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Tsunami de 2004: A miséria para quem já era pobre

Tsunami de 2004: A miséria para quem já era pobre
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De Marco Lemos com Reuters, APTN, EFE, AFP
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Lakshmi perdeu quatro filhos nesse fatídico dia de Natal de 2004. As ondas de choque do maremoto ainda não pararam. Luta com o alcoolismo do marido e tem uma criança deficiente para cuidar.

As ondas monstruosas criadas pelo maremoto, há 10 anos, inundaram de morte as cidades e vilas costeiras e devastaram a vida de milhões de pessoas.

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Só em Nagapattinam, no sul da Índia, perto de 6000 pessoas morreram, na maioria pescadores e seus familiares.

Lakshmi perdeu quatro filhos nesse fatídico dia 26 de dezembro de 2004. As ondas de choque do tsunami ainda não pararam. Luta com o alcoolismo do marido e tem uma criança deficiente para cuidar.

Afirma que está “sempre preocupada” com o filho porque “ele não consegue andar normalmente”. Diz estar “triste e inquieta pelo destino” do filho, que tem de “levar todos os dias ao hospital para fisioterapia e injeções”. Confessa ter “três problemas: tratar da família; encontrar o dinheiro para gerir a casa e o rapaz”, problemas que, garante, até lhe tiram o apetite.

Para pagar as contas dos tratamentos do filho e para por comida na mesa, Lakshmi tem vendido o pouco que tem:

“Hipotequei as minhas joias e com a indemnização que recebi por causa do tsunami tenho gerido a casa. Do fundo, já gastámos 300.000 rupias (perto de 4.000 euros) e ainda tivemos de pedir dinheiro emprestado aos vizinhos”, confessa.

O marido, Kolandavelu, sai de casa, manhã cedo, mas é para ir jogar às cartas com os amigos. Regressa à noite, com as mágoas afogadas no álcool. Já voltou à faina, mas raramente contribui para a casa.

O homem promete “dar algum dinheiro à família, quando ganhar mais algum” e admite que quando não ganha o suficiente para ele também não dá “nenhum para a casa”.

Esta família de pescadores é apenas uma, entre milhares a quem o maremoto mudou para sempre a vida, mergulhando na miséria quem já vivia na pobreza.

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