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Quartos de "hotel" para astronautas em teste na Estação Espacial Internacional

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Quartos de "hotel" para astronautas em teste na Estação Espacial Internacional

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Módulo expansível experimental de atividade é enviado para a EEI na sexta-feira, a bordo do foguetão Dragão 8, da SpaceX. O BEAM, sigla pela qual é apelidado, vai manter-se 2 anos acoplado à “estrutura-mãe” em estudo e, um dia, pode vir a ser usado em viagens a Marte.

A NASA prepara-se para testar na Estação Espacial Internacional (EEI) a implementação do que poderá vir a ser a base do primeiro hotel espacial a receber turistas para lá da apelidada “última fronteira” e quem sabe para acomodar, um dia, a primeira tripulação a viajar para Marte.

O projeto chama-se Bigelow Expandable Activity Module (BEAM) e, traduzindo diretamente do nome em inglês, compreende um módulo expansível de atividade produzido pela empresa aeroespacial norte-americana Bigelow para ser acoplado a uma estrutura-mãe.

O módulo surgiu a partir de uma patente registada pela agência espacial dos Estados Unidos (NASA) na década de 90. A constituição integra diversas camadas de um tecido especial que permite a expansão da área útil. Através de um processo de insuflação, o habitáculo do módulo será pressurizado até equilibrar, no caso, os respetivos níveis com os da EEI, à qual será acoplada numa porta “umbilical” no módulo “Tranquility” da estação, com recurso a um braço mecânico.

No interior do habitáculo, a temperatura e os níveis de radiação serão monitorizados por sensores do BEAM. O esperado impacto de diversos materiais a vaguear pelo espaço na mesma órbita da EEI será também avaliado em termos de resistência da estrutura exterior do módulo. Se a estrutura exterior for perfurada, o módulo está programado para se comprimir lentamente e garantir a segurança do resto da estação espacial.

O BEAM tem partida rumo à EEI prevista para sexta-feira, 8 de abril, a bordo do foguetão Dragão 8, da norte-americana SpaceX. O módulo experimental deverá permanecer acoplado à estação durante pelo menos dois anos para demonstração e estudo.

(Vamos lançar um habitat expansível para o espaço que pode abrir caminho a futuros habitáculos para viagens a Marte.)

Durante este período de teste, a alimentação do ar entre o BEAM e a estação irá manter-se fechado por motivos de segurança. Os astronautas da EEI apenas irão entrar no módulo para recolher informação e no que for necessário para a que a experiência possa confirmar as capacidades destes habitáculos expansíveis como a técnica de compressão, dobragem e arrumação do módulo, a resistência à radiação e à temperatura extrema do espaço, e a durabilidade da estrutura e da mecânica deste ainda protótipo.

O sucesso do projeto está também a alimentar a sagacidade da indústria do turismo de luxo. A confirmarem-se todas as potencialidades apontadas ao BEAM, este pode ser também o protótipo das primeiras acomodações turísticas para lá da última fronteira que representa ser a atmosfera terrestre.

(Eis as 6 pessoas a viver no espaço neste momento. A tripulação posa para uma foto na nave Cygnus.)

O astronauta britânico Tim Peake, que esta quinta-feira celebra 44 anos, foi membro da expedição espacial 46 e mantém-se a bordo da EEI, integrado na missão 47. De acordo com o jornal Huffingtonpost, @Astro_TimPeake, como o próprio se faz notar na rede social Twitter, teria escrito na plataforma digital TripAdvisor aquela que poderia ser a primeira crítica ao futuro hotel espacial: “Quarto adorável, uma pequena corrente de ar (…) comida um pouco seca…”

Apesar de a imagem (em baixo) sugerir a veracidade da opinião do astronauta, tudo não passará, claro, de uma brincadeira do jornal britânico. Até porque o primeiro contacto de Tim Peake com o BEAM ainda está por acontecer e dificilmente irá passar por dormir ou comer dentro do módulo antes de o britânico ter de abandonar, em junho, a EEI.

Tim Peake na TripAdvisor