Euronews is no longer accessible on Internet Explorer. This browser is not updated by Microsoft and does not support the last technical evolutions. We encourage you to use another browser, such as Edge, Safari, Google Chrome or Mozilla Firefox.
Última hora

Holanda: O populista Geert Wilders cada vez mais perto do governo

Holanda: O populista Geert Wilders cada vez mais perto do governo
Euronews logo
Tamanho do texto Aa Aa

A campanha eleitoral intensifica-se na Holanda. A menos de duas semanas do escrutínio, tudo parece estar em aberto. Cerca de um terço dos eleitores ainda não decidiu em quem vai votar.

A campanha tem sido dominada pelas políticas de imigração, pelo emprego, pela Europa e pelo bem estar social. Por enquanto, o Partido da Liberdade e da democracia do primeiro-ministro conservador, Mark Rutte, lidera as sondagens com uma curta margem.

“Estamos à frente nas sondagens, mas temos o Partido da Liberdade logo atrás, com Geert Wilders, por isso há ainda um grande risco de que ele venha a passar para a frente e penso que isso seriam muito más notícias. Eu vou fazer tudo para que o meu partido se mantenha na frente”, afirma Rutte.

Geert Wilders do Partido da Liberdade (PVV) tem como estandarte de campanha a saída da Holanda da zona euro e também da União Europeia. Para além disso, promete reduzir a idade da reforma para os 65 anos e abolir os cortes nos cuidados aos idosos. Populista, Wilders manifesta intenção de fechar as fronteiras para todos os refugiados,encerrar as mesquitas e proibir o Corão.

“Quando se fala de anti-semitismo, o corão tem mais anti-semitismo do que o Mein Mein Kampf, o livro de outra ideologia totalitária e violenta. Eu não quero nenhum Corão na Holanda, tal como interditámos o Mein Kampf”, afirma, acrescentando: “Penso que o Corão e mais especificamente o Islão não devem ser vistos como uma religião. Tem um livro santo, templos, imãs. Mas, na verdade, não é uma religião, é uma ideologia”.

“O que os jovens holandeses querem é estar integrados, querem ter amigos holandeses, ter uma vida normal na sociedade – não querem poder ir para uma escola islâmica e crescer e ser educados na intolerância, no ódio e na violência. Acredito que os direitos constitucionais não devem ser garantidos para qualquer coisa que não é uma religião mas uma ideologia”.

Um discurso que agrega. Segundo as sondagens, o partido de Geert Wilders vai provavelmente ficar com mais do dobro dos lugares no parlamento do que tinha. Na Holanda, cerca de 5% dos 17 milhões de cidadãos são muçulmanos. O país era conhecido pela tolerância multicultural, mas os receios quanto à imigração têm dominado a campanha.

“Pessoalmente eu não estou muito preocupada por mim, mas pelos outros, porque o ódio que ele está a espalhar pode tornar as pessoas cegas e pô-las uma scontra as outras, dividi-las”, afirma Dounia Jari, uma holandesa muçulmana.

É algo paradoxal que muitos eleitores holandeses se manifestem a favor do populismo numa altura em que a economia se porta bem. Mas, Mark Rutte apresentou um programa com austeridade para cumprir os critérios do défice da União Europeia, cortes que obviamente atingem sobretudo as classes média e média baixa e criam receios.

“A nossa sondagem mostra que uma parte da população está bastante pessimista quanto ao futuro. Isso corresponde a cerca de 30 a 35% da população holandesa, as pessoas com nível mais baixo de educação, o que é um terreno fértil para o partido de Wilders”, explica Maurice de Hond, de um centro de sondagens.

A eleição legislativa na Holanda é a primeira de três importantes eleições que decorrem este ano na União Europeia. Segue-se a França, na primavera e a Alemanha, em Setembro. Nos três países, o populismo não pára de ganhar terreno.