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Seca na Austrália: Ordem para abater cangurus

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Seca na Austrália: Ordem para abater cangurus

Os cangurus estão a competir com os animais domésticos pela água
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REUTERS/David Gray
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O governo da Austrália decidiu aumentar o número de cangurus que os fazendeiros podem matar e reduziu as burocracias necessárias para se conseguir as respectivas licenças.

As licenças para matar cangurus podem ser solicitadas agora via internet ou pelo telefone e a carne dos animais mortos pode ser depois usada para fins não comerciais, incluindo como isco.

Por causa do pior período de seca na Austrália desde 1965, os cangurus têm perdido a vergonha e o medo em busca de alimentos, revelando-se uma forte concorrência do gado pelas fontes de água existentes.

Há já inclusive imagens destes animais simbólicos da Austrália a invadir zonas urbanas da capital, Camberra.

Os acidentes envolvendo cangurus já tinham atingido as 2291 ocorrências no final de julho, aproximando-se das 2634 registadas durante todo o ano passado.

"É provável que venhamos a ter mais de 4000 incidentes envolvendo cangurus no final deste ano", afirmou Daniel Iglesias, citado pelo jornal Canberra Times.

"Este é um fenómeno típico dos anos de seca porque estes animais ficam sob stresse", acrescentou diretor do Serviço de Conservação e Parques no Território da Capital Australiana.

A autorização para matar mais cangurus é apenas uma das várias medidas anunciadas pelo primeiro-ministro Malcolm Turnbull para apoiar os agricultores e criadores de gado afetados pela seca.

O estado de Nova Gales do Sul, no leste da Austrália, foi declarado 100 por cento em estado de seca.

A queda de alguma precipitação deu esperança à região, mas muito pouca. As previsões para os próximos meses não são favoráveis.

Estamos, curiosamente, no pico do inverno no hemisfério sul. Este último outono, que terminou a 31 de maio, foi inclusive o quarto mais quente na Austrália desde que há registos, com a queda de precipitação abaixo da média de todo o país.

O mês de julho foi ainda o mais seco na Austrália desde há mais de 15 anos.

Com as atuais condições de calor extremo e chuva abaixo do normal, o receio aumenta para um novo fenómeno El Niño no final deste ano.