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Europa: preços do gás disparam 45% após Qatar suspender produção de GNL

ARQUIVO – Estação de gasoduto de gás natural na aldeia de Primda, oeste da República Checa, em 14 de janeiro de 2013
ARQUIVO – Estação de gasoduto na aldeia de Primda, no oeste da República Checa, em 14 de janeiro de 2013 Direitos de autor  Petr David Josek /AP
Direitos de autor Petr David Josek /AP
De Doloresz Katanich
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Preços europeus do gás natural disparam após Qatar suspender produção de GNL na maior unidade mundial devido à escalada do conflito no Médio Oriente

O preço de referência do gás europeu, negociado no hub neerlandês TTF, chegou a subir 45% para cerca de 46 euros por megawatt-hora nas negociações do início da tarde.

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Os preços do gás natural no Reino Unido também dispararam, com o índice de referência NBP a subir acentuadamente em linha com os mercados continentais.

A elevada volatilidade tem provocado fortes oscilações de minuto a minuto.

A subida acentuada ocorre após ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irão, que agravaram as tensões numa região crucial para os fluxos energéticos mundiais.

A QatarEnergy anunciou no início da tarde de segunda-feira que suspendeu a produção de gás natural liquefeito ligada ao gigantesco reservatório North Field, na sequência de um ataque às suas instalações, sem adiantar mais detalhes sobre a dimensão do impacto nas operações.

Perturbações no estreito de Ormuz alimentam receios globais

Uma grande parte do abastecimento energético mundial provém do Médio Oriente e, antes mesmo do anúncio do Catar, o transporte marítimo de petróleo e gás já estava no centro dos receios dos mercados.

O estreito de Ormuz, uma passagem marítima estreita em grande parte controlada pelo Irão, é um dos principais pontos nevrálgicos do mundo para o transporte de petróleo e de GNL, incluindo exportações do Catar.

O Irão começou a bloquear o tráfego através do estreito após os ataques, alimentando preocupações com possíveis interrupções de oferta.

«Na história moderna, o estreito de Ormuz nunca chegou a ser encerrado, embora por vezes o tráfego tenha abrandado temporariamente», afirmou Maurizio Carulli, analista global de energia na Quilter Cheviot.

Acrescentou que «cerca de 20% da oferta mundial de petróleo transita pelo estreito de Ormuz, bem como 38% do comércio marítimo de crude».

Carulli não espera que as transportadoras de petróleo façam atravessar os seus navios enquanto «a situação militar não aliviar», devido ao risco de danos ou apreensões de navios, bem como à indisponibilidade temporária de cobertura de seguro.

«Dados de satélite indicam que o trânsito de petroleiros praticamente parou durante o fim de semana, uma medida de precaução por parte das companhias de navegação», acrescentou.

Qualquer perturbação prolongada pode afetar os carregamentos de GNL do Catar, que assegura cerca de 12% a 14% das importações europeias de GNL.

Europa exposta à concorrência global

Embora a Europa não dependa sobretudo do gás do Catar, analistas alertam que o impacto indireto pode ser significativo.

Se os fornecimentos para a Ásia forem perturbados, os compradores asiáticos podem procurar cargas alternativas, aumentando a concorrência global pelo GNL.

Esta dinâmica tenderia a pressionar em alta os preços à escala mundial, incluindo na Europa.

O Catar, terceiro maior exportador mundial de GNL, atrás dos Estados Unidos e da Austrália, tornou-se um fornecedor cada vez mais importante para a Europa desde a invasão da Ucrânia pela Rússia, em 2022, que obrigou os países europeus a reduzir a dependência do gás russo transportado por gasoduto.

Níveis baixos de armazenamento aumentam vulnerabilidade

Os níveis relativamente baixos de armazenamento de gás na Europa têm reforçado a inquietação nos mercados.

O armazenamento na União Europeia situa-se atualmente abaixo dos 30% da capacidade, numa fase final da época de aquecimento de inverno, contra cerca de 40% na mesma altura do ano passado.

A Alemanha e a França, as duas maiores economias do bloco, contam-se entre as mais vulneráveis.

As instalações de armazenamento de gás da Alemanha estavam 20,5% cheias no sábado, enquanto as de França se situavam em 21%, segundo dados da Gas Infrastructure Europe.

Reservas mais reduzidas deixam os países mais expostos a ruturas de abastecimento e à volatilidade dos preços, sobretudo se os mercados globais de GNL voltarem a apertar.

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