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UE: Taxa digital pode render até 25 mil milhões de euros por ano no próximo orçamento

Eurodeputada Danuše Nerudová durante uma audição da Comissão dos Orçamentos do Parlamento Europeu
Eurodeputada Danuše Nerudová durante uma audição da Comissão dos Orçamentos do Parlamento Europeu. -  Direitos de autor  EP-202808A/Alain ROLLAND
Direitos de autor EP-202808A/Alain ROLLAND
De Luca Bertuzzi
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Uma taxa digital proposta pelo Parlamento Europeu poderá gerar até 25 mil milhões de euros por ano para o próximo orçamento da UE, cinco vezes a estimativa da Comissão, segundo dados partilhados com a Euronews pela eurodeputada Danuše Nerudová.

Uma contribuição digital proposta pelo Parlamento Europeu para ajudar a financiar o próximo orçamento de longo prazo da UE pode gerar até 25 mil milhões de euros por ano, segundo a eurodeputada Danuše Nerudová.

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As novas estimativas colocam a receita das taxas propostas pelo Parlamento a nível da UE muito acima do que a Comissão Europeia calculou inicialmente.

As negociações estão numa fase decisiva. Os países da UE procuram chegar a acordo sobre o próximo Quadro Financeiro Plurianual até ao fim do ano e os novos “recursos próprios”, que entrariam diretamente nos cofres da União, continuam a ser um ponto de tensão central.

“Precisamos de novos recursos próprios para assegurar o reembolso da dívida conjunta e financiar novas prioridades no orçamento da UE”, disse Nerudová (Chéquia/PPE) à Euronews.

Pediu aos serviços do Parlamento que calculassem quanto poderiam render os impostos propostos, aplicáveis em toda a UE, sobre jogo online, serviços digitais e criptoativos. As suas conclusões divergem profundamente das da Comissão.

Segundo as estimativas do Parlamento, a que a Euronews teve acesso em exclusivo, a contribuição digital poderia gerar até 25,2 mil milhões de euros por ano, cinco vezes mais do que o valor apontado pela Comissão.

“O Parlamento Europeu está a trabalhar com uma base tributária muito mais ampla do que a Comissão. O setor tecnológico inclui também, por exemplo, serviços de streaming e de processamento de dados, que a Comissão omitiu por completo”, afirmou Nerudová.

A proposta do Parlamento alarga o âmbito da contribuição muito para lá da publicidade e dos serviços de intermediação e aumenta a taxa de 3% para 5%. A estimativa da Comissão baseava-se nos impostos sobre serviços digitais já existentes em França, Espanha e Itália.

“Trata-se de uma estimativa muito conservadora, embora seja bastante mais elevada do que a proposta da Comissão. Mas a grande diferença está na base tributária que usamos nos nossos cálculos”, acrescentou Nerudová.

Vários Estados-membros, entretanto, manifestaram ceticismo em relação a uma contribuição digital devido a “preocupações geopolíticas”, nomeadamente o risco de o governo dos EUA retaliar com novas medidas comerciais.

“Estas reações estão a surgir mesmo sem a contribuição digital. Temos muitos gigantes tecnológicos a operar em toda a Europa sem pagar a sua parte justa. Esta é a ferramenta para tributar essas empresas, que não atuam nas mesmas condições de concorrência que as europeias”, sublinhou Nerudová.

“É o instrumento certo para obter receitas para o orçamento da UE de forma sustentável”, acrescentou.

Na área do jogo online, a estimativa do Parlamento mais do que duplica a da Comissão: 3,9 mil milhões de euros contra 1,9 mil milhões. Aponta também para uma receita de 3 mil milhões de euros com um imposto sobre mais-valias de criptoativos, face aos 2,4 mil milhões previstos pela Comissão.

O imposto sobre jogo online enfrenta forte resistência em Malta, onde se situam as sedes europeias de muitos operadores de apostas na internet.

O imposto sobre mais-valias de criptoativos é em geral bem acolhido, mas considerado muito difícil de aplicar, por ser fácil de contornar e estar sujeito à volatilidade deste mercado.

Questionada sobre se a Comissão conseguiria aplicar estes impostos a tempo do início do próximo período orçamental, em 2028, Nerudová admitiu que as negociações já estão atrasadas.

“O imposto sobre criptoativos pode ser complicado, mas uma contribuição digital é bastante fácil de aplicar a nível da UE”, concluiu.

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