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Saúde de Clinton: um assunto de campanha

Saúde de Clinton: um assunto de campanha
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A candidata democrata à presidência dos Estados Unidos, Hillary Clinton, suspendeu a viagem de dois dias à Califórnia, depois de, no domingo, se ter sentido mal, na cerimónia do 11 de setembro.

A saúde de Clinton já é assunto de campanha.

Alasdair Sandford: Connosco está o nosso correspondente em Washington, Stefan Grobe.
A teoria da conspiração sobre o estado de saúde de Clinton foi afastada. Podemos dizer que a situação é agora completamente diferente?

Grobe: “Penso que sim, a campanha de Clinton vai ter agora de olhar para o problema de frente. O tema vai certamente dominar as notícias nos próximos dias, mas é preciso que os democratas lidem com isto de forma séria e transparente. A agenda de campanha foi alterada e isso vai alimentar ainda mais a narrativa dos seus detratores de que Clinton é instável e incapaz de ser presidente, e essas pessoas vão apresentar o incidente em Nova Iorque como uma prova de que onde há fumo, há fogo”

Sandford: “O vídeo onde Clinton quase a cair nas comemorações do 11 de setembro é impressionante. De que forma pode prejudicar a candidata apesar das garantias dadas sobre o seu estado de saúde?

Grobe: “Ainda é cedo para dizer. Senão vejamos, se colocarmos isto em perspectiva: ela tinha pneumonia, estava sob antibióticos e ficou por 90 minutos em pé, ao sol, sem água. Clinton não está a ser criticada por se ter sentido mal, mas pelo facto de a opinião pública só ter sido informada da pneumonia, dois dias depois de a doença ter sido diagnosticada, e só por causa do incidente em Nova Iorque. Isso alimenta a narrativa de secretismo e de falta de transparência. Dentro de duas semanas está previsto o primeiro debate televisivo entre Clinton e Donald Trump, e o resultado desse debate TV vai moldar o resto da corrida eleitoral, mais do que qualquer outra coisa.”

Sandford: O que tem dito Donald Trump sobre tudo isto e quais as consequências?

Grobe: “Bom, Trump permaneceu em silêncio durante quase um dia, o que é bastante raro. E esta segunda-feira, desejou as melhoras a Hillary Clinton. A campanha considera que este, também, é um momento muito delicado para os republicanos, que não podem parecer demasiado alegres. Afinal de contas, Trump é mais velho do que Clinton, não faz exercício físico e adora fast-food certo? O problema é que Trump não divulgou quaisquer registos médicos, mas apenas uma carta com quatro parágrafos do médico a dizer que o republicano é o candidato mais saudável de sempre na história dos Estados Unidos. Trump disse, esta terça-feira, ter feito exames médicos na semana passada e que vai revelar os resultados muito em breve. A questão que se coloca é: porquê só agora e não antes? Portanto, a questão da saúde é certamente um problema para ambas as campanhas.”