Euronews is no longer accessible on Internet Explorer. This browser is not updated by Microsoft and does not support the last technical evolutions. We encourage you to use another browser, such as Edge, Safari, Google Chrome or Mozilla Firefox.

Última hora

Última hora

Timoshenko recusa sair da Ucrânia

Timoshenko recusa sair da Ucrânia
Tamanho do texto Aa Aa

Para vir ao congresso do Partido Popular Europeu, em Bruxelas, a líder do partido da oposição ucraniana, “Pátria “, Yulia Timoshenko necessitou de autorização do Gabinete do Procurador Geral. Ela está sob investigação por suspeita de irregularidades financeiras durante o mandato como primeira-ministra. Em entrevista à Euronews, Timoshenko afirmou que desde as eleições presidenciais, de há um ano, houve muita coisa que mudou na Ucrânia.

Euronews: Desde que deixou o cargo de primeira-ministra, têm surgido várias denúncias contra si. São injustas? Rejeita-as?

Yulia Timoshenko: Claro que sim. É uma repressão política em grande escala, que começou na Ucrânia. Todos os membros da oposição estão ser indiciados ou estão já na prisão. É por isso que eu quero agradecer ao atual presidente, ao governo e a todas as forças de segurança pois no ano passado investigaram todo o meu trabalho como primeira-ministra e, apesar do forte desejo de encontrarem alguma coisa, eles não encontraram nada. Para mim isso dá-me credibilidade e reabilita-me.

E: Mas o inquérito continua. E se, como você diz – por detrás estão as autoridades e o sistema judicial, que não é muito independente, não será melhor e mais seguro ficar aqui e pedir asilo político? Afinal, arrisca-se a ir para a cadeia.

YT: Eu jamais abandonaria a Ucrânia neste período difícil. Eu nunca deixaria as pessoas que votaram em mim – mais de 11 milhões de ucranianos. Volto para casa para defender a Ucrânia, o Estado de direito, a democracia, os direitos e liberdades. Eu não quero que eles percam a esperança – vou ficar com eles, mesmo que as autoridades cheguem ao extremo de me colocarem na prisão ou até mesmo se permanecer em liberdade. Em qualquer caso, vou ficar com a Ucrânia.

E: Quão séria é a situação? Diz que está degradada…

YT: Sim, muitas pessoas hoje, na Ucrânia e no estrangeiro, sentem que de há um ano a esta parte, o país está a enveredar por um caminho oposto ao da democracia, da liberdade e das nossas intenções europeias. É uma situação muito difícil. Hoje as pessoas sentem falta de liberdade e estão com medo. A corrupção corrói todas as bases do nosso Estado. Eu sei que hoje a situação é grave mas vamos superar esta fase. Hoje, os oligarcas controlam os “media”, grande parte do capital e detêm todos os poderes, sem exceção. Hoje, a divisão tripartida do poder – legislativo, executivo e judicial – desapareceu na Ucrânia. Agora está tudo reunido num único grande sistema, operado por um homem e os seus correligionários. São os alicerces da democracia que estão as ser destruídos na Ucrânia.

E: Uma das principais conquistas da democracia ucraniana foi a liberdade de expressão. Será que ela está em perigo?

YT: Penso que seja melhor ouvir, não o que diz a oposição sobre isso mas, o que diz uma organização internacional como os Repórteres Sem Fronteiras, que no ano passado baixou a avaliação da Ucrânia, nas suas avaliações sobre a liberdade de expressão. Hoje, na Ucrânia, há um movimento de jornalistas contra a censura, que reúne mais de mil jornalistas de todos os órgãos. A sociedade civil, os jornalistas, a oposição – todos estamos em luta. Lutamos contra o regime autoritário que, infelizmente, domina a Ucrânia há já um ano.

E: Hoje, o caso do assassinato do jornalista Gongadze voltou à ordem do dia na Ucrânia – o ex-presidente Kuchma chegou mesmo a ser interrogado. A liberdade de expressão parece ser também importante para as autoridades. Isto não a contradiz?

YT: Infelizmente, isso é uma grande ilusão. Vemos que hoje a economia e a sociedade estão completamente arruinadas, que as pessoas estão privadas da liberdade. O governo decidiu desviar a atenção dos problemas atuais. Não acho que o caso que foi lançado contra o ex-presidente da Ucrânia, termine de forma justa. Estou convencida de que isto é simplesmente uma tática de diversão.

E: Disse que há um ano, a Ucrânia, enveredou por um caminho oposto à Europa. Isso significa que será mais favorável à Rússia? Qual é o problema?

YT: Não. Enveredou por um caminho de falta de liberdade, de anti-democracia, de injustiça e de corrupção. É nesse sentido que vai e isso não está nada relacionado com a Rússia.

E:Será que o atual governo irá estreitar os laços entre a Ucrânia e a Rússia?

YT: Eu gostaria que esses laços fossem entre dois parceiros e não entre um irmão mais velho e o mais novo, com uma relação de superior e subordinado entre um país grande e poderoso e, como eles dizem, um território adjacente. Eu quero que sejam relações de vizinhança, relações de parceria, de igualdade, que prevejam benefícios mútuos e satisfação mútua para ambos os países.

E: Há um ano quase metade dos eleitores ucranianos votou em si. Sente-se capaz de defender as posições deles?

YT: Absolutamente. Eu trabalho para isso. As pessoas, hoje, estão escandalizadas! Sentem-se injustiçadas, ansiosas, indignadas, mas acredito que os ucranianos sejam, no espírito e nos genes, homens livres. A história formou-nos assim. Nós não só somos homens livres, como estamos sempre prontos para lutar pela nossa independência, pela nossa liberdade. Eu acho que os ucranianos vão sair desta situação. Mas o mais importante é que a Ucrânia tenha o apoio dos nossos amigos, dos nossos parceiros na União Europeia, no mundo ocidental. Para nós isso é importante.

E: Há uma onda de revoluções que atravessa os países do norte de África e do Médio Oriente. A situação na Ucrânia é potencialmente explosiva, revolucionária?

YT: Sim. Quando as pessoas são levadas ao desespero e não têm outra maneira, exceto a revolução… Na verdade o país arrisca-se a explodir. O novo presidente leva a Ucrânia a isso. As pessoas estão indignadas, querem influenciar a política. Não querem ficar à parte.

E: Será que a Europa tem responsabilidade no facto de a revolução de 2004 ter terminado com alguma deceção?

YT: Penso que a Europa não tem nenhuma responsabilidade nisso. Eu acho que este político, o Iouschenko, a quem o país deu o poder através da revolução, foi baixo e não resistiu à tentação de voltar ao velho modelo de “oligarquia mais política”. Isso tem dificultado a revolução ucraniana. Mas, na verdade, os ucranianos não perderam a fé. Sim, de alguma forma, eles estão dececionados, mas ao mesmo tempo, comparando os cinco anos que se seguiram à revolução com o que está a acontecer hoje, eles sabem que têm tido muito mais liberdade, em todas as áreas das suas vidas, e muito mais justiça.