Última hora

Última hora

O brexit poderia ser amargo para o vinho do Porto

Em leitura:

O brexit poderia ser amargo para o vinho do Porto

O brexit poderia ser amargo para o vinho do Porto
Tamanho do texto Aa Aa

O Reino Unido constitui um dos maiores mercados de exportação para o vinho do Porto e a saída do país da União Europeia, o Brexit, põe em risco exportações no valor de quase 50 milhões de euros.

Uma situação irónica para o mais aprecidado dos vinhos portugueses, já que o negócio do vinho do Porto está ligado a nomes como Taylor, Croft, Churchill, Warre, Sandeman ou Symington. São os nomes das caves. Os britânicos presentes na região norte de Portugal são responsáveis pelo desenvolvimento do negócio.

Londres não esclareceu se, depois de o Reino Unido deixar o bloco europeu, irá ou não aplicar as regras comunitárias ao chamados produtos com Denominação de Origem Controlada (DOC).

Se o Reino Unido deixar de aplicar as regras a produtos como o vinho do Porto, por exemplo, colocaria ao mesmo nível o verdadeiro e único produto do Douro, produzido na região do norte de Portugal e produtores de vinho "tipo Porto," de países como a África do Sul ou a Austrália.

Uma possibilidade que não deixaria o Reino Unido completamente sozinho.

Os Estados Unidos combatem, desde há algum tempo, as chamadas leis europeias de Identificação Geográfica, com o argumento de que constituem barreiras ao comércio. Um braço de ferro que não parece terminar em breve.

Questão tão importante quanto a fronteira irlandesa

A questão dos produtos protegidos e das denominações de origem controlada não é um detalhe no processo de saída do Reino Unido da União Europeia, como demonstrou Michel Barnier, que lidera as negociações do lado de Bruxelas.

Bernier referiu que, juntamente com a questão da fronteira entre a República da Irlanda - membro da União- e a Irlanda do Norte - parte do Reino Unido, o futuro dos produtos protegidos produzidos em território da UE e vendidos nas Ilhas Britânicas é fundamental.

Os produtos europeus de origem protegida são muito apreciados em várias industrias, da restauração ao turismo pela imagem de marca, pela qualidade da produção e pelo valor agregado que ambas características proporcionam.

Mas, para Bruxelas, há mais do que lucro na proteção de produtos como o vinho do Porto, o Champagne e os queijos franceses.

Existem economias locais e comunidades tradicionais a serem protegidas. Há também a questão das imitações que, na grande maioria dos casos, não passa pelos processos de produção nem de garantia de qualidade que os produtos orignais.

Um produto único

No caso do vinho do Porto, os produtores portugueses dizem que é a região que dá ao produto as características únicas.

No Douro, existem grandes amplitudes térmicas, às quais estão submetidas as uvas. Há ainda o facto de que sejam usadas as uvas Touriga, Tinta roriz e Barroca - existentes apenas em território português - e um solo que implica a produção de menos uvas, mas com um teor de açúcar mais elevado. Por fim, os terrenos acidentados - os socalcos - permitem que as uvas tenham diferentes exposições ao sol.

O Porto é o mais apreciado dos vinhos portugueses, tanto no mercado nacional como no estrangeiro. Uma garrafa de Porto considerado vintage, por exemplo, do século XIX, pode chegar aos três mil euros.