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Arábia Saudita renuncia à gestão de Grande Mesquita de Bruxelas

Arábia Saudita renuncia à gestão de Grande Mesquita de Bruxelas
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REUTERS/Yves Herman
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O governo da Arábia Saudita aceitou, terça-feira, entregar a gestão da Grande Mesquita de Bruxelas à comunidade muçulmana belga que é, sobretudo, de origem marroquina.

"Mesquitas como esta devem modernizar o seu discurso religioso"

Khalid Hajji Académico

Desde a década de 70 que a mesquita era gerida por uma sociedade missionária saudita, que alegadamente pregava uma versão mais extremista do Islão chamada salafismo.

"Se há alguma prova de que não há nada a apontar à mesquita, é o sermão proferido. Se traduzimos o sermão, não há nada relacionado com terrorismo ou com algo parecido", disse um fiel à euronews, em desacordo com a conclusão de um recente estudo do Parlamento da Bélgica.

"Uma investigação parlamentar chegou à conclusão de que a Grande Mesquita sofreu influência salafista e, portanto, recomendaram que se pusesse fim ao financiamento da Arábia Saudita e se transferisse o poder para a comunidade muçulmana na Bélgica", disse o ministro da Administração Interna, Jan Janbom, em janeiro passado.

A decisão saudita de ceder a gestão está em linha com a promessa do príncipe Mohammed bin Salman de mudar a imagem no exterior, sobretudo no Ocidente, de conivência do regime com alas radicais, incluindo grupos terroristas como o Daesh.

"Mesquitas como esta devem modernizar o seu discurso religioso, tanto na Bélgica como na Europa. A decisão do governo saudita é sinal de uma reflexão correta e que se enquadra no contexto de abertura que o país está a promover", disse, à euronrews, Khalid Hajji, presidente do Fórum de Bruxelas de Sabedoria e Paz Mundial e académico sobre diálogo inter-religioso.

O príncipe Mohammed bin Salman está, também, a promover uma maior abertura de costumes a nível interno, da qual foi exemplo recente a reforma que permitiu às mulheres assistirem a vários eventos, tais como jogos de futebol, e conduzirem.

A exposição dos jovens belgas a ensinamentos mais fundamentalistas preocupava o governo, sobretudo desde os ataques terroristas, em Paris (2015) e em Bruxelas (2016), planeados por uma célula jihadista em Bruxelas.

Além disso, a Bélgica é o país europeu que, per capital, mais jovens combatentes enviou para a Síria, sobretudo descendentes de membros da comunidade oriunda do norte de África, que veio trabalhar para as minas e as fábricas do país em meados do século XX.