Encontro entre Mugabe, Chiwenga e enviados sul-africanos

Encontro entre Mugabe, Chiwenga e enviados sul-africanos
De  Antonio Oliveira E Silva
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Horas antes, Robert Mugabe disse que era "o líder legítimo do Zimbuabé" e não referiu intenção de deixar o cargo.

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Depois da tomada do poder por parte do exército zimbabueano, o ainda presidente Robert Mugabe surgiu em imagens na presença do líder militar, Constantino Chiwenga, e de representantes do Governo sul-africano, enviados por Pretória como mediadores.

O encontro lançou novas dúvidas sobre uma situação caótica e que deixou o país num impasse, uma situação seguida de perto pela vizinha África do Sul e pela Comunidade de Desenvolvimento da África Austral#, a SADC (sigla em língua inglesa).

Horas antes, os esforços de mediação levados a cabo por um padre em nada resultaram, com o presidente do Zimbabué a recusar o mediador.

Um país com futuro político ainda incerto

Apesar da expectativa causada pelo encontro, o diário The Herald, propiedade do Estado zimbabueano, publicou apenas algumas linhas sobre o assunto, deixando cerca de 13 milhões de pessoas sem saberem o que poderá acontecer nos próximos dias.

UPDATED: President, General Chiwenga meet https://t.co/myPedIsSdPpic.twitter.com/tLtu6sd1cG

— The Herald Zimbabwe (@HeraldZimbabwe) 17 novembre 2017

Robert Mugabe insistira, horas antes, no facto de que era “o líder legítimo do Zimbabué” e recusando-se a demitir e ignorando o que era descrito pelos jornalistas como uma “pressão crescente” por parte da oposição e do exército. A tomada de poder pelos militares é vista, para alguns, como o início do colapso da chamada era Mugabe. A medida parece ter afetado setores fundamentais para a sobrevivência do presidente, como os serviços de segurança e os serviços de informação.

Morgan Tsvangirai apela ao fim da era Mugabe

O líder da oposição, Morgan Tsvangirai, apelou a Mugabe que deixasse o poder, referindo o “interesse dos cidadãos” e do “povo zimbabueano”. Durante as declarações, Tsvangirai referiu-se a Mugabe como “senhor” e não como “presidente”.

Tsvangirai, agora com 65 anos, passou uma temporada no Reino Unido e na África do Sul, onde recebeu tratamento por causa de um cancro. Regressou a Harare na quarta-feira. Poderia ser um dos candidatos à liderança de um Governo de união nacional.

Alguns analistas apontam, no entanto, para a possibilidade de que o exército prefira que o antigo vice-presidente, Emmerson Mnangagwa, assuma o poder. Mas o importante, para os militares, parece ser evitar que a mulher do presidente, Grace Mugabe, de 52 anos, se apeoxime da presidência.

Grace Mugabe, a impopular

Grace Mugabe é pouco popular entre a população, sendo conhecida como DisGrace (DesGraça) ou Gucci Grace (Alusão à marca de alta costura italiana que costuma usar). No início dos anos 90, deu início a uma relação com Mugabe, quando a então esposa do presidente, Sally Mugabe, se encontrava às portas da morte, vítima de doença renal.

António Guterres apela à calma e moderação no Zimbabwehttps://t.co/HBgwtIqRdRpic.twitter.com/7H2caFanWD

— O País Online (@opaisonline) 16 novembre 2017

Grace Mugabe preconizou uma ascenção imparável nos últimos dois anos no seio do partido ZANU-PF. O afastamento de Mnangagwa, conhecido como “O Crocodilo”, do cargo de vice-presidente, deu início à atual crise que se vive no país do sul do continente africano. Robert Mugabe ocupa a presidência do Zimbabué desde a emancipação da maioria negra da então Rodésia, anteriormente Rodésia do Sul. Para muitos, trata-se de um herói dos movimentos das independências africanas, apesar dos atropelos aos Direitos Humanos de que tem sido acusado pela oposição e Comunidade Internacional, durante o seu longo mandato.

O antigo “celeiro de África”, agora em crise

O Zimbuabué chegou a ser conhecido como “o celeiro de África”, mas a economia entrou em colapso, depois da campanha levada a cabo por Mugabe para retirar das mãos dos agricultores da minoria branca as quintas responsáveis pela produção agrícola nacional, na década de 2000.

Em 2008, a sua decisão de aumentar a impressão de notas fez com que a inflação disparasse para níveis sem precedentes. Posteriormente, o país viveu uma ligeira estabilidade, mas os níveis de pobreza continuam elevados.

Calcula-se que cerca de três milhões de zimbabueanos tenham emigrado, muitos para a África do Sul.

Com Marco Lemos e agência Reuters

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