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Bill Murray "arrasa" em Marraquexe

Bill Murray "arrasa" em Marraquexe
De  Ricardo Figueira com Lise Pedersen
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O júri deste ano do Festival Internacional de Cinema de Marraquexe não podia ser mais heterogéneo, já que conta com figuras que vão desde o lendário realizador americano Francis Ford Coppola, presidente do júri, à cineasta japonesa Naomi Kawase, passando pela antiga “Bond girl” ucraniana Olga Kurylenko.

(Os marroquinos) não só têm um grande talento, como ajudam-se muito uns aos outros. Isso faz com que tudo valha a pena.

A atual situação do mundo não foi esquecida, em particular os recentes atentados terroristas em Paris: “Agora, mais do nunca, é altura de falar com os amigos e vizinhos de todo o mundo, dizer que estamos unidos na amizade e na criatividade, algo que o cinema sempre encorajou”, disse Coppola na abertura do festival.

A atriz britânica Gemma Arterton está também entre os convidados: “África tem uma grande riqueza cultural e, muitas vezes, o cinema fica esquecido. É muito bom que haja este festival, isso significa muito para o cinema, sobretudo em Marrocos. Lembro-me do ano em que fiz parte do júri. Nesse ano (2012), o tema era Bollywood. Foi fantástico, deviam fazer isso em mais países. Há uma grande riqueza cultural, em termos de cinema”, conta a atriz.

O filme de abertura do festival foi “Rock the Kasbah”, de Barry Levinson, com Bill Murray no papel principal. O filme passa-se no Afeganistão, mas foi rodado em Marrocos: “Adoro este país, adoro as pessoas, os profissionais. Não só têm um grande talento, como ajudam-se muito uns aos outros. Isso faz com que tudo valha a pena”, diz Murray.

Durante estes dias, a praça Jemaa el-Fnaa fica ainda mais movimentada que habitualmente. A projeção de “Ghostbusters” atraiu uma grande multidão à praça. Ao mostrar este mega-sucesso de 1984, que fez de Murray uma estrela, o ator deum um verdadeiro espetáculo para o público.

Teve ainda tempo de falar com a euronews sobre o último filme: “Rock the Kasbah” conta a história, inspirada em factos verídicos, de uma rapariga que participa num concurso musical em que todos os outros concorrentes são homens: “Ela passou por muita pressão, várias ameaças e conseguiu mesmo cantar. Tornou-se numa heroína no país. Levantou-se e disse que as mulheres representam mais de metade da população e têm o direito a ser ouvidas, sobretudo a cantar”, conta Murray, a propósito da personagem.

Depois do apoio de Marrocos à França e à Bélgica, em redor dos recentes ataques terroristas, o país foi alvo de ameaças do Daesh, pelo que “a segurança, este ano, foi reforçada:“http://www.moroccoworldnews.com/2015/11/173745/terrorists-are-threatening-morocco-and-security-forces-know-it/”.

O cineasta francês Jean-Pierre Jeunet, membro do júri, reconhece que, de certa forma, a cultura teve de recuar face ao terror. “Há cerca de 30 anos, trabalhei no Charlie Hebdo, conheci o Cabu e o Wolinski. Quando soube o que lhes aconteceu, passei a pensar que, por exemplo, se me propuserem um filme que representa a imagem de vocês sabem quem (Maomé), vou recusar. Isso, de alguma forma, é uma renúncia. É admitir que, infelizmente, a kalashnikov é mais forte que a câmara”.

“O festival de cinema de Marraquexe continua popular como sempre junto do público marroquino.Esta décima quinta edição tem muitos talentos, tanto mundiais como da casa”, conclui a enviada especial da euronews a Marraquexe, Lise Pedersen.