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“Rolezinho": Revolta social ocupa ‘shoppings’ brasileiros

“Rolezinho": Revolta social ocupa ‘shoppings’ brasileiros
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Depois dos protestos em junho passado contra o Campeonato do Mundo de futebol, um novo fenómeno – o “rolezinho” – invade o Brasil, desta vez concentrado em centros comerciais. Os “rolezinhos” são “encontros” em massa organizados através das redes sociais. Atraem centenas de jovens que acabam a entoar músicas e a dançar ao som do “funk” numa espécie de “flashmob”. O objetivo da ação: chamar a atenção das autoridades para os problemas da discriminação racial e da desigualdade social.

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Segundo o jornal Folha de S.Paulo, os “rolês” começaram em 2012 sob o nome de “encontro de fãs”, na altura incitados sobretudo por jovens das periferias com inúmeros seguidores no Facebook, que distribuíam autógrafos e tiravam fotografias com os “simpatizantes”. Mas o fenómeno, que mereceu a atenção de vários jornais internacionais, começa agora a ganhar outros contornos.

De acordo com o inglês The Guardian, os “rolezinhos” realizados em dezembro, em shoppings ocupados principalmente por consumidores ricos e brancos, parecem ter envolvido sobretudo jovens predominantemente negros e pobres, motivo que, aliado à resposta da polícia, “acrescentou uma dimensão política a tais eventos”.

O primeiro protesto foi realizado no dia 7 de dezembro, no shopping Metrô Itaquera, na zona leste da cidade de São Paulo. Neste dia, participaram cerca de seis mil jovens e, para os dispersar, a polícia usou gás lacrimogéneo e bastões.

No passado domingo, segundo indicava a página do evento no Facebook, mais de 9000 participantes pretendiam aderir ao “encontro” num dos maiores centros comerciais do Rio de Janeiro, o shopping Leblon. Depois das confusões ocorridas nos últimos “rolezinhos” e temendo que a violência e vandalismo ganhassem relevo, vários centros comerciais optaram por fechar as portas. Alguns conseguiram, inclusive, o apoio da justiça, que ameaçou quem participasse com uma multa de 10 mil reais, cerca de 3000 euros. Esta atitude de prevenção, contudo, não impediu os manifestantes de se reunirem à entrada do centro comercial, num encontro com direito a churrasco e dança.

Esta nova forma de protesto está a levantar uma discussão acesa entre vários políticos. A presidente brasileira, Dilma Rousseff, já convocou uma reunião para abordar o tema.

Entretanto, vários “rolezinhos” continuam agendados nas redes sociais. E o fenómeno, que começou na cidade de São Paulo, alastra-se agora a várias outras: Brasília, Rio de Janeiro, Pernambuco, Santa Catarina e São Bernardo.

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