época oficial de escalada da montanha, no Japão.
Pessoas sobem o Monte Fuji durante a época oficial de escalada da montanha, no Japão. Copyright 2026 The Associated Press. All rights reserved

Beleza e perigo

Para Ueda, documentar o Monte Fuji implica mostrar as duas faces da montanha. Continua a fotografar os nasceres do sol que a levaram de volta ao topo, enquanto usa as redes sociais para destacar os perigos que os alpinistas podem enfrentar.

“Quero continuar a pensar em formas de garantir que todos podem desfrutar de escalar a montanha em segurança e regressar em segurança”, sublinha.

A época de escalada terminou. Ueda tenciona regressar no próximo verão, continuando a documentar a vida no topo e as mudanças nas condições da icónica montanha do Japão.

Editor de vídeo • Yolaine De Kerchove Dexaerde

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