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Irlanda do Norte: A herança pacífica do "comandante" McGuinness

Irlanda do Norte: A herança pacífica do "comandante" McGuinness
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O ex-vice-primeiro-ministro do governo paritário da Irlanda do Norte faleceu esta terça-feira aos 66 anos de idade, dois meses após abandonar o anterior executivo regional.

Martin McGuinness tinha-se demitido a 9 de janeiro, em protesto contra a gestão de um escândalo financeiro por parte de Arlene Foster, a então ainda primeira-ministra do partido unionista.

Uma saída de cena, justificada dias depois por McGuinness, com o agravar do seu estado de saúde na sequência de uma doença genética.

Ex-comandante do IRA, Martin McGuinness foi uma figura chave do processo de paz com o grupo separatista, das negociações secretas a partir do final dos anos setenta ao primeiro cessar-fogo em 1994, passando pelos acordos de sexta-feira santa de 1998, que puseram fim a 29 anos de conflito marcados por mais de 3.700 mortos.

Suspeito de ter dirigido operações terroristas, McGuinness sempre rejeitou as acusações.

Após acompanhar o processo de desarmamento do IRA, McGuiness chega ao governo partiário em 2007, ao lado do seu inimigo de sempre o pastor unionista Ian Paisley, falecido há três anos.

O antigo “inimigo número um do Reino Unido” torna-se assim o símbolo de um processo de paz que conseguiu reconciliar os velhos inimigos e reinstaurar a autonomia do parlamento norte-irlandês, transportando a batalha do IRA e do partido Sinn Feinn, das armas para o debate político.

O jovem número dois da brigada do IRA de Derry, no dia do famoso “domingo sangrento” em 1972, vai assim, décadas mais tarde, apertar a mão pela primeira vez à rainha Isabel II em 2011, em Belfast e reunir-se por várias vezes com primeiros-ministros britânicos.

A saída de cena do político e ex-paramilitar, em janeiro, tinha levado à queda do governo paritário da Irlanda do Norte. Uma despedida que, após as eleições antecipadas, deixou o Sinn Fein lado a lado com os unionistas. Menos de 1000 votos separaram os dois partidos mais votados. Pela primeira vez, o Partido Democrático Unionista (DUP, na sigla em inglês) perdeu a maioria absoluta e o poder de veto na região. Talvez seja essa a última herança do combate de McGuinness pela independência, em pleno debate sobre o “Brexit” e a possível saída da Escócia do Reino Unido.