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Migração: Europeus ponderam soluções que falharam

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Migração: Europeus ponderam soluções que falharam

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Do ponto de vista ético e prático faz sentido criar centros de processamento de refugiados e migrantes para evitar que cheguem à União Europeia?

Levará anos, muito dinheiro e muito capital diplomático até que tais esquemas funcionem

Marie de Somer Analista, Centro de Política Europeia

A euronews falou com o presidente da Comissão das Liberdades Cívicas, Justiça e Assuntos Internos (LIBE), no Parlamento Europeu, e com uma analista do Centro de Política Europeia (CPE), em Bruxelas.

"Ter políticas para o processamento de pedidos de refúgio em países terceiros, como no Norte da África, por exemplo, está errado. Essas políticas não funcionam, violam os direitos humanos e, na pior das hipóteses, mostram que efetivamente a União Europeia perdeu os seus valores. Já houve experiências com esse tipos de políticas, foram testadas e falharam", disse Claude Moraes, eurodeputado de centro-esquerda britânico, que preside à LIBE.

Mesmo do ponto de vista prático - ao nível da legislação e da capacidade logística - estas plataformas não resolvem os problemas imediatos, segundo a diretora do Programa de Migração e Diversidade do CPE.

"Mesmo que seja posto em prática um esquema de processamento externo, continuaremos a ser confrontados com migrantes, porque levará anos, muito dinheiro e muito capital diplomático até que tais esquemas funcionem. Até lá precisaríamos de continuar a trabalhar em como resolver as coisas internamente", explicou Marie de Somer.

"Quando esses esquemas estivessem a funcionar - partindo do princípio de que serviriam para fazer depois a reinstalação desses locais para a União Europeia - para que países europeus seriam transferidos os requerentes? Logo, voltamos à mesma questão: como redistribuir requerentes de asilo por diferentes países europeus?", acrescentou.

O presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, propôs “plataformas regionais de desembarque” fora da União Europeia, a fim de selecionar refugiados que precisam de proteção internacional, separando-os dos migrantes económicos, que potencialmente seriam deportados para os países de origem.