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O arrebatamento de Don Carlo em Salzburgo

O arrebatamento de Don Carlo em Salzburgo
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O Festival de Salzburgo celebra os 200 anos do nascimento de Giuseppe Verdi levando à cena três das suas óperas. Entre elas “Don Carlo”, uma das suas composições mais fascinantes, a mais longa das suas obras.

A liberdade de um homem perante a liberdade de um povo. Um pai e um filho que não conseguem comunicar. O conflito íntimo versus o confronto político. O labirinto das relações humanas. Um elenco irrepreensível, sob a batuta do maestro Antonio Pappano. “Em Don Carlo, encontramos tonalidades muito particulares. O violino num registo mais baixo, o recurso frequente à corda do sol, logo no início… Os violoncelos combinados, juntamente com os baixos, numa fusão com os fagotes. Depois acrescentam-se as trompas, os trombones, num quadro de sons muito sombrio”, explica Pappano.

O atormentado, vulnerável, arrebatado Don Carlo, cujo pai lhe rouba a noiva para a coroar como rainha de Espanha, é interpretado por Jonas Kaufmann, que confirma o estatuto como o grande tenor da atualidade. Segundo Kaufmann, “é um Don Carlo que tanto está lá em cima, como em baixo, ou seja, está sempre a avançar e recuar entre pensamentos contraditórios. No dueto do segundo ato, ele entra e começa de uma forma muito suave, muito calma. De repente, rebenta…. Ele quer respeitar as regras e as convenções mas, logo a seguir, deixa-se levar pelo que sente por ela.”

O prestigiado tenor descreve o desafio de um Don Carlo que é “um personagem que traz inúmeras emoções diferentes. Agora, organizá-las e condensá-las, é toda uma outra estória.” Para Pappano, “aquilo que fica na memória é a tonalidade do quarto ato até ao final, porque é aí que, de alguma forma, tudo se concentra, é onde chegamos ao coração do drama, ao lado íntimo da vida do rei.”