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Fidel Castro: Os 90 anos de uma vida cubana

Fidel Castro: Os 90 anos de uma vida cubana
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Com Simona Volta, The Associated Press e Reuters

Fidel Alejandro Castro Ruz, conhecido no mundo como Fidel Castro, nasceu a 13 de agosto de 1926 em Birán, pequena localidade na província cubana de Holguín, região ocidental da ilha das caraíbas.

Chega ao poder em Cuba depois de liderar a Revolução comunista de 1959, sendo posteriormente nomeado Comandante das forças armadas e, mais tarde, primeiro-ministro.

Ao longo de quase cinco décadas à frente de Cuba e contra o poderoso inimigo norte-americano, Fidel colecionou vitórias improváveis, entre tentativas de invasões, crises de refugiados e o embargo económico imposto pelos EUA. Os seus 90 anos de vida confundem-se com a História de Cuba.

A invasão da Baía dos Porcos


Castro transformou a ilha de Cuba numa potencia regional. O amigo Ernesto Che Guevara ajudou-o a fundar o primeiro Estado comunista no Ocidente, o que não foi bem visto por Washington. A política de nacionalizações prejudicou os interesses dos Estados Unidos na ilha e muitos cubanos, na maioria afetos ao regime de Fulgencio Batista Zaldívar, refugiaram-se em território norte-americano, ansiosos por acabar com o regime comunista.
Em 1961, um grupo de exilados, treinados pela CIA, desembarca na Baia dos Porcos e tenta retirar Fidel Castro do poder.
Mas a operação é um falhanço e o conhecido como líder máximo da Revolução, dirige as tropas que repelem o comando, sobrevivendo ao ataque. Uma vitória que faz de Fidel Castro uma lenda viva na ilha de Cuba, nas Américas e no mundo.

A crise dos mísseis cubanos


A Cuba de Castro é comunista e antiamericana. Permanece, durante três décadas, um satélite soviético no Ocidente,próxima de Moscovo, cuja proteção lhe permite sobreviver ao embargo económico imposto pelos Estados Unidos.

Em 1962, em plena Guerra Fria, Castro e Nikita Krouchtchev decidem instalar um conjunto de mísseis na ilha, armas que deveriam pernamencer orientadas para orla costeira dos Estados Unidos. Uma ameaça descoberta pelos norte-americanos, que a dão a conhecer ao mundo e à qual desejam, a todo o custo, pôr fim.


O presidente John Fitzgerald Kennedy ordena então um bloqueio marítimo na região para impedir que os soviéticos entreguem armas a Cuba.

Washington renuncia depois, pelo menos de forma oficial, a qualquer invasão militar futura a Cuba. No entanto, a Comunidade Internacional assistiu a graves tensões entre os EUA e a URSS na que ficou conhecida como a crise dos mísseis cubanos, quando o mundo esteve mais perto do que nunca de um conflito nuclear.

Crise económica


Depois das penúrias causadas por décadas de embargo norte-americano, os anos oitenta foram período de crescimento para Cuba, sempre graças à ajuda soviética.

Uma ajuda que chegaria ao fim com a chamada perestroika ou reestruturação levada a cabo por Mikhaïl Gorbatchev no final dos anos 80. O líder soviético põe termo aos laços privilegiados entre Moscovo e Havana. Pouco tempo depois, a economia e sociedade cubanas sofrem as consequências.

A ilha fica assim sozinha face ao poderoso vizinho norte-americano com o colapso da URSS e com o fim do comunismo na Europa de leste. Mas Castro rejeita a morte do sistema na em Cuba. Havana permanece isolada nas Américas do início dos anos 90.

Crises de refugiados: O êxodo de Mariel e a história de Elián González


Uma nova crise económica faz com que uma nova vaga de refugiados deixe a ilha. Milhares de pessoas, às vezes famílias inteiras, buscam novas oportunidades nos Estados Unidos, na maior parte dos casos em embarcações precárias, as balsas. Muitos morrem durante o trajeto. Os balseros, como são conhecidos, são mais de 30 mil só no verão de 1994.

E é por causa dos refugiados que os EUA e Cuba se enfrentam mais uma vez, no ano 2000, por causa de uma criança de sete anos, o pequeno Elián González, que chega às costas do sul dos EUA alojado num pneu, à deriva no Estreito da Florida, depois de que todos os que o acompanhavam morressem afogados durante o trajeto.

Elián embarcara numa perigosa viagem com a mãe (uma das vítimas) sem a autorização do pai. O casal tinha-se separado. Ao chegar aos EUA, foi inicialmente entregue a um tio-avô, mas, depois de negociações com Havana, acabou por ser devolvido a Juan Miguel González, o pai, o que causou a ira dos cubanos de Miami.

A história de Elián correu o mundo e foi mais um de muitos capítulos das lutas de Castro contra o que chama el Império. Mais um capítulo e mais uma vitória contra el exílio. Os cubanos de Miami nunca perdoaram aos Estados Unidos o que viram como uma traição a favor do regime castro-comunista.

Esta foi, na verdade a terceira vaga de refugiados cubanos que deixava a ilha, depois de um primeiro grupo, nos anos que se seguiram à Revolução de 1959 e do movimento migratório em massa conhecido como o êxodo de Mariel, em 1980.

Há 26 anos, milhares de pessoas deixaram a ilha, ajudadas por cubanos e norte-americanos, residentes no sul da Florida. Um movimento migratório repentino, que teve um enorme impacto nos Estados Unidos, que “apanhou Washington de surpresa”, segundo o diário em espanhol El Nuevo Herald.


Muitos dizem dizem que o líder cubano permitiu que, em conjunto com trabalhadores e famílias que desejavam deixar o país, criminosos e grupos considerados marginais fugissem para os Estados Unidos, de forma a criar o caos em território inimigo.

Depois de Mariel, o sul da Florida nunca mais foi mesmo. De uma relativamente tranquila cidade costeira do sul dos Estados Unidos, Miami transformou-se, em menos de uma década, numa cidade com uma forte presença hispana, ainda que situada fora da América Latina. Muitos foram os protestos dos residentes e as tensões entre comunidades depois da chegada dos refugiados. Nos primeiros anos, o crime, a insegurança e o tráfico de droga em Miami passaram a fazer parte do quotidiano.

Há quem diga, passadas décadas, que a prosperidade e o desolvimento acidentados daquela parte do estado da Florida são obra, em primeiro lugar, de Fidel Castro.

Passagem de poder em família


Quase 10 anos depois de Mariel, a viagem do papa João Paulo II a Havana é um momento histórico. O papa condena o embargo económico de 35 anos imposto por Washington a Cuba e pede, por outro lado, a Fidel Castro a liberdade para os presos políticos e para o povo Cubano.

Orador especialista em longos discursos, Castro sofre, em 2001, um desmaio, diante das câmaras. A saúde do líder revolucionário começa a deteriorar-se e cinco anos mais tarde, Fidel é obrigado a deixar o poder, agora ocupado pelo irmão, Raul Castro.

Desde 2006, o líder da Revolução mais não faz do que raras e curtas aparições em público. Abandonou o uniforme militar, mas diz quem o conhece que continua com “alma de revolucionário”.

Críticos e defensores


Fidel Castro, o líder da Revolução Cubana, é, para uns, um herói, para outros, um simples ditador. Mas a verdade é que deixa, com 50 anos de governação comunista, uma herança muito pessoal marcada por um caráter forte.

Castro surpreendeu o mundo, em especial os Estados Unidos, ao derrubar o General que governava de forma ditatorial em Cuba, Fulgêncio Batista, amigo de Washington. Mas quem o critica diz que Cuba substituiu uma ditadura por outra e que nada mudou, em muitos aspetos.


Os defensores de Castro e do Governo comunista cubano recordam os importantes avanços a nível social e humano ocorridos em Cuba, como a redução da taxa de mortalidade infantil e a erradicação da taxa de analfabetismo e da subnutrição infantil.

A nível internacional, Havana participou ativamente na luta contra o Apartheid na África do Sul e interveio em países como Angola e Etiópia, para ajudar os Governos locais.

Os críticos de Fidel acusam-no de não permitir qualquer tipo de dissidência, crítica ou alternativa ao oficialismo. O Governo cubano é habitualmente acusado por diversas organizações de defesa dos Direitos Humanos de manter presos políticos, de censurar críticos e de não permitir a liberdade de expressão ou da imprensa.

Para a organização Repórteres Sem Fronteiras, a RSF, Cuba é uma das maiores prisões do mundo para jornalistas.