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Macron estende a mão a uma Turquia "cansada" de esperar pela adesão à UE

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Macron estende a mão a uma Turquia "cansada" de esperar pela adesão à UE

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O Presidente francês, Emmanuel Macron, declarou que as "evoluções recentes" na Turquia, na área dos direitos humanos, impedem "qualquer avanço" nas negociações de adesão do país à União Europeia (UE).

"No que respeita à relação com a União Europeia, é claro que as evoluções recentes e as escolhas [de Ancara em matéria de Estado de direito] não permitem qualquer avanço no processo iniciado", sustentou Macron, numa conferência de imprensa conjunta com o Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, no final de um encontro em Paris.

"Devemos abandonar a hipocrisia que consiste em pensar que é possível uma progressão natural para a abertura de novos capítulos [de negociação]", observou Macron, admitindo que teve uma "conversa muito franca" com Erdogan sobre o assunto.

A propósito, o Presidente francês considerou ainda que "a União Europeia nem sempre agiu bem com a Turquia, porque a fez crer que eram possíveis coisas que não o eram de maneira nenhuma".

Na impossibilidade da adesão, Macron propôs à Turquia uma "parceria com a UE" para preservar "a ancoragem" deste país à Europa. "É preciso ver se não podemos repensar esta relação, não no âmbito de um processo de integração, mas talvez de uma cooperação, de uma parceria com uma finalidade: a de preservar a ancoragem da Turquia e do povo turco à Europa e fazer com que o seu futuro se construa tendo em conta a Europa e com a Europa", disse o chefe de Estado francês.

"A minha vontade é que façamos mais em conjunto, é que a Turquia permaneça ancorada, ligada à Europa, mas penso que o processo [de adesão], tal como foi aberto, não poderá ser concluído nos próximos anos", insistiu.

Para tal, Macron sugeriu que se inicie nos próximos meses um "diálogo apaziguado" e "repensado, reformulado num contexto mais contemporâneo, tendo em conta as realidades atuais".

Erdogan: "A Turquia não pode implorar permanentemente uma entrada na UE"

O Presidente da Turquia afirmou por seu lado que o seu país está "cansado" de esperar uma eventual adesão à União Europeia (UE), em declarações aos 'media' após um encontro em Paris com o seu homólogo francês Emmanuel Macron.

"Não podemos implorar permanentemente uma entrada na UE", declarou Recep Tayyip Erdogan numa conferência de imprensa conjunta, e quando o processo de adesão da Turquia se encontra praticamente bloqueado desde o início, em 2005, das conversações oficiais.

Erdogan chegou hoje a Paris para manter conservações com Macron, na sua primeira deslocação a França desde a intensa repressão desencadeada pelo Governo de Ancara sobre diversos setores da oposição na sequência do fracassado golpe militar de julho de 2016.

Em resposta aos protestos de rua que o acolheram em Paris e relacionados com a deterioração da liberdade de imprensa e direitos humanos no seu país, o líder turco considerou o seu país "um Estado de direito acima de tudo".

Macron referiu na conferência de imprensa conjunta ter questionado o líder turco sobre casos específicos de jornalistas, através de uma lista fornecida pela organização Repórteres sem Fronteiras (RSF).

Erdogan disse que o sistema judicial na Turquia é independente, mas que iria fornecer ao seu ministro da Justiça os nomes dos casos que foram referidos para obter mais informação sobre a sua situação.

Disse ainda que a Turquia combate numerosos inimigos no interior do país, desde o grupo 'jihadista' Estado Islâmico (EI) aos rebeldes do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK).

O chefe de Estado turco vincou ainda que "o terrorismo não surge por si só" e que as "ideologias" devem ser combatidas.

Contrato para um estudo em defesa aérea antimíssil

Paris e Ancara assinaram no mesmo dia um contrato de estudo em defesa aérea e antimíssil no decurso da visita a França do Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan.

O contrato, de montante desconhecido, relaciona-se com o estudo de definição do sistema de defesa aérea e antimíssil de longa distância Loramids (Long-Range Air and Missile Defense System) entre as sociedades turcas Aselsan e Roketsan e franco-italiana Eurosam, e o Governo turco, segundo a presidência francesa.

Estes armamentos são fabricados pelo consórcio franco-italiano Eurosam, onde participam designadamente o grupo francês Thales e o fabricante de mísseis europeu MBDA.

"Previsto por um período de 18 meses, o estudo de definição destina-se a preparar o contrato de desenvolvimento e produção do futuro sistema para responder às necessidades operacionais da Força aérea turca", precisou a Eurosam em comunicado separado.

Este sistema deverá "garantir à Turquia uma total autonomia em termos de utilização e permitir uma escolha soberana do nível de integração no interior da NATO", precisa o comunicado.

Estes sistemas de defesa antiaérea já são utilizados pelas Forças armadas francesa e italiana.

Os países da NATO não esconderam a sua inquietação quando o Presidente Erdogan anunciou em setembro a assinatura de um contrato com a Rússia para a aquisição de sistemas de defesa antiaéreo S-400.

Estes sistemas de mísseis de tecnologia russa não são compatíveis com os da Aliança Atlântica e o anúncio foi encarado como uma manifestação de desagrado por parte do Presidente turco, num cenário de graves tensões com diversos dirigentes europeus e os Estados Unidos.

(Com Lusa)