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Resgate financeiro da Grécia: O braço-de-ferro entre a Europa e o FMI

Resgate financeiro da Grécia: O braço-de-ferro entre a Europa e o FMI
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Após meses de bloqueio as negociações entre a Grécia e os credores estão a ser retomadas. As partes envolvidas nas conversações – zona euro e FMI – tentam avançar para evitar contrariedades saídas das eleições previstas em França, na Holanda e na Alemanha.

Há poucos dias o comissário para os Assuntos Económicos e Monetários, Pierre Moscovici deslocou-se a Atenas onde se encontrou com Alexis Tsipras, o primeiro-ministro que está na mira do eleitorado grego e mesmo do seu campo político.

Moscovici tenta o politicamente correto, mas exige mais reformas a Atenas: “Tem que haver para o povo grego – gosto muito dele e sou verdadeiramente amigo deste país – uma luz ao fundo do túnel da austeridade. Nós não defendemos a austeridade. E nenhuma instituição deve defender a austeridade. Mas, como disse, é preciso um conjunto equilibrado de reformas”.

Atenas tem margem de manobra até julho, altura em que vai ter que pagar, sete mil milhões de euros de créditos.
O terceiro plano de ajuda prevê um total de 86 mil milhões de euros até 2018

Por enquanto o Fundo Monetário Internacional (FMI) recusa participar neste financiamento por considerar os objetivos da eurozona irrealistas.
Para o FMI, o excedente orçamental a exigir não deve ir além de 1,5% do PIB a partir de 2018 e a dívida, que está nos 180% do PIB, deveria ser aligeirada – ou seja, perdoada em parte. Mas a Europa exige um excedente orçamental de 3,5% do PIB e não quer ouvir falar de perdão parcial de dívida.

Para participar no financiamento o FMI exige um agravamento da carga fiscal e mais cortes, nomeadamente ao nível das reformas, mas os gregos estão já asfixiados, com um terço da população no limiar da pobreza e o governo recusa.

“Esta é uma das caraterísticas da crise, que atingiu não só os pobres, mas também a classe média e a classe média alta”, diz o analista financeiro Andreas Pottakis.

Perante o impasse, há cada vez mais vozes, dentro e fora da Grécia, a avançarem com o fantasma de um Grexit – saída da Grécia da Zona Euro.
Uma solução, que seria também um grande risco como lembra o analista alemão de mercados, Robert Halver:
“O país não vai a lado nenhum na zona euro e toda a gente sabe isso. Eles deverão conseguir sair e ser-lhes concedido um alívio da dívida. No entanto, um alívio da dívida num ano de eleições na Alemanha não vai funcionar politicamente e depois, deverão os gregos deixar a eurozona numa Europa fragilizada? O Grexit seria a primeira peça de um dominó em queda”.

A reunião desta segunda-feira em Bruxelas será seguida de um encontro crucial entre Angela Merkel e Christine Lagarde. O tempo urge. Para além do calendário eleitoral, há que ter em conta o nervosismo crescente dos mercados financeiros.