A viajar este verão? Estas dicas de experientes especialistas em bagagem e da equipa da Euronews Travel vão tornar a viagem mais simples e leve
Se é daquelas pessoas que leva sempre coisas a mais ou do tipo de viajante que só se lembra do passaporte quando o táxi já chegou, fazer a mala para as férias pode parecer uma verdadeira arte.
No meu caso, já perdi a conta às vezes em que tive problemas na porta de embarque por causa de malas a abarrotar ou com excesso de peso. Sendo uma viajante frequente, já devia ter aprendido, mas há competências que simplesmente não são para todos.
Para o ajudar a viajar de forma mais eficiente este verão, a nossa equipa reuniu os truques de arrumação que já testou, a par dos conselhos de especialistas habituados a andar pelo mundo, desde os essenciais que vale a pena comprar para poupar espaço até aos erros, surpreendentemente comuns, que podem arruinar uma viagem ainda antes de começar.
Aproveitar o espaço dos sapatos
Michael Starling, editor executivo na Euronews Travel, defende como poucos o aproveitamento do que chama o “espaço dos sapatos”.
“O meu grande truque para fazer a mala, sobretudo quando despacho bagagem, é aproveitar o ‘espaço dos sapatos’. Uso meias soltas para envolver os produtos de higiene e depois enfio-os dentro dos sapatos”, explica.
“Assim evita levar um nécessaire volumoso e, ao mesmo tempo, protege os frascos de champô, gel de duche e afins. É impressionante a quantidade de coisas que cabe num sapato ou numa bota.”
Usar sacos de vácuo para ganhar espaço
Se simplesmente não consegue viajar com pouca bagagem, os sacos de vácuo podem ser a salvação.
Elena Galli é fundadora da Jaspacks (fonte em inglês), uma marca de viagens focada em ajudar as pessoas a fazerem melhor a mala com estes sacos.
“Uma das melhores formas de preparar a bagagem para as férias é reduzir o volume das malas”, afirma. “Eles comprimem bastante a roupa, permitindo aos viajantes colocar muito mais em malas mais pequenas e viajar apenas com bagagem de cabine.
“Isto não só poupa dinheiro em taxas de bagagem como elimina duas das partes mais stressantes de voar: esperar para despachar as malas e voltar a esperar junto da passadeira depois da aterragem.”
Pensar bem na utilidade da roupa que leva
Todos gostamos de ter vários conjuntos à escolha, mas numa viagem mais longa, e com restrições apertadas de bagagem das companhias aéreas, isso nem sempre é possível.
A solução passa por pensar a sério no que leva, ainda antes de começar a fazer a mala.
Izzy Nicholls, fundadora do The Gap Decaders (fonte em inglês), viaja em permanência por terra desde 2018 pela Europa, África e Ásia.
“Faça a mala a pensar em repetir looks e não em prever todos os cenários. Uma forma simples de o conseguir é criar um pequeno guarda-roupa cápsula que funcione de dia e de noite com poucas mudanças. Para muitas viagens, uma base 3-2-1 cobre quase todas as necessidades”, diz Nicholls.
“Isto significa três partes de cima que possa sobrepor, duas partes de baixo que combinem com os mesmos sapatos e uma peça exterior que resulte nos momentos mais frescos. Junte uma peça mais cuidada para a noite, como um top mais elegante ou um conjunto compacto que continue a combinar com os sapatos de dia. O segredo é escolher peças que combinem todas entre si, para que todos os tops funcionem com ambas as partes de baixo e a peça exterior sirva com tudo. Se uma peça só ficar bem com um conjunto, é quase sempre peso morto.”
Nicholls também recomenda ser “deliberado nas escolhas de tecidos ao fazer a mala, porque os materiais de secagem rápida permitem lavar algo à noite e voltar a vesti-lo de manhã, o que afasta a tentação de levar duplicados”, e sugere levar um pequeno kit de lavandaria para “permitir que um guarda-roupa mais reduzido aguente umas férias mais longas sem parecer repetitivo”.
Tirar partido dos vestidos compridos na mala
Fakhriya M. Suleiman é jornalista na Euronews Travel e tende a levar muitos vestidos compridos, algo que transforma em vantagem.
“O meu truque de viagem infalível é para vestidos compridos. O que faço é colocar metade da peça primeiro na mala e depois dobrar a outra metade por cima do que já está arrumado. Acho que ajuda a evitar vincos profundos e mantém tudo muito mais arrumado à chegada”, conta Suleiman.
Rever os produtos de higiene
“Acho que toda a gente pode dizer que já teve um desastre com produtos de higiene em viagem”, afirma Sarah-Jane Outten, especialista em lifestyle e compras na MyVoucherCodes (fonte em inglês), mas há formas de evitar a catástrofe.
“As tampas das embalagens não são nossas amigas! Nunca confie nelas. Abra o frasco e coloque uma película de plástico antes de voltar a enroscar a tampa. Isto ajuda mesmo a evitar fugas em cabine, porque cria uma vedação extra”, aconselha.
Recomenda ainda champô sólido, sabonetes em barra e pastilhas de pasta de dentes em vez das versões líquidas, porque não vertem e não contam para os limites de líquidos.
Se precisar mesmo de líquidos, transfira os produtos que já usa para frascos pequenos, em vez de comprar formatos mini, que saem caros.
Manter à mão o que precisa durante o voo
Nick Gaskin, diretor de vendas e marketing da IT Luggage (fonte em inglês), sugere levar sempre uma pequena bolsa no avião.
Todos sabemos que o ideal é levar o mínimo possível a bordo, sobretudo com franquias de bagagem reduzidas, mas não há qualquer regra que impeça de levar uma bolsa com o essencial, que possa ser facilmente retirada da mala.
“Guarde essenciais como bálsamo labial, auscultadores e snacks numa bolsa pequena dentro da mala, que possa ser facilmente retirada e mantida consigo debaixo do assento”, diz Gaskin. “Assim evita precisar de aceder ao compartimento superior durante o voo.”
Garantir que a roupa para depois do avião fica no topo da mala
Dianne Apen-Sadler, jornalista sénior na Euronews Travel, assume-se como especialista em fazer malas, qualquer que seja o tipo de viagem, depois de ter viajado muitas vezes apenas com bagagem de cabine e de ter encaixotado toda a vida para mudar de país três vezes.
“Com o check-in só às 15h, é bem provável chegar ao alojamento muito antes de poder entrar no quarto”, diz Apen-Sadler.
“Embora não seja ideal mudar de roupa numa casa de banho, pode pelo menos facilitar um pouco a vida se mantiver o biquíni ou a roupa para depois do voo no topo da mala, para a poder tirar antes de deixar o resto da bagagem atrás da receção do hotel.”
Também aconselha os mais desastrados a fazer a mala a pensarem primeiro nos itens de formato estranho e a enrolarem (quase) tudo.
“Se são do grupo que enrola a roupa (e deviam mesmo ser, com exceção de peças como ganga, casacos e camisolas grossas), aproveitar o espaço da mala torna-se muito mais simples”, acrescenta.
“Comecem por preencher com uma camada de roupa os espaços irregulares no fundo da mala criados pela estrutura da pega e depois coloquem o que tiver formatos mais estranhos, como um chapéu. Podem enrolar as restantes peças em torno disso e usar a roupa interior para encher os últimos espaços.”
Fotografar a mala antes de partir
Gaskin sugere ainda tirar uma fotografia à mala já feita antes de sair de casa.
“Pode ajudar em pedidos de indemnização ao seguro caso a bagagem se perca e serve de lembrete útil do que levou”, sublinha Gaskin.
Outten recomenda também “espalhar tudo em cima da cama antes de começar a arrumar”, enquanto Apen-Sadler sugere fotografar cada conjunto individual para facilitar a vida naqueles momentos em que não sabe o que vestir.
Se não couber na mala, vista-o
Tal como muitos de nós, a especialista em consumo Jane Hawkes (fonte em inglês) quer levar o máximo possível quando viaja, mas depara-se muitas vezes com o tamanho reduzido das malas. O conselho? Vestir o que não cabe.
“Experimente um vestido por cima das calças, camisolas de manga comprida atadas à cintura ou usar um lenço grande em vez de casaco.”
Recomenda ainda levar sempre sacos extra de pano ou de plástico, que ocupam o mínimo de espaço na mala.
“Isto pode ser particularmente útil na viagem de regresso para separar a roupa que vai direta para a máquina. Em alternativa, um saco de duty free pode servir para o mesmo, se fizer alguma compra durante a viagem”, diz Hawkes.
Levar itens práticos em que nem sempre se pensa
Achamos que sabemos sempre quais são os essenciais a levar, mas há outros objetos que quase nunca entram na lista.
“Os itens mais subvalorizados na mala não são normalmente peças de roupa, mas sim pequenos objetos que resolvem problemas reais de viagem”, diz Mateusz Dul, especialista da agência de viagens online eSky Group (fonte em inglês).
“Cada vez mais viajantes prevenidos levam uma pequena extensão ou um repartidor USB, sobretudo em hotéis onde há menos tomadas do que aparelhos. Um único adaptador passa assim a carregar o telemóvel, os auscultadores, o relógio inteligente e a powerbank ao mesmo tempo.”
Dul recomenda ainda levar garrafas reutilizáveis com filtro, que se podem encher depois do controlo de segurança, para evitar pagar demasiado por água engarrafada, e sprays faciais ou gotas para os olhos, “já que as cabines dos aviões e o ar condicionado dos hotéis tendem a secar muito mais do que as pessoas esperam”.
Nos cruzeiros, fazer a mala é outra história
Ficar instalado no mesmo sítio exige uma forma de fazer a mala completamente diferente, e isso aplica-se em especial aos cruzeiros, onde os camarotes são muitas vezes minúsculos e o espaço é muito limitado.
Parul Jadav, responsável pelos produtos em terra na Brightsun Travel (fonte em inglês), tem alguns conselhos práticos para quem nunca fez um cruzeiro.
“Uma coisa em que as pessoas nunca pensam é num organizador de sapatos para pendurar. Fica praticamente plano na mala, mas depois desdobra-se para guardar oito pares de sapatos ou mais no roupeiro, sem ocupar o espaço do chão”, explica.
Jadav também recomenda um nécessaire para pendurar, pois “oferece arrumação extra sem ocupar o espaço limitado do lavatório”.
Recorda ainda aos passageiros de cruzeiro que “coloquem os essenciais: medicação, carregador, livro e roupa de banho, na bagagem de mão. Há quem se esqueça de que, mesmo num cruzeiro que parte do Reino Unido sem avião pelo meio, a mala pode demorar algum tempo até chegar efetivamente ao camarote”.