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Rohingya preferem morrer a regressar a casa

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Rohingya preferem morrer a regressar a casa

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Há mais dois grupos étnicos armados dispostos a assinar o chamado Acordo de Cessar-Fogo Nacional em Myanmar, na antiga Birmânia. É mais um passo rumo ao processo de paz numa altura em pelo menos 10 grupos rebeldes continuam fora acordo negociado pela anterior administração e que visa por fim à violência que assola o país. Cerca de 700 mil pessoas de etnia rohingya fugiram, recentemente, à repressão do exército. A repatriação do Bangladesh para Myanmar prevista para o início desta semana acabou por ser adiada e muitos refugiados recusam, agora, regressar a casa.

"Fui obrigado a fugir do meu país três vezes e das últimas vezes acabei por voltar. Dizem-nos sempre que nos vão dar tudo, mas isso não acontece. O Governo é uma fraude e sempre que regressamos somos enganados. Por isso, desta vez, não tenho a intenção de regressar" afirma o refugiado Abdul Gaffar.

Preferimos que nos matem aqui mesmo

Refugiado Rohingya

"Nunca mais quero voltar. Sofri demasiado. Como posso educar os meus filhos se passamos a vida a fugir e a regressar a casa? Eu nunca frequentei uma escola e temo que aconteça o mesmo aos meus filhos. Depois de ter passado tudo o que passei não quero voltar. Se nos forçarem preferimos que nos matem aqui mesmo. Pelo menos teríamos mais paz. Estou pronto a ir para qualquer sítio, mas nunca mais para Myanmar" acrescenta o refugiado Mohammad Younus.

Um ceticismo partilhado pelas organizações de apoio aos refugiados que apontam para falhas do plano de repatriamento, nomeadamente, a nível de segurança, alimentação e de alojamento.

O Bangladesh acolhe cerca de um milhão de refugiados da minoria rohingya. Uma minoria que a ONU considera ser vítima de uma limpeza étnica na antiga Birmânia.