Protestos no Burundi: Polícia desmantela barricadas e deixa pelo menos um morto

Protestos no Burundi: Polícia desmantela barricadas e deixa pelo menos um morto
De  Francisco Marques com Lusa, AP, ONU
Partilhe esta notíciaComentários
Partilhe esta notíciaClose Button

Decisão de Pierre Nkutrunziza de se recandidatar a um terceiro mandato presidencial incendiou os ânimos. Bélgica suspende apoio às eleições

PUBLICIDADE

A menos de um mês e meio das eleições presidenciais no Burundi, marcadas para 26 de junho, a controversa decisão do atual chefe de Estado — anunciada há pouco mais de duas semanas e registada na sexta-feira — de se recandidatar a um terceiro mandato continua a provocar vítimas.

Os protestos sucedem-se e este domingo à margem de uma manifestação de mulheres contra Pierre Nkurunziza, a polícia decidiu desmantelar nas ruas da capital algumas barricadas levantadas nas últimas semanas por manifestantes anti-presidente.

#Burundi:Gov't, political parties&religious groups sign joint statement condemning violence un_greatlakes</a> <a href="https://twitter.com/menub2015">menub2015pic.twitter.com/Hxi3xxSwGl

— UN Political Affairs (@UN_DPA) 8 maio 2015

A operação policial encontrou resistência. Houve confrontos e, de acordo com testemunhos não confirmados de forma independente, pelo menos mais uma pessoa morreu e uma outra ficou ferida. O balanço de mortos no Burundi, devido aos protestos contra o ainda chefe de Estado, está nos 18 mortos desde 26 de abril, dia em que Nkuruntiza anunciou a recandidatura.

Na origem da violência está a Constituição do Burundi, redigida e ratificada em 2005, após a difícil negociação dos chamados Acordos de Arusha, que colocaram fim à guerra civil no país e abriram caminho à democracia. A lei impede um Presidente de concorrer a um terceiro mandato, mas Pierre Nkurunziza alega que o seu primeiro mandato iniciado em 2005 não conta porque resultou da eleição direta pelo Parlamento e não pelo povo.

A oposição não concorda e os protestos tem-se sucedido desde o anúncio da candidatura. A violência entre polícia e manifestantes tem vindo a agravar-se. Cerca de 50 m il pessoas já fugiram da escalada de violência no Burundi, avançam as Nações Unidas (ONU). O Presidente emitiu, entretanto, um comunicado a condenar o escalara da violência e responsabilizou os partidos da oposição.

Agitação pré-eleitoral no #Burundi causa a fuga de milhares de pessoas, declara agência da ONU http://t.co/vS0qFcjRI0

— ONU Brasil (@ONUBrasil) 8 maio 2015

Este domingo, pela primeira vez, um grupo de cerca de de 300 mulheres juntou a voz aos protestos contra o Presidente. “Estamos cansadas. Queremos paz. Queremos o respeito pela nossa nação e pelas nossas leis. A nossa Constituição é sagrada. Assim como os Acordos de Arusha. Esses acordos trouxeram-nos a paz depois de 10 anos de guerra, na qual perdemos os nossos filhos e filhas. Não queremos isso nunca mais”, defendeu Ketin Vyabandiyaya, uma das manifestantes.

A manifestação feminina deste domingo, em Bujumbura, decorreu sem problemas, mas a decisão da polícia de desmantelar as barricadas levantadas nas últimas semanas pelos manifestantes em várias outras artérias da capital levou a mais confrontos.

#Tanzania: The majority of those fleeing #Burundi & now sleeping on the lake shores are women & children – new photos pic.twitter.com/N8pYZOjI7p

— UN Refugee Agency (@Refugees) 10 maio 2015

Testemunhas acusam a polícia de recorrer ao uso de armas de fogo contra os manifestantes e terem morto pelo menos uma pessoa e ferido outra. As autoridades desmentem ter aberto fogo.

Sete na corrida com o Presidente

Para as presidenciais de 26 de junho existem, pela primeira vez, oito candidaturas, incluindo a de Pierre Nkurunziza. Três das principais figuras da oposição, Agathon Rwasa (independente pela Frente Nacional de Libertação — FNL), Gerard Nduwayo (União para o Progresso Nacionl — UPRONA) e Jean Minani (Frente pela Democracia no Burundi — FRODEBU Nyakuri), estão na corrida.

Também candidatos são o antigo Presidente Domitien Ndayizeye (coligação RANAC), Jacques Bigirimana (FNL), Jean de Dieu Mutabazi (coligação COPA) e o também ex-chefe de Estado Sylvestre Ntibantunganya (independente).

New from our team in Kakunga, #Tanzania where we are trying to assist & move approx 10,000 fleeing #Burundipic.twitter.com/etm6Z83irS

— UN Refugee Agency (@Refugees) 11 maio 2015

Este domingo, entretanto, arrancou oficialmente a campanha eleitoral para as eleições municipais no Burundi, que estão marcadas para 26 de maio. O Conselho de Segurança Nacional exigiu no sábado que “os insurgentes parassem de imediato as suas ações”. Domingo ainda houve problemas, mas esta segunda-feira, o Burundi acordou mais calmo.

Writing on the wall in Bujumbura: back story to powerful images by fil</a> <a href="https://twitter.com/hashtag/AFP?src=hash">#AFP</a> <a href="https://twitter.com/hashtag/photojournalism?src=hash">#photojournalism</a>&#10;<a href="http://t.co/6BPqFJTtWY">http://t.co/6BPqFJTtWY</a> <a href="http://t.co/TeogNMGo7h">pic.twitter.com/TeogNMGo7h</a></p>&mdash; AFP Correspondent (AFPblogs) 7 maio 2015

A Bélgica, por fim, decidiu de recuar no apoio à Comissão Nacional de Eleições de Burundi. O governo de Bruxelas havia aprovado um apoio de 4 milhões de euros, dos quais metade já terá sido mesmo avançada, mas esse apoio foi suspenso esta segunda-feira.

“O vice-primeiro-ministro e ministro da Cooperação para o Desenvolvimento Alexander De Croo decidiu suspender provisoriamente o apoio ao processo eleitoral do Burundi. (…) O vice-primeiro-ministro crê que, nas atuais circunstâncias, o pagamento dos restantes dois milhões de euros deve de ser suspenso”, lê-se num comunicado do governo belga.

Reportagem das Nações Unidas sobre os refugiados do Burundi

Partilhe esta notíciaComentários

Notícias relacionadas

Agricultores espanhóis em protesto invadem centro de Madrid com centenas de tratores

Agricultores checos levam tratores ao centro de Praga

Agricultores polacos prometem continuar protestos na fronteira com a Ucrânia