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Castel Volturno, a cidade dos migrantes em Itália

Castel Volturno, a cidade dos migrantes em Itália
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De  João Paulo Godinho
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Nesta terra de quase 30 mil habitantes, 20 mil são migrantes.

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Itália vive as duas últimas semanas de campanha para as eleições legislativas, mas o ministro do Interior, Marco Minniti, decidiu viajar até Castel Volturno, perto de Nápoles.

Um território esquecido, onde todos se sentem abandonados pelo Estado. Aqui, a maioria dos moradores são imigrantes ilegais. E o crime organizado tradicional deixou um espaço aberto para o poderoso crime organizado nigeriano e para o caos de uma micro-criminalidade fora de controlo.

O governo de Itália deve mudar nas eleições de 04 de março. No entanto, Minniti assinou um pacote de investimentos de 21 milhões de euros para aplicar em políticas de segurança e integração.

Dimitri Russo, autarca de Castel Volturno, mostra-se satisfeito com as promessas, mas avisa que podem não ser suficientes: "A repressão e o controlo do território não são suficientes, mesmo que o Ministro nos tenha prometido mais policias: aqui já não temos a liderança da Camorra no crime, mas uma micro-criminalidade difusa, atos predatórios cometidos por pessoas que nem têm um prato sobre a mesa, sobretudo migrantes."

O crime organizado está essencialmente nos arredores, mas alguns efeitos já se fazem sentir no centro da cidade, onde a vida flui com uma aparente normalidade. Mesmo os residentes de origens africanas que cresceram aqui dizem que agora esta migração já não é aceitável:

Martin, cidadão de origem africana que cresceu nesta terra, confessa que Itália não tem capacidade para absorver tanta migração.

"Vivemos num lugar abandonado, não podemos aceitar todas estas pessoas, porque não temos a força nem os meios para educá-las. Não estamos em África, mas num país civilizado, e estas pessoas precisam de ser educadas".

A migração e a segurança estão em foco na campanha eleitoral italiana; ainda mais após os acontecimentos em Macerata. À morte de uma menina às mãos de migrantes seguiu-se um tiroteio com motivações racistas. Macerata e Castel Volturno são pois dois exemplos desta estranha campanha.

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