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Voo MH17: Investigação holandesa confirma sistema de mísseis russo na origem da tragédia

Voo MH17: Investigação holandesa confirma sistema de mísseis russo na origem da tragédia
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O Conselho de Segurança da Holanda (OVV, na sigla original) revelou esta terça-feira o relatório final sobre a tragédia do voo MH17. A investigação concluiu que o avião, um Boeing 777 com 298 pessoas a bordo, foi abatido por um míssil disparado a partir de um sistema de lançamento de tipo Buk, fabricado na Rússia.

Depois de as conclusões do relatório terem sido apresentadas em primeira mão a familiares das vítimas e entidades creditadas, o presidente da OVV, Tjibbe Joustra, conduziu uma apresentação pública do documento.

(“Detonação de ogiva 9N314M lançada por sistema de mísseis Buk provocou a queda do MH17.”)
 

Sistema de mísseis Buk

A expressão "buk" significa "faia", uma espécie de árvore de grande porte. A palavra serviu para a antiga União Soviética batizar um sistema de defesa antiéreo, preparado para lançar mísseis terra-ar, de médio alcance, com a função de intercetar mísseis de cruzeiro e aeronaves. Começou a ser criado em 1972 e foi integrado no arsenal soviético seis anos depois. Mais tarde foi desenvolvido e modernizado pela Federação Russa, após a dissolução da URSS.

Atualmente, o Buk é desenvolvido pela Almaz-Antey, um consórcio fundado em 2002, juntando várias unidades russas do fabrico de armas, e sediado em Moscovo. A mais recente versão do "Buk" foi integrado no exército russo no ano passado, mas o modelo utilizado para derrubar o MH17 terá sido um modelo antigo. Pode disparar diversos tipos de mísseis, incluindo os 9M38, integra radar e pode atingir alvos de superficie a distância estimada de 15 km (terra) a 25 km (mar) ou aeronaves a voar numa altitude até 25.000 metros e a uma distância de até 42 km.
“O voo MH17 despenhou-se em resultado da detonação de uma ogiva no exterior do aparelho, sobre o lado esquerdo do ‘cockpit’ (a cabina de pilotagem). Esta ogiva era do tipo 9N314M. Faz parte de um género de míssil que é instalado no sistema BUK de (lançamento de) mísseis terra-ar. Em resultado da detonação, a parte da frente do avião foi arrancada. O aparelho partiu-se no ar e os destroços caíram numa área com cerca de 50 quilómetros na parte leste da Ucrânia”, afirmou o responsável da OVV.

[ Relatório final, em PDF, da investigação da OVV à queda do voo MH17 ]

O míssil, identificado no relatório como sendo um 9M38, terá sido disparado algures numa área com cerca de 320 quilómetros quadrados no leste da Ucrânia, onde já há meses decorria (e ainda decorre) um violento confronto entre o exército ucraniano e forças rebeldes separatistas. “Mais investigação forense é necessária para determinar o local de lançamento”, adianta o relatório.

Joustra defendeu que o espaço aéreo no leste da Ucrânia deveria ter estado fechado e que autoridades ucranianas terão falhado nesse capítulo. “Nenhuma das partes envolvidas reconheceram os riscos do conflito armado que acontecia no terreno”, alegou.

(“A Ucrânia tinha razões suficientes para ter fechado o espaço aéreo.”)

O presidente da OVV lembrou que quase todos os operadores aéreos estavam a usar rotas sobre a região porque ninguém previa que a aviação comercial pudesses estar em perigo. Outros três aviões sobrevoavam a mesma área quando o MH17 foi atingido por um míssil disparado por um sistema Buk. Outros 160 aviões terão cruzado os céus do leste da Ucrânia após a tragédia.

A OVV mostrou uma animação que reproduziu o que terão sido os derradeiros momentos do voo MH17, antes de se despenhar.

Joustra contou que recuperar os restos do avião foi um “processo complicado”. Alguns destroços apenas foram encontrados duas semanas depois e outros ainda poderão vir a ser descobertos. As primeiras partes do aparelho apenas chegaram à Holanda em dezembro — cerca de 5 meses após o incidente.

Os exames dos destroços sugeriram que um míssil terra-ar teria sido o responsável pela queda do avião. A reconstrução do aparelho validou a investigação.

Ao longo desta terça-feira, vamos dar-lhe todos os pormenores contidos neste relatório, que não aponta culpados, mas esclarece em grande parte o sucedido a 17 de julho de 2014. Uma parte do avião foi reconstruída e mostrada durante a apresentação das conclusões do relatório.

Uma equipa internacional de procuradores que está a investigar o caso do MH17 afirmou, por seu lado, ter identificado suspeitos de terem provocado a queda do avião no leste da Ucrânia. Os investigadores revelaram que os indícios encontrados “apontam na mesma direção”, sem, contudo, especificarem a quem.