O grupo Shell, um dos responsáveis pelo projeto, prevê que o campo, ao largo da Escócia, possa fornecer cerca de 6,5% da produção de gás do Reino Unido.
O governo do Reino Unido anunciou esta quarta-feira planos para iniciar a perfuração num polémico campo de gás no mar do Norte.
A decisão foi bem acolhida por grupos do setor energético, mas criticada por ambientalistas, que alertaram para um aumento das emissões de carbono. O campo Jackdaw situa-se 240 quilómetros a leste de Aberdeen, na Escócia.
O governo argumenta que o projeto pode reforçar a segurança energética do Reino Unido, numa altura em que a guerra no Irão está a fazer subir os preços da energia.
“Numa altura em que as pessoas estão realmente em dificuldades, faz sentido olharmos de forma responsável para como podemos maximizar as reservas de energia existentes que temos na Grã-Bretanha e que podem ajudar”, afirmou o primeiro-ministro trabalhista, Andy Burnham.
“Estamos empenhados em avançar para as energias renováveis e em atingir a neutralidade carbónica até 2050. Mesmo com esta estratégia climática ambiciosa, continuaremos a precisar de petróleo e gás para satisfazer parte das nossas necessidades energéticas durante as próximas décadas”. acrescentou.
Os críticos defendem também que a medida pouco fará para reduzir as faturas de eletricidade das famílias britânicas, uma vez que os preços do petróleo e do gás são definidos pelos mercados globais.
Um tribunal escocês decidiu no ano passado que as autorizações concedidas anteriormente a Jackdaw e Rosebank, outro projeto de petróleo e gás no mar do Norte, eram ilegais por não terem em conta as suas emissões indiretas de carbono.
O governo ainda não decidiu se aprova Rosebank, que deverá conter as maiores reservas de petróleo por explorar do Reino Unido.
Zack Polanski, líder do Partido Verde, de esquerda, classificou a decisão como “vandalismo climático”, enquanto a Greenpeace afirmou que a autorização revela “o controlo tóxico que os lóbis dos combustíveis fósseis continuam a exercer sobre a nossa política energética”.
“O verdadeiro pragmatismo passa por pôr fim à nossa dependência de petróleo e gás caros, que deixa as famílias britânicas de rastos, alimenta fenómenos meteorológicos extremos e coloca a nossa segurança energética à mercê dos petro-estados”, afirmou Ami McCarthy, responsável pela área política da Greenpeace Reino Unido.