Didier Reynders, MNE da Bélgica: "Podemos dar tempo à Bélgica; mesmo diminuir as taxas de juro"

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Inauguração da nova sede da Euronews, em Lyon, feita com entrevista a Didier Reynders, vice-primeiro-ministro da Bélgica, ministro dos Negócios Estrangeiros, Comércio e Assuntos Europeus. A análise qu

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A inauguração da nova sede da Euronews, em Lyon Confluence, celebrou-se com uma entrevista política a Didier Reynders, vice-primeiro-ministro da Bélgica, ministro dos Negócios Estrangeiros, Comércio e Assuntos Europeus.

Sophie Desjardin, euronews – Didier Reynders, tem uma longa carreira política, foi ministro das Finanças, em 1999, e preparou a transição para o euro, que olhar sobre a moeda única, 15 anos depois? Valeu a pena?

Didier Reynders – Sim, creio que é uma moeda que reforçou, verdadeiramente, a posição da Europa a nível internacional. Por exemplo, no setor industrial, depois do euro, a Airbus ganhou competitividade em relação à Boeing, simplesmente porque podemos negociar os contratos em euros, podemos trabalhar nas grandes exportações em euros.
Evidentemente que a vida foi facilitada num grande número de empresas na zona euro e para as jovens gerações tornou-se a sua moeda. É um dos últimos sonhos europeus realizados, é preciso, por isso, sonhar outros sonhos.

euronews – Mas entre os que nunca quiseram entrar e ameaçam sair, ainda há bolsas de resistência à ideia de base.

Didier Reynders – Constatamos que o euro se aguenta porque, antes de tudo, reforçámos os instrumentos, o Banco Central Europeu tem agora o controlo dos bancos, e a crise bancária passou por eles, mas assistimos a uma evolução. Em 1999, quando comecei como ministro das Finanças, éramos 15 na União Europeia. Mantive-me no departamento uma dúzia de anos, mas hoje somos 19 na zona euro. Se, há 15 anos, tivéssemos dito que essa passagem se faria a este ritmo, ninguém acreditava, e vai progredir.

euronews – E a saída da Grécia da zona euro é provável?

Didier Reynders – É possível, se os gregos o desejarem. Porque não ter uma Europa de escolhas feitas pelo seu povo?

euronews – Há algum tempo, sobre a questão, respondeu que a saída causaria danos.

Didier Reynders – Não digo que será simples se a Grécia sair da zona euro, desejo que o Reino Unido se mantenha na União, mas não podemos ir contra as suas escolhas se elas forem claras, definitivas, de diferentes populações de diferentes países. Se esse for o caso, temos meios para gerir uma crise destas. O receio, de há alguns anos, era que a saída induzisse uma reflexão sobre a Espanha, Portugal e talvez outros.

Esse é o receio. Apesar de termos meios de ação mais fortes, o meu desejo é que dediquemos umas horas e uns dias, nas próximas semanas, para chegarmos a acordo com a Grécia. É muito simples. Podemos dar tempo à Grécia, a Grécia, quanto a mim, pode tomar o tempo necessário para honrar a dívida, podemos mesmo diminuir suficientemente as taxas de juro pois ganhamos sempre dinheiro com os empréstimos que os Estados europeus concedem à Grécia, mas o governo deve comprometer-se a fazer o caminho nesse sentido.

euronews – Movimentos como o Syriza, na Grécia e Podemos, em Espanha, afetam o cenário político e demonstram uma certa rejeição de algumas políticas europeias. Leva-los a sério?

Didier Reynders – É verdade, porque é um desenvolvimento a que assistimos em muitos países, principalmente no sul da Europa, naqueles que sofreram mais. Compreendo a afirmação de correntes políticas que reivindicam alternativas. Não é, necessariamente, uma rejeição da Europa.

euronews – Na verdade, eles dizem que querem uma Europa mais social, diferente.

Didier Reynders – Uma Europa diferente é algo que podemos debater. Não partilho os pontos de vista dessas formações, mas posso entender o debate político sobre as orientações políticas. O que gostava, simplesmente, é que na Grécia, e nos outros países, a mudança da política nacional cabe apenas aos governos, a Atenas. Esperamos apenas que o governo grego nos diga: aqui estão as medidas que vamos tomar.
Se um partido quer elevar os impostos dos ricos, e eles o fizerem, são os gregos que decidem. Não sou favorável ao programa do partido agora no governo, mas se têm opções, que o façam.

euronews – No Reino Unido, onde David Cameron foi reeleito, está prometido um referendo sobre a possível saída da União Europeia. É bluff?

Didier Reynders – É sempre arriscado, porque, no caso de consultas populares ou referendos, nunca se sabe como vão os eleitores decidir. Dito isto, é uma questão legítima, que o resto da Europa deve aceitar e colocar também. Como devem ser distribuídas as competências na Europa? A que nível pode gerar-se matéria para a Europa e até que ponto pode fazê-lo um município ou uma região, terá efeitos? Alguns assuntos, como Defesa e segurança, devem ser geridos apenas ao mais alto nível europeu, mas partilho a ideia de que há muita coisa a fazer, em termos de participação e competências, a nível local e regional.

euronews – Então, quais são as concessões que se podem fazer a Cameron? Qual é o limite?

Didier Reynders – A linha vermelha é a que impede cada país de trabalhar para os próprios interesses e escolhas. A decisão tem de ser europeia, devemos manter o método comunitário.

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euronews – Desde o atentado contra o Charlie Hebdo, em França, a Europa vive sob ameaça do terrorismo. Lidera o debate sobre a cooperação contra o terrorismo. Há desenvolvimentos?

Didier Reynders – Já foram tomadas algumas medidas urgentes, nomeadamente na segurança e intercâmbio de informações, o que nos permite acompanhar mais eficazmente a circulação de terroristas estrangeiros.

euronews – Mas os serviços de informação não se enquadram nas competências da União Europeia…

Didier Reynders- Não, é a Bélgica que coordena a luta contra o terrorismo, e Gilles de Kerkove queixa-se frequentemente. Não há coordenação com os serviços de informação.

euronews – E pode ser eficaz?

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Didier Reynders – Há progressos. Vou agora em visita à INTERPOL, em Lyon, pois, em questões policiais, é com a INTERPOL que trocamos informações. É eficaz.
De qualquer lugar do mundo, a prioridade é intensificar a cooperação, estou sempre a repeti-lo. Quando se trata de dados dos passageiros aéreos, surpreendeu-me que não os dessem, por serem da vida privada, nome, origem e destino. Estão em jogo vidas humanas. Ocorrem dramas como os do voo da Germanwings Barcelona-Düsseldorf e, como ministro, nos dois minutos seguintes fui contactado para dizer se havia belgas a bordo. Mas como posso eu saber, se há proteção de dados? Em caso de acidente, todos concordam com a necessidade de ter acesso aos dados para lutar contra o terrorismo. Não tem sentido

euronews – Sobre imigração. O drama dos imigrantes ilegais está a afetar cada vez mais a opinião pública. A ideia de quotas para quem pede asilo é apenas uma boa ideia?

Didier Reynders – Temos de mostrar uma maior solidariedade a nível europeu, especialmente em relação ao asilo. É um direito a ser respeitado, devemos acolher os que são perseguidos. Em comparação, a imigração por motivos económicos, devida à extrema pobreza, deve ser travada com ações (principalmente nos países de origem), com a ajuda ao desenvolvimento.

euronews – Repete-se há vários anos….

Didier Reynders – Diz-se o mesmo há vários anos, mas não se faz o suficiente. Temos de fazer compreender às nossas populações que, se não o fizermos por solidariedade ao menos que o façamos por interesse. Interessa-nos que as pessoas não queiram fugir à miséria nos seus países. E há que lutar contra os traficantes. Não gosto de estabelecer quota, mas se partilharmos o esforço, podemos dar as boas vindas em conjunto a essas pessoas e, se não as soubermos acolher ou se elas não quiserem ir para determinado país, que possamos repartir os encargos, em termos financeiros.

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