O líder da oposição Péter Magyar acusa Viktor Orbán de traição e de recorrer a agentes russos para influenciar as eleições de 6 de abril, numa altura em que as sondagens colocam o Tisza à frente do Fidesz.
O líder da oposição húngara, Péter Magyar, qualificou o primeiro-ministro Viktor Orbán de traidor e acusou-o de ter recorrido a agentes russos para interferirem nas próximas eleições legislativas do país.
Magyar fez estas declarações num comício no centro de Budapeste, assinalando o dia nacional da Hungria, que evoca a revolta de 1848 contra o domínio dos Habsburgos, levante que acabou esmagado pelo Império Russo.
A Hungria vai às urnas a 12 de abril. O Partido Tisza, de Magyar, segue à frente do Fidesz de Orbán na maioria das sondagens. O Fidesz governa a Hungria com maioria absoluta no parlamento desde 2010.
"Orbán convidou para o nosso país os agentes russos mais experientes para interferirem nas eleições e voltarem a roubar o nosso bem mais sagrado, a liberdade húngara, pela qual os nossos antepassados deram a vida", afirmou Magyar.
Referia-se a notícias de imprensa segundo as quais a Rússia terá destacado uma equipa de agentes da embaixada em Budapeste para influenciar a campanha eleitoral a favor de Orbán. A Rússia negou as acusações.
"Mentiras, enganos e intimidação, é isso que nos reservam. Viktor Orbán traiu a liberdade húngara por trinta moedas de prata, por si e pela sua dinastia. Vergonha, vergonha, vergonha", disse Magyar.
Magyar visou também diretamente a narrativa de campanha de Orbán, em que o primeiro-ministro se apresenta como alguém que garante a paz e a estabilidade, e retrata a oposição como disposta a arrastar a Hungria para a guerra.
"Provocar guerra, ameaçar guerra, incitar à guerra, essa é a sua última arma contra os húngaros, usada para se manter no poder", afirmou Magyar. O Partido Tisza, acrescentou, opõe-se firmemente a qualquer forma de envolvimento militar.
"Não queremos guerra, não queremos guerra", declarou.
Oposição centra-se no custo de vida
Magyar dedicou ainda uma parte significativa do discurso às questões económicas, prometendo melhorar o nível de vida e responder às pressões do custo de vida que afetam os agregados familiares húngaros.
"Viktor Orbán é um traidor que traiu o nosso futuro comum. Não construiu um país, mas o seu próprio domínio. Não elevou a pátria, tornou-a no país mais pobre e mais corrupto da UE", afirmou Magyar.
Acrescentou que o futuro governo que propõe pretende recuperar os fundos da UE destinados à Hungria, atualmente congelados devido a preocupações com a corrupção e o Estado de direito.
Magyar prometeu dar prioridade à recuperação dos serviços públicos, caso o seu partido vença as eleições.
"Os cidadãos têm direito ao melhor serviço público de saúde disponível, vivam onde viverem. Têm direito a não morrer antes do tempo de doenças evitáveis e a não esperar anos por um exame de rotina", afirmou.
O líder da oposição comprometeu-se, ainda, a introduzir um limite de dois mandatos para o cargo de primeiro-ministro, caso o Tisza chegue ao poder.