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Pressão dos EUA no Paquistão atinge Afeganistão

Pressão dos EUA no Paquistão atinge Afeganistão
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Tomas Rutig é o co-diretor da rede de analistas do Afeganistão. Em entrevista à Euronews ajuda-nos a perceber o crescente números de ataques terroristas no Afeganistão.

Tesa Arcilla, Euronews: muito obrigada por se juntar a nós na Euronews. Vimos o que está a acontecer no Afeganistão, na capital, Cabul. Centenas de pessoas foram mortas em ataques: numa rua lotada, num hotel, numa academia militar. Os militantes estão a trazer os combates para a cidade. Estamos a assistir a uma mudança das táticas?

Thomas Ruttig, co-diretor da rede de analistas do Afeganistão: não, não é uma mudança nas táticas. Infelizmente, no passado, vimos uma série de ataques semelhantes em Cabul e em outras grandes cidades. Relativamente novo é o facto de os grupos ligados ao auto-denominado Estado Islâmico também estarem a participar nesta onda de ataques onde se juntam os dois, os talibã e o grupo Estado Islâmico.

Euronews: o que estamos a ver é cada um a tentar superar o outro intensificando os ataques?

T. R.: sim, isso pode ser parte de toda a equação no momento em que ambos os grupos, obviamente, precisam de financiamento e apoio dos doadores. Por isso têm de mostrar que estão ativos. Então, essa concorrência pode influenciar o que está a acontecer às custas da população afegã.

Euronews: como podemos olhar para o que está a acontecer no contexto do Paquistão? O chefe dos serviços de secretos afegãos diz que acha que houve um aumento nos ataques como resposta à pressão que os EUA colocaram no Paquistão. Os EUA e o Afeganistão acusam o Paquistão de oferecer refúgio a militantes. Vimos a suspensão da ajuda Norte Americana . Isto tem influência no que se passa em Cabul? T. R.: com certeza que tem um papel no Paquistão. Ao longo de muitos anos demonstrou-se que quando a pressão é exercida sobre eles e quando são abertamente criticados, às vezes a reação chega através dos talibã. O Paquistão realmente precisa olhar para o espelho e reconhecer que tem um papel fundamental no Afeganistão e também no apoio aos talibã. Todos sabem que estão a operar a partir do território paquistanês e a partir de áreas que são controladas pelo exército e pelo seus serviços secretos. Portanto, as negações públicas não são verdaeiramente convincentes.

Euronews: muito obrigada a Tomas Rutig, co-diretor da rede de analistas do Afeganistão.